<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324</id><updated>2012-01-30T09:31:40.339-02:00</updated><category term='Dulce.'/><title type='text'>Líricas.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>102</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7595377655941497423</id><published>2011-11-06T21:16:00.000-02:00</published><updated>2011-11-09T15:26:14.984-02:00</updated><title type='text'>Outra cama.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;É tudo tão confortável&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;— esse fazer amor,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;esse dormir juntos,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;a suave delicadeza…&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;[Bukowski]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ficava ali, dançando. Como se não existisse tempo, olhos ao redor. Eu só ficava ali, dançando. Três horas da manhã, as pessoas todas em bandos, falando alto, sorrindo muito, jogando fumaça pra cima, música ruim, alguém enchendo meu copo, alguém recitando poesia, vários rodopios, uma garrafa quebrada, todo mundo se atrevendo. Eu me desfazia e dançava entre cometas, bêbados e vagabundagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me desesperei quando ele entrou e sentou-se sozinho no fundo do bar. Acendeu um cigarro, virou uma dose e o mundo se resumia então àquele momento. Tentava pegar seus olhos, inventar um motivo para me aproximar, dizer alguma frase decorada, fingir que acreditava em qualquer coisa que ele dissesse e atuar em relação a todo esse lance atrativo entre o que se pensa e o que se diz. Quem sabe ele se comovesse ao notar minha maquiagem suja e borrada, minha boca vermelha, meus olhos mendigos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As coisas foram se desprendendo de mim. Ele me ofereceu uma bebida e deixei claro meu desejo. Guardava em sua pose a esperança bonita daqueles que não se escondem. Nossos sentimentos foram abafados pelo arrastar de mesas e cadeiras e novos corpos que se juntavam àquela multidão. Muita coisa sobressaltava, todos se entendiam, abraçavam a loucura abstrata do instante e se desvinculavam de tudo o que ousasse ser humano. Éramos além.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma dança, a bebida caindo do copo, suas mãos passeando em mim de cima a baixo, rascunhando como que num último retoque todo o meu corpo. Eu seria dele ali mesmo, naquele instante, debaixo de toda a provocação que estava sendo entregue. Me beijou num misto de fúria, drama, comoção, exagero, furtando toda a história pervertida que até então estava sendo guardada em minha língua. Aquelas luzes, aquela sensação de sermos inflamáveis, uma explosão conjunta prestes a acontecer. Já estávamos à beira. Eu despencaria fácil.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tocava minhas pernas, firmava meus quadris, lambia meus lábios, mordia as pontas dos meus dedos, recitava sacanagens, ia me amarrando nele, assim, como se houvesse espaço para nós dois debaixo daquela jaqueta preta. Afoguei minha intensidade em seus braços e permiti, repetindo muitas vezes, que ele poderia ultrapassar. Que toda aquela pinta de imensidão dava acesso ao que era muito raso. Ele poderia ultrapassar, poderia ler minhas histórias, poderia zombar da minha cara de quem acredita em romances, poderia me deixar seriamente emocionada. Ele poderia ousar, montar suas putarias em meu pescoço e me fazer desamarrar todas as letras desordenadas que nunca foram ditas a ninguém. Que ele viesse. Que eu fosse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me puxou pelas mãos e eu apenas segui, sem saber o caminho. Sem querer saber o caminho. Esbarrei em toda aquela gente, nas gargalhadas que ao tocar meu rosto me faziam sorrir, nos cheiros doidos de coisas que floresciam e iam se impregnando em minha pele, derrubei uma cadeira, traguei um cigarro que outra mão segurava e ouvi a porta batendo atrás de mim, enquanto atravessávamos a rua, correndo. Ele amassava minha mão, meu coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminhamos até a estação de metrô mais próxima, pegamos o primeiro destino, sentamos e ficamos olhando um para o outro enquanto o céu era inteiro feito de labaredas. As cadeiras vazias, os fantasmas a observar nossa mudez. Todo aquele silêncio me enchia de palavras. Descemos e fomos andando até meu apartamento. Indecências no elevador, convites para trepar na escada, sussurros para não acordar os vizinhos e um passo de tango mal feito no meio do corredor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conheceu meu corpo como se nada fosse novidade, como se ele próprio tivesse moldado todos os detalhes naquela manhã que nascia. Seu peso era o peso que eu nasci para medir. Enquanto ele afastava numa carícia os cabelos que caiam em meu rosto, meu queixo se apoiava em seu peito e não sabíamos se era melhor juntar ou separar tudo antes que alguma coisa se quebrasse. Levantei, amarrei as dúvidas junto com os cabelos e escrevi na parede com meu batom vermelho um verso que rasgou meu pulso e deixou muita coisa a mostra. O resto eu havia esquecido na mesa do bar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No chuveiro, a água deixou que escorressem as marcas do que foi feito. Ficamos abraçados e sua pele ia aquecendo minhas extremidades. Aquele rosto bonito, a fumaça, nossos pés, nossa volta para a cama, o chão molhado e a gente se olhando sabendo que seria a última vez. Gravando vozes, medindo os tons, identificando as cores, colocando pimenta, adiando a hora de ir embora. Queríamos chuva para passarmos o dia em cima do colchão vivendo de prazer, música, doce e conversas sobre coisa nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos olhamos de perto, lembramos nosso olhar de longe, olhava já com saudades, agarrava com as pernas, com os braços, com todos os movimentos. Mordia, arranhava, feria para fazer carinho. As palavras foram diminuindo e a porta bateu. Um morango explodiu em minha boca, pacote de &lt;i&gt;souvenirs.&lt;/i&gt; Fiquei ali, dançando, numa violência sutil, como se não existisse tempo. Misturei tudo com fogo. Falaria de amor no próximo passo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa próxima cama.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7595377655941497423?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7595377655941497423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7595377655941497423&amp;isPopup=true' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7595377655941497423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7595377655941497423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/11/outra-cama.html' title='Outra cama.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-9064221119760159375</id><published>2011-10-19T20:45:00.000-02:00</published><updated>2011-11-01T17:53:24.639-02:00</updated><title type='text'>Irritando.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Barulho quando quero dormir. | Luz acesa quando quero dormir. | Que o mundo exista, quando quero dormir. | Insônia. | Ser avaliada. | Que devolvam algo que emprestei em outro estado que não aquele que a coisa tinha ao ser emprestada. | Que perguntem porque não escrevo na linha. | Que fiquem atrás de mim no computador. | Que fiquem pescoçando quando leio uma revista ou livro. | Que toquem nos meus pés. | Que toquem nos meus cabelos. | Que falem pegando em mim. | Bebida muito doce. | Comidas de São João. | Comidas doces e salgadas misturadas. | Comidas com milho. | Andar de avião. | Unhas dos pés pintadas de cor escura. | Pessoas forçadas. | Pessoas que não sabem escrever e falar e corrigem quem fala e escreve errado. | Quem tem preconceito. | Quem se arruma demais. | Quem usa maquiagem demais. | &lt;i&gt;Paula Fernandes.&lt;/i&gt; | Quem critica alguma coisa sem nunca ter lido/visto/assistido àquilo. | Que duvidem daquilo que digo com convicção e certeza. | &lt;i&gt;Arnaldo Jabor.&lt;/i&gt; | Que me deixem explicar uma coisa durante um tempo enorme e no final digam não ter entendido nada e peçam para explicar de novo. | Quem eu não tenho intimidade e me visita sem avisar. | Visita em geral que não avisa que vem visitar. | Falar ao telefone. | Telefone. | Natal. | &lt;i&gt;Reveillon.&lt;/i&gt; | Conversa séria de manhã cedo. | Redes sociais.&amp;nbsp;| As informações irrelevantes das redes sociais. | Pessoas que constroem uma vitrine nas redes sociais - e saiu dali, é só o oco, manequim. | Quem valoriza o parecer e despreza o ser. | A moda &lt;i&gt;Clarice&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Caio&lt;/i&gt; que não acaba nunca. | Que façam a piada do mudo - &lt;i&gt;nossa, como você fala demais, não aguento ouvir sua voz&lt;/i&gt; - diante de uma pessoa calada. | Que falem demais. | Que me perguntem porque escolhi a profissão que escolhi. | Esquecer o que ia falar. | Que me digam o que eu deveria fazer. | Que me peçam para fazer algo e fiquem analisando todos os passos. | Macarronada sem queijo ralado. | Acarajé frio. | Que comentem no &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; sem ler o texto. | &lt;i&gt;Maria Gadú.&lt;/i&gt; | Homens de &lt;i&gt;abadá,&lt;/i&gt; bermuda, pochete e óculos escuro na cabeça/pescoço. | Quem acha bonito ficar bêbado. | Quem não está bêbado e paga de bêbado só pra ter uma espécie de justificativa para fazer merda. | Quem bebe para fazer merda. | Micareta. | Carnaval. | Cigarro. | Homens que ligam o som do carro no volume máximo enquanto tomam cerveja no posto de gasolina e chamam as &lt;i&gt;piriguetes&lt;/i&gt; para dançar ao redor. | &lt;i&gt;Piriguetes.&lt;/i&gt; | Quem pensa que meu ouvido é penico. | Quem é feliz demais. | Quem é animado demais. | Quem é triste demais. | Quem é fútil demais. | Quem é inteligente demais. | Quem reclama do meu problema com gente - beijos. | Quem reclama que eu acho tudo normal demais. | Que falem mal dos meus amigos. | Que julguem. | Quem me conhece depois de conhecer o &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; e acha que eu devia ser uma pessoa lírica, fofa, meiga e doce. | Que me perguntem: &lt;i&gt;e aí? O que conta de bom? &lt;/i&gt;ou &lt;i&gt;E as novidades?&lt;/i&gt; | Meu joelho esquerdo. | Quem me chama pra ver filme e prefere a opção dublado. | Filme dublado. | Que não entendam porque gosto de ver filme nacional com legenda. | Que insistam em tirar fotos quando não quero tirar fotos. | &lt;i&gt;Zeca Camargo, Hebe Camargo, Wanessa Camargo.&lt;/i&gt; | Hipocrisia. | Chegar atrasada. | O momento de ir embora de um lugar muito cheio. | Quem ama uma música brega na voz de cantores que não são bregas, mas que quando descobrem que é brega, desprezam. | Crise de enxaqueca. | Doente conversando com outro doente disputando para ver quem está mais doente. | Comida sem cebola. | Não conseguir escrever. | &lt;i&gt;Shopping.&lt;/i&gt; | Ver alguém jogando lixo na rua. | Sentar na cadeira da frente, no cinema. | Que puxem conversa comigo no ônibus. | Vendedores da &lt;i&gt;Americanas, Riachuelo&lt;/i&gt; e derivados perguntando se não quero fazer o meu cartão. | Perder a tampa da caneta. | Caneta preta. | Ter que depender de alguém para qualquer coisa. | Ir ao banco. | Encontrar pessoas que há muito não se vê e ter que encenar o eterno - &lt;i&gt;vamos marcar? Vamos mesmo. Precisamos.&lt;/i&gt; - que nunca dá em nada. | Semi-conhecidos. | As risadas virtuais&amp;nbsp;&lt;i&gt;hehehe &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;rs.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;|&amp;nbsp;Que não prestem atenção quando estou falando. | Que me interrompam quando estou falando. | Quem mede a dor alheia e acha que está sofrendo mais. | Que entrem no meu quarto sem bater na porta. | Quem discorda de tudo só para discordar de tudo. | Pisar em chiclete. | Escovar os dentes para dormir, sentir fome, comer, sentir sono e ter que escovar os dentes de novo. | &lt;i&gt;Jô Soares.&lt;/i&gt; | Quem acha que ver novela é brega, mas assiste a seriados. | Quem acha ruim que todos tenham acesso à internet e às redes sociais [grandes merda]. | Quem diz que sente saudades mas não move uma palha para mudar a situação. | Pessoas falsas. | Que fucem minhas coisas. | Que resolvam me falar uma coisa e depois digam: &lt;i&gt;nada não, deixa pra lá.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;| Que descubram que tenho um &lt;i&gt;blog.&lt;/i&gt; | Não achar o prendedor de cabelo. | Perder um lado do par de brincos. | &lt;i&gt;Caio Castro.&lt;/i&gt; | Poesia que rima. | As redes de TV brasileiras. | Quem gostava do &lt;i&gt;Menudos&lt;/i&gt; e critica o &lt;i&gt;Restart.&lt;/i&gt; | Quem mastiga de boca aberta. | &lt;i&gt;Telemarketing.&lt;/i&gt; | Falta de respeito. | &lt;i&gt;Galvão Bueno.&lt;/i&gt; | Cólicas menstruais. | Pessoas grudentas demais. | Atendentes de repartições públicas. | Boates. | Que me acordem. | Pernilongo. | Tempo frio demais. | Animais domésticos. | Levar a culpa por algo que não fiz. | Tosse. | Perguntas pessoais demais. | Quem faz drama com o horário de verão. | Quem faz drama, com qualquer coisa. | Quem concorda com tudo. | Quem discorda de tudo. | Crianças que agem/ se vestem como adultos. | Dor nas costas. | Dor no joelho. | Qualquer dor física. | Tormentos musicais [aquelas músicas toscas que grudam na mente]. | A mulher do &lt;i&gt;Avast&lt;/i&gt; falando das definições de vírus. | Fãs póstumos [tipo a moçada que começou a amar &lt;i&gt;Amy Winehouse/ Steve Jobs&lt;/i&gt; por esses dias]. &amp;nbsp;| Quem me imita. | Quem tem mais de 20 anos, lê &lt;i&gt;Crepúsculo&lt;/i&gt; e ama. | Quem reclama de tudo. | Quem reclama de gente que reclama de tudo. [Minha lista é pra reclamar, não me insira aí - HAHA]. | Esmalte descascando. | A sensação de ter esquecido alguma coisa e depois descobrir que de fato esqueci alguma coisa. | Miguxês. | Quem insere espaço entre as palavras e as pontuações. | Quem se acha superior. | Rixas entre fãs de &lt;i&gt;Guns&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Nirvana.&lt;/i&gt; | Quem não sabe ouvir. | &lt;i&gt;Blogs&lt;/i&gt; de moda feitos por gente que não sabe nada de moda. | &lt;i&gt;Blogs&lt;/i&gt; piscantes, com música, anúncios, frufrus, fotografias, buzinas, faixas e promoções. | Que me chamem de blogueira. | &lt;i&gt;Slides&lt;/i&gt; no &lt;i&gt;powerpoint&lt;/i&gt; com mensagens de autores famosos que nunca escreveram nada daquilo, por &lt;i&gt;e-mail.&lt;/i&gt; | Domingos. | Quem faz dieta sem precisar fazer dieta. | Que me digam que eu estou magra. | Pessoas espaçosas. | Estudantes de Medicina que acham que são/serão o &lt;i&gt;Dr. House.&lt;/i&gt; | Estudantes de Direito que se acham juízes. | Estudantes de Jornalismo que fazem um&lt;i&gt; blog&lt;/i&gt; e acham que sabem escrever apenas por fazer Jornalismo. | Sentir fome. | Casais que brigam em público. | Quem não tem tempo para nada. | Quem acha que é &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; não ter tempo para nada. | Qualquer um que por ter nível superior acha que sabe mais que os outros. | Generalizações. | Pessoas insistentes. | &lt;i&gt;Regina Duarte.&lt;/i&gt; | Pessoas que me elogiam demais. | Que não tenham senso de humor. | Que me subestimem. | Cerveja em copo de plástico. | Repertório de artistas que tocam em barzinho. | Quem não larga o celular. | Quem não fala palavrão. | Que o controle remoto não esteja ao meu lado quando estou deitada e quero mudar de canal. | Que assistam TV zapeando como se não houvesse amanhã. | Embalagens que façam barulho quando não quero chamar a atenção. | Religião. | Quem acredita em tudo o que a mídia diz e não aceita correções. | &lt;i&gt;Cults&lt;/i&gt; que só leram a &lt;i&gt;wikipédia.&lt;/i&gt; | Multidões. | Falta de educação. | Discussões polêmicas: aborto, política, pena de morte, meio ambiente, união homoafetiva, melhor time, melhor marca de &lt;i&gt;catchup.&lt;/i&gt; | Flamengo. | Torcedores do Flamengo. | As doutrinas majoritária e minoritária no âmbito jurídico. | Trotes em universidades. | O clima instável da minha cidade. | Que levem tudo a sério. | Números ímpares. | Carro estacionado na calçada, me fazendo andar no meio da rua movimentada. | Que digam: &lt;i&gt;na minha época não era assim&lt;/i&gt;. | &lt;i&gt;Neymar.&lt;/i&gt; | Pessoas com carência afetiva. | Cu doce. | Joguinhos para conquistar alguém. | O fato de estar na moda ser&lt;i&gt; nerd &lt;/i&gt;e todo mundo achar que é, principalmente se rolar uma blusa xadrez e um par de óculos com aro colorido. | Guetos propositais. | Encontrar pedaços de osso do frango em qualquer coisa recheada de frango. | &lt;i&gt;Times New Roman.&lt;/i&gt; | Que não justifiquem o texto ao formatá-lo. | Letra branca em fundo preto. | Os que acreditam piamente em astrologia. | Que me chamem de &lt;i&gt;querida, amiga, flor, meu bem.&lt;/i&gt; | Aeroportos. | Maconheiros &lt;i&gt;pseudohippies.&lt;/i&gt; | Jornalistas que acham que podem e sabem falar sobre todos os assuntos. | Pessoas indecisas. | Quem não é nordestino e imita o sotaque nordestino [principalmente no cinema, TV]. | Quem exalta os demais países e menospreza o Brasil. | Indiretas. | Dentistas. | Quem canta errado, em inglês. | Comprar uma coisa e depois passar em frente à loja e ver que o mesmo produto está pela metade do preço. | Esperar. | &lt;i&gt;Luana Piovani&lt;/i&gt;. |&amp;nbsp;Quem fica mordendo o canudo quando acaba a bebida. | Quem acha que ser popular é sinônimo do que não presta. | Quem faz esforço para não ser amado e querido por muita gente para manter a pose de alternativo, inalcançável. | Quem acha que me conhece. | Quem traça minha personalidade com base no que lê, vê e escuta, mas nunca conversou comigo. | Quem acha que me irrito fácil.&lt;i&gt; Magina!&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Logo eu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;_______________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Escrito após ler as irritações de &lt;a href="http://lapisderomova.wordpress.com/irritando/"&gt;Romova&lt;/a&gt; e ver as minhas saltarem daqui, para fazer par.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-9064221119760159375?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/9064221119760159375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=9064221119760159375&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/9064221119760159375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/9064221119760159375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/10/irritando.html' title='Irritando.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3753208788386122505</id><published>2011-10-07T13:29:00.001-03:00</published><updated>2011-10-09T21:23:59.849-03:00</updated><title type='text'>Alinhavando.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Retalhos do que fi(n)ca.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; uma das coisas mais bonitas de minha vida é ter nascido brasileira. Além de brasileira, nordestina. Além de nordestina, baiana. Quero mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; você tem cara de quem vira um copo de uísque sem nem fazer careta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigos e família:&lt;/b&gt; deixa de ser chata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tio S.:&lt;/b&gt; minha sobrinha preferida, e só é sete anos mais nova que eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para Éden:&lt;/b&gt; e mesmo se eu ficar careca e sem dentes, você ainda vai sair comigo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amiga:&lt;/b&gt; você tem cara de ser muito mãe deles. [Dos meus irmãos].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Primo:&lt;/b&gt; olha a cara dela, desprezando todo mundo. Mas eu gosto. É uma das primas que eu mais gosto, mesmo ela me tratando assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; nossa família é a gente. Eu tô morrendo de saudades de vocês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tio S.:&lt;/b&gt; o problema dela é que ela é muito&lt;i&gt; seletora&lt;/i&gt;. [Sobre minha análise dos caras ao redor].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; eu gosto de você mesmo você gostando de &lt;i&gt;Los Hermanos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avô materno:&lt;/b&gt; você ainda vai ser grande, minha filha. Vai ser alguém maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Éden:&lt;/b&gt; para de falar assim. A pessoa mais romântica que eu conheço, desacreditada no amor. Para com isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; quer ver a Jaya xingando? É só dar um aparelho que ela não saiba mexer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tio O.:&lt;/b&gt; eu gosto demais de você. Não esquece disso nunca. [Abraçando e beijando].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Colega:&lt;/b&gt; ela não faz de propósito. É só o jeito dela, com todo mundo. [Me apoiando em defesa ao meu jeito brabeza de ser].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para o amor de ontem:&lt;/b&gt; eu vou pulando de&lt;i&gt; pogobol&lt;/i&gt; até a porta da sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; vem aqui, sua insuportável. Como é que pode ser minha filha?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu e Sofia:&lt;/b&gt; ela me abraçando e me levantando, no dia em que fui embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Pepê:&lt;/b&gt; olha que eu trouxe pra você. [Uma caneta, uma bala ou alguma coisa que ele lembre que eu disse estar precisando/com vontade].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tia R.:&lt;/b&gt; os meninos todos ciumam quando digo que ela é a sobrinha que eu mais amo. Mas o que eu posso fazer, se é mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; já escutei muito &lt;i&gt;Asa de Águia.&lt;/i&gt; &lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; eu te perdoo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tio N.:&lt;/b&gt; você não tem que ligar pra nada disso, não. A gente sabe o que você é. Pra gente, você é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avô materno:&lt;/b&gt; você tá magrinha demais, não pode ficar sem comer. Nina, traz lá aquele biscoitinho pra ela.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Cumpadi Washington&lt;/i&gt; moldou o meu caráter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avó materna:&lt;/b&gt; o que? Você conseguiu? Repete pra mim, não acredito! Deus abençoe, minha filha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para Éden:&lt;/b&gt; eu faço tudo por você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Primo:&lt;/b&gt; tem esses que aparecem às vezes, por obrigação, por necessidade. Você, não. Você é nossa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; vai dar tudo certo, fica tranquila. Você tem a gente, minha filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Eu para Agnes:&lt;/b&gt; eu gosto de gente que sonha. Que vai, mesmo sem pensar, mesmo que seja maluquice. E você vai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tio G.:&lt;/b&gt; a gente pirraça, grita, xinga, mas a gente ama muito. A gente ama vocês demais, me dá um abraço e vem ouvir essa música aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; vai querer comer o que quando chegar? Vou fazer aquele doce que você gosta também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avó materna:&lt;/b&gt; bordei isso aqui com seu nome, olha. Vou terminar pra você levar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; você sempre foi assim, desde miudinha. Quando dizia que acabou, não voltava atrás. E não volta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Manu:&lt;/b&gt; conversei com ele sobre amizade e nos demos por satisfeitos. É como se, nesse campo, já tivéssemos encontrado nossas almas gêmeas. Ele encontrou M. Eu, você. Não precisa mais ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; Rebeca ainda fica muito emocionada, não consegue falar com você. Quando escuta sua voz, quer abraçar o telefone.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avô paterno:&lt;/b&gt; vixe, mas tá pisando bonito. Sapato novo? [Toda vez que uso salto].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Primo:&lt;/b&gt; você é uma desnaturada, toma vergonha! Não tem mais família não? Trata de vir aqui visitar a gente e deixar de ser ingrata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avô paterno:&lt;/b&gt; olha aqui essa foto de você quando era pequena, vem ver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Glau:&lt;/b&gt; eu sinto sua falta como se tivéssemos passado mil anos juntas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avô materno:&lt;/b&gt; a mais bonita de todas nessa foto aí é Jajaya.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para o mundo:&lt;/b&gt; foda-se, sabe?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avó paterna:&lt;/b&gt; você é a minha. [Quando eu falei sobre todos serem os prediletos de alguém].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; você é a amiga que eu tenho aqui. É a minha melhor amiga.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avó paterna: &lt;/b&gt;vou pra missa. Rezar por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Manu:&lt;/b&gt; você passa tão &lt;i&gt;zen&lt;/i&gt; por essas situações. Eu não aguentaria. Às vezes acho que você é o próprio Buda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; você é uma das pessoas mais inteligentes, ternas e sensatas que eu já conheci.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avó materna:&lt;/b&gt; você tem que parar com isso, tem que ser simpática com as pessoas, deixar de ser bicho do mato. [Sobre minhas eternas fugas para não fazer o social com parte da família que não me interessa].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para minhas avós:&lt;/b&gt; eu não sou obrigada, não sou política, não preciso ser falsa com quem eu não gosto e não tenho que conviver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amiga:&lt;/b&gt; vou sentir sua falta. Falta dos seus dramas, das suas oscilações de humor, da sua risada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Éden:&lt;/b&gt; é que eu te amo, sua besta. [Recado deixado no meu mural, na parede do quarto].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Manu:&lt;/b&gt; não fui me despedir porque não tive coragem. Na verdade eu tinha a esperança de que você não fosse ter coragem de ir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amiga:&lt;/b&gt; você não pode desistir dos seus sonhos. Nunca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amiga:&lt;/b&gt; hoje fui fazer uma prova e a pessoa que sentou na minha frente usava o seu perfume. Lembrei de você, na hora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amiga:&lt;/b&gt; você nem precisa dizer nada. Não consegue disfarçar. Suas emoções ficam muito estampadas na sua cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tio E.:&lt;/b&gt; eu gosto muito quando você vem ficar aqui com a gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tia L.:&lt;/b&gt; Jaya morou lá em casa uma época, quando era pequena, e aí ela e Mônica viraram irmãs. Mas são irmãs mesmo, um amor doido. Malu chama ela de tia. [Me abraçando e contando nossa história para alguém].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Môni:&lt;/b&gt; Malu acordou essa noite chamando você. Acho que consegui passar pra ela todo esse nosso amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Môni: &lt;/b&gt;essa aqui é minha amiga, minha prima, minha irmã de coração. [Quando me apresenta a qualquer pessoa].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Malu:&lt;/b&gt; eu vou com você, tia Jaya.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Môni:&lt;/b&gt; eu não sei exatamente o que seria da minha vida sem você. Eu te amo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Pai:&lt;/b&gt; você não precisa fazer isso, se não quiser. Só tem que ficar tranquila, tenta dormir. [Durante minha crise de ansiedade e choro, três horas da manhã].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;I love you to the bones.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amiga:&lt;/b&gt; eu queria ser sincera no que sinto em relação a todo mundo, assim como você é.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Agnes:&lt;/b&gt; vamos. [Em resposta a qualquer convite que eu faça. Sonho ou realidade].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Lua:&lt;/b&gt; a Jaya seria um especial de fim de ano, mas dirigido pelo &lt;i&gt;Selton Melo.&lt;/i&gt; Fotografia boa, umas ideias simples, e uma melancolia só pra dar o tom. [Sobre transformar as vidas em coisas televisivas].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Professores:&lt;/b&gt; você escreve bem, mas sua letra é muito pequena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para o amor de ontem:&lt;/b&gt; vou dizer que te amo só pra ver como fica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Colega:&lt;/b&gt; ave Maria, você é tão linda. Eu sou assim, quando vejo alguma coisa bonita tenho que falar, não consigo ficar quieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; não escrevo na linha, não consigo. Mas também nunca pisei no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Cora:&lt;/b&gt; a Jaya vai? Então o filme vai ser ruim. Todo filme que a gente assiste com ela é ruim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Éden:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;sem você sou pá furada.&lt;/i&gt; [Cantando ao meu lado e de mãos dadas comigo durante a execução da música no show de &lt;i&gt;Los Hermanos,&lt;/i&gt; em 2010].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Vinícius:&lt;/b&gt; a todos que de algum modo tornaram este livro possível. Especialmente, Eliana e Jaya, pelos incentivos. (...) [Na dedicatória do seu primeiro livro].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Padrasto:&lt;/b&gt; Jaya, escreve um livro, Jaya.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; ele chegou aqui em casa encantado com sua poesia, dizendo como tudo era lindo, falando dos textos. E eu disse pra ele: &lt;i&gt;ela sempre escreveu bem.&lt;/i&gt; Eu sempre soube. Não para de escrever não, viu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para Manu:&lt;/b&gt; eu nunca vou falar nada pra ele, não quero arriscar o que existe. Eu estou feliz só por estar sentindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amiga:&lt;/b&gt; você não acredita em você? Eu acredito em você. Olha aqui pra mim: você tá preparada, oxe. Vai chegar lá e vai arrebentar. Depois você vai me contar e a gente vai dar uma festa e gritar nesse espaço inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mara:&lt;/b&gt; mas é pirracenta, olha a cara dela. Nunca vi atentar tanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; não tenho mais cabeça pra isso, cansei, vou parar, essa é a última vez. [E depois levantar no dia seguinte, recomeçando].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Tia J.:&lt;/b&gt; parece que foi ontem que você era aquela menina que cantava e dançava as músicas de &lt;i&gt;Xuxa &lt;/i&gt;no meio da sala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amorzinho adolescente:&lt;/b&gt; você nunca diz &lt;i&gt;eu te amo.&lt;/i&gt; Eu sempre falo antes, você só diz: eu também. [Sem saber que isso nunca havia sido dito, a ninguém, em voz alta].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Cora:&lt;/b&gt; você parece a &lt;i&gt;Salma Hayek&lt;/i&gt; no filme &lt;i&gt;Frida&lt;/i&gt;, mas sem a monosobrancelha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; nada disso me importa tanto assim, eu só quero poder viajar sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Felipe:&lt;/b&gt; você é foda. Se eu fosse mulher, ia querer ser você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Clarinha:&lt;/b&gt; certas pessoas, as da espécie dela, nasceram com um potezinho especial de luz e, sem saber, eles se iluminam e nos iluminam de uma forma mágica, fraterna. [Numa das linhas mais bonitas que já me (d)escreveram].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Kalyua:&lt;/b&gt; só na casa da Jaya pra ter um almoço de jovens ao som de &lt;i&gt;Chico Buarque, Vinicius, Toquinho e Tom Jobim.&lt;/i&gt; [Durante um almoço baiano sem axé, há alguns anos].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Avó paterna: &lt;/b&gt;ave Maria, essa menina não gosta de nada, como que engorda assim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mariceli:&lt;/b&gt; hoje é seu aniversário? Lembrei que você me disse que nasceu no dia de &lt;i&gt;São José.&lt;/i&gt; Olha, parabéns! Você pra mim já é uma pessoa especial e eu nem sei explicar o porquê. Gosto muito de você. [19 de março de 2010, numa ligação inesperada que me fez chorar].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Eu para Cacá:&lt;/b&gt; se tu lavar a louça depois do almoço, te dou dez reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cacá:&lt;/b&gt; cadê meu dinheiro? Vou falar pra mamãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mundo:&lt;/b&gt; seu nome é lindo/exótico/estranho/bonito/éapelido/oquesignifica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Amiga: &lt;/b&gt;é tão bom te encontrar e poder te dar um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mãe:&lt;/b&gt; tá sem fome? Só pode estar apaixonada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; é Jaya. J-A-Y-A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Renato: &lt;/b&gt;vem cá, deixa eu te apertar pra ver se você existe mesmo. [Ao me conhecer, em BH].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para tia J.:&lt;/b&gt; ele nunca disse que me ama, mas eu sei que ama.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Madrasta:&lt;/b&gt; pega aqui esse copo. Quando a gente chegar mais perto, você tenta colocar aqui dentro. [Numa viagem onde eu, criança, queria pegar um pouco de nuvem enquanto o carro ia subindo a serra].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; não vai embora, não. Fica aqui com a gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu para a amiga:&lt;/b&gt; ele é tão lindo que se vier falar comigo eu vou cair da esteira. Melhor ele me ligar, assim não tem acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pai:&lt;/b&gt; quando ela era pequena, foi escrever o nome dela e escreveu &lt;i&gt;Jaya Magaya&lt;/i&gt;. [Pirraçando, quando eu era menor].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Amandinha:&lt;/b&gt; eu lembro que quando eu era pequena eu dizia que quando crescesse queria ser que nem tu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Colega:&lt;/b&gt; ei, nem olha pra ela. Não fala com ela não. Ela é minha amiga, conheci primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Paquerinha:&lt;/b&gt; já disse que você é linda? &lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; não, diz aí.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Amigo:&lt;/b&gt; com ela você vai, comigo não. Nunca me convidou. [E eu morrendo de amores por ele].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Senhora da lanchonete:&lt;/b&gt; ela sempre vem aqui, gosto dela, principalmente quando abre esse sorrisão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu:&lt;/b&gt; não sou feliz, não. Mas às vezes eu fico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando a costura termina, tenho um manto de lembranças. Brilham todas. Me cubro e vou. Sempre fui/foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;____________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Descaradamente imitado e inspirado no texto &lt;a href="http://sguenis.blogspot.com/2011/09/momentos.html"&gt;Momentos&lt;/a&gt;, de &lt;b&gt;Cristal&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3753208788386122505?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3753208788386122505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3753208788386122505&amp;isPopup=true' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3753208788386122505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3753208788386122505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/10/alinhavando.html' title='Alinhavando.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5079794633344366518</id><published>2011-09-30T17:18:00.001-03:00</published><updated>2011-09-30T17:27:44.396-03:00</updated><title type='text'>(Re)inventar.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Inventou amor&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Dentro dela&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Não conseguiu tirar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;O mundo ficou pequeno.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;[João Paulo Cuenca]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aproximou-se aquele dia, depois de tantos dias, para me devolver o livro que esqueci em seu quarto. Não notou que meus cabelos balançavam uma crise existencial no meio de todo aquele gesto, de todo aquele sorriso largo, de toda essa coisa confortável que sua presença me trazia. Nunca foi muito bom em notar, na verdade. Bebeu do meu suco: senti o hálito de estrelas adormecidas no céu da sua boca. Trocamos algumas palavras enquanto meus dedos brincavam com a borda do copo e ele comentava alguma coisa sobre o último parágrafo de algum capítulo. Acendeu um cigarro, fez um samba batucando na caixinha de fósforos e eu pensando em como seria bom deixá-lo tomar conta de tudo o que guardo. Ele ficava ali, muito parado, muito bonito, me olhando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daquele instante, não teve convite nenhum. Não ousou me olhar com outros olhos, com olho algum. Apenas pegava minha mão, fazia um carinho, dava um cheirinho, me convidava para mais uma noite de música. Era importante porque deixei que se tornasse. Deixei que me apanhasse em casa todas as noites que quis. Nunca precisou perguntar nada, eu não dizia nada. No final, me abraçava, pontuando tudo. Era só o que eu precisava. Depois do abraço, ninguém notava, mas sempre voltávamos trocados: um levando o coração do outro. Eu já pensava muito nele. Ele, que me tocava, me sorria, me desmantelava. E eu ia amando, serena, disfarçada, com medo de gritar. Ele gesticulando enquanto dirigia e eu falando de tempos antigos, sobre a vida ser uma invenção fantástica, sobre as saudades das praias, minha vontade de ir embora, meu descaso com os sentimentos. Arrumava desculpas para colar sua pele na minha só para ver o que despencaria de tamanha fusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não espalhamos nossos amores no chão do quarto, mas deitávamos juntos na cama estreita para assistirmos ao mesmo filme pela enésima vez. Ele guardava meu sono. Jamais soube das minhas pieguices. Não me viu chorar no teatro no meio daquela história de amor e caras pintadas. Me ouviu dizer que todas as histórias são de amor e ficava feliz quando eu estava feliz. Me fotografou, provou do meu doce, espalhou seu perfume em minha casa, misturou seu cheiro nas minhas blusas preferidas. Jamais soube das minhas neuroses. Implicava com meu sotaque, me ouvia falar da Bahia.&amp;nbsp;Jamais soube da minha vontade de beijar as pontinhas dos seus dedos. Não sabe que quarta-feira é dia de &lt;i&gt;Iansã &lt;/i&gt;e meu dia preferido. Jamais soube que alguns meses depois, três horas da tarde, quando cantarolei o trecho daquela bossa que ele assobiava, eu já estava completamente perdida. Me sentia bonita, toda luzindo e meio azul, porque eu sentia. Até a última gotinha, eu sentia. E pintava tantas vontades naquela tela, com tanta pressa, que os sentimentos se borravam todos e ficava só aquela mancha vermelha de coisa feita para arder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Veio então esse instinto de convidá-lo para fugir. Mas preferi ficar ali, enquanto ele me falava de constelações, astrofísica, sopa, a cor dos olhos de &lt;i&gt;Chico,&lt;/i&gt; futuro, cinema. Eu, atenta, morando naqueles olhos escuros, pensava num abajur barato. Pensava em como francês é lindo. Quis rabiscar as paredes da sala, pregar o botão que caiu da sua roupa, que ele me acompanhasse, que me perguntasse aquele monte de coisas doidas que não pergunta a mais ninguém, que me deixasse aninhá-lo em meus braços. Pensava em gastar aquela grana comprando uma vitrola antiga, discos. Imaginava que tudo o que precisávamos era um tapete enorme, algumas almofadas e uma parede de fotografias. Pensava em colocar uma bandeira com nossos nomes na lua. No fim, só acabava puxando-o pelo sorriso até a próxima esquina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi meio aquela história de avencas e samambaias e crescimentos insuspeitados. E eu inventando histórias aleatórias e muito intensas enquanto ele ia tomando conta de mim e eu pensava nas cartas que escrevi para o meu primeiro namorado, sem saber de nada da vida. Não sei de nada da vida. Sentava na escada com meu caderno, desenhava estrelas de caneta &lt;i&gt;bic &lt;/i&gt;e pensava em como o cheiro do pescoço dele me pervertia. Pensava em passar as horas ali, ouvindo &lt;i&gt;Novos Baianos&lt;/i&gt; e completamente viciada em falar de amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro muito da noite em que segurei um cálice de vinho, olhei em seus olhos e adiantei as saudades só para que elas acabassem se confundindo, na esperança de que depois não soubessem por onde caminhar. Me embriagava e repetia: &lt;i&gt;está tudo bem, coração. Tudobemtudobem.&lt;/i&gt; E vinha essa vontade de chorar, fugir para alguma cidade no interior de Minas, publicar um livro só para contar que tinha achado um amor e ainda sentia. Repetiria em uma folha inteira: ainda sinto. &lt;i&gt;Ad infinitum.&lt;/i&gt; E provaria que nada mais é tão importante assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No momento em que minha língua adormeceu de tanta poesia, meus gestos lhe explicaram que existem pessoas que ainda acreditam, sentem, deitam na grama, enlouquecem, caminham sem rumo, abraçam, se importam. Existe o sempreamar. E enquanto for assim, vale a pena estar vivo. A vida. Essa vida, em todas as cores-dores-energias-sinceras. A punição não é outra senão carregar esse coração cada vez mais arregaçado de tanto. De tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coisa mais frágil, entregue, irresponsável, amara. O amor. Dura o tempo de um para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E começa outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;______________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Junho de 2011, republicado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5079794633344366518?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5079794633344366518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5079794633344366518&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5079794633344366518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5079794633344366518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/09/reinventar.html' title='(Re)inventar.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-6409247248607984889</id><published>2011-09-18T13:30:00.004-03:00</published><updated>2011-10-01T16:52:39.165-03:00</updated><title type='text'>O amor mais bonito da cidade.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Os plágios mais irritantes da internet.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Plágio: crime. Previsão: Código Penal e Lei de Direitos Autorais. Quer saber número e artigo, joga no &lt;i&gt;google &lt;/i&gt;ou leia&amp;nbsp;&lt;a href="http://blosque.com/plgio-e-direitos-de-autor-nos-blogs/"&gt;aqui&lt;/a&gt;, não quero me repetir. Esse já é o quarto texto que escrevo sobre esse tema infeliz [os anteriores foram deletados]. Andava com preguicinha. Andava espiando meus plagiadores preferidos, dei uns gritos, sumiram. Daí vieram outros, mas em blogs sem pernas, sem sentido, sem acesso: pra que me estressar, não? É um precinho por se publicar na internet. Dei um tempo, deixei de lado, voltei hoje. Parasitas existem em todos os cantos, mas não sei o motivo de tanta preferência pelo &lt;i&gt;Líricas.&lt;/i&gt; Preciso me benzer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos dizem: escrevi, voou, é de quem lê. Tá, sempre achei assim. Eu só quero os créditos, só isso. Não tenho ciúmes. Repito: se não quisesse vê-los espalhados, jamais publicaria na internet. Escrevo porque existe amor. Escrevo para receber amor, para doá-lo. Talvez ninguém tenha uma noção tão profunda do quanto o&lt;i&gt; Líricas&lt;/i&gt;. já me acrescentou na vida. Um amor para amar, umas amizades de vidas inteiras, uns carinhos necessários. Uma reciprocidade que faz tudo parecer a coisa mais certa do mundo. Eu não quero um livro, não tenho pretensão de ser escritora: eu prefiro isso aqui. Essa não-responsabilidade, esse sentimento solto, essa coisa nossa, esse contato. Gosto de reservas. Não divulgo o blog em nenhum outro espaço. Pessoas que me conhecem a vida inteira nem sabem que isso aqui existe. Já até apanhei quando descobriram. [Oi, Mariceli!]. Então, tenham noção do quanto esses textos aqui são minha alma. São bobos, são restritos, são insignificantes, são despretensiosos, mas são meus. Têm uma mãe. Nasceram daqui, preencheram a página em branco de uma maneira incrivelmente pessoal. Não são anônimos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando descubro plágios, vou aos locais, salvo, dou &lt;i&gt;print,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;comento [se permitem comentários e não tiver má-fé explícita], peço a autoria e as pessoas atendem, às vezes. Mas sempre tem uma galera, como a que falarei abaixo, que não está dando a mínima. Geralmente essas pessoas carregam um blog inteiro plagiado. Pessoas &lt;i&gt;amáveis, purinhas, &lt;b&gt;sem&lt;/b&gt; malícia&lt;/i&gt;. Que delícia existir gente assim no mundo, não? Fico logo morrendinho de amores. Hoje, vim dar uma dica: estou aguardando que coloquem os créditos nos meus textos. Que deletem, tanto faz. Não fazendo, vai todo mundo parar &lt;a href="http://www.google.com/support/bin/request.py?contact_type=lr_dmca&amp;amp;product=blogger/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Nas mãos do &lt;i&gt;blogger&lt;/i&gt; e demais legislações acerca. Além disso, tem uma licença lá embaixo, depois do texto, tá vendo? Espia ali. A licença exige: nome, link, mimimi, nhem nhem nhem. Ai, que preguicinha de ter que ensinar isso a vocês. Até porque, vários utilizam essa porrinha em seus espaços. Já sabem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após os primeiros plágios no &lt;i&gt;Líricas.&lt;/i&gt;, os textos ganharam registro e passaram a ser protegidos, bem como a gerar uma lista com os direitos autorais, data, horário e demais coisinhas automáticas sobre a postagem. Várias regras. Tudo arquivado. Caso alguma dessas pessoas honradas queiram contestar, colo as provas na testa de cada um. Ontem descobri uma nova ferramenta que me deixou boquiaberta. Até então, a melhor das que já utilizei. Essa noite insone fiquei fuçando. Me senti mal. Só deu tempo de checar os textos de 2011 e: decepção define. Gente, qual o sentido de fazer isso? É tão perceptível que aquilo não é seu, sabe? Você se sente bem se enganando dessa maneira? Se sente feliz recebendo elogios por uma ideia que nunca foi sua? E no meu caso, quando o texto é meu, você pode pintar como quiser, eu reconhecerei. Reconheço. Reconheci. Como eu consigo? Fácil: EU quem criei. Saiu de DENTRO. Só não identifica quem não é responsável pelo parto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma pena que seja assim. Apesar de, quero agradecer aos que aceitaram os comentários e alteraram a autoria. Aos que me procuraram via e-mail e resolveram tudo de maneira clara e sincera. Agradeço até mesmo aos que se envergonharam e deletaram o blog [os dessa espécie, sempre voltam com novo blog fazendo a mesma coisa, como já aconteceu].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os amigos blogueiros que sofrem do mesmo mal, uma listinha de ferramentas úteis:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://copyscape.com/"&gt;Copyscape&lt;/a&gt;: útil, mas fornece pouca oportunidade de pesquisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://plagiarisma.net/"&gt;Plagiarism&lt;/a&gt;: a ferramenta mágica que me mostra até os textos que você copia em sua casa, no seu caderno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://quemmeama.tk/"&gt;Quem me ama&lt;/a&gt;: mais fraco de todos, mas melhor que nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="https://fairshare.attributor.com/fairshare/"&gt;FairShare&lt;/a&gt;: coisa mais linda, indicada por &lt;a href="http://expressopradois.blogspot.com/"&gt;Carol&lt;/a&gt;. Semanalmente, gera um &lt;i&gt;feed&lt;/i&gt; com as porcentagens de cópias que seus textos sofreram, por palavras e tudo mais. A parte mais bonita? Te mostra, no conforto do seu lar, os &lt;i&gt;links&lt;/i&gt; dos sites que fizeram as tais cópias. Não é lindo? Um beijo para quem inventou isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abaixo,&amp;nbsp;os nomes dos textos aqui publicados e&amp;nbsp;os &lt;i&gt;links&lt;/i&gt; para as cópias que a&amp;nbsp;&lt;i&gt;mossada&lt;/i&gt;&amp;nbsp;jovem fez,&amp;nbsp;ao lado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Kihodara Nascimento: &lt;a href="http://twitter.com/#%21/kihodara"&gt;@kihodara&lt;/a&gt;. &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;[Deletou o &lt;i&gt;twitter&lt;/i&gt; e as postagens no &lt;i&gt;Facebook&lt;/i&gt; após essa publicação e manifestações de amigos lindos: aqui e também no&lt;i&gt; twitter&lt;/i&gt;].&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma &lt;a href="https://plus.google.com/109845796212828353092/posts"&gt;moça&lt;/a&gt;&amp;nbsp;que &lt;i&gt;twitta&lt;/i&gt; uma e outra coisa (?)&amp;nbsp; daqui como sendo &lt;i&gt;tweets&lt;/i&gt; dela. [Inclusive, &lt;a href="http://nacaixapreta.blogspot.com/"&gt;Lu&lt;/a&gt;, no meio do caminho tinha a cópia de um comentário seu, feito no meu texto &lt;i&gt;O problema... .&lt;/i&gt; Que fofo, né?]. Enviei vários recados, tentei contato, esperei dias, não obtive retorno. O que fazer? Divulgar. Certeza que aqui ela vai acabar lendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Condicional:&lt;/span&gt; &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/104393474014580736"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/104393474014580736&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Condicional:&lt;/span&gt; &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/96312921163956224"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/96312921163956224&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Leve:&lt;/span&gt; &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/96335361319510017"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/96335361319510017&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Declaração:&lt;/span&gt; &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/94970363603206144"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/94970363603206144&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O assassinato da flor:&lt;/span&gt; &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/94958080340664320"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/94958080340664320&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vinte e três: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/94216860962263040"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/94216860962263040&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor, Maria?: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/93469931869454336"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/93469931869454336&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Condicional: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/92045348125675520"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/92045348125675520&lt;/a&gt; [com aspinhas: clap clap].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uniforme: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/90644583414890497"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/90644583414890497&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É de mágica: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/90604272005296128"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/90604272005296128&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Problema: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/89578502248075264"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/89578502248075264&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comentário de &lt;a href="http://nacaixapreta.blogspot.com/"&gt;Lu&lt;/a&gt;:&amp;nbsp;&lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/89037471878356992"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/89037471878356992&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor é fodido: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/86895121651609601"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/86895121651609601&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;101 coisas sobre mim: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/86526867066204160"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/86526867066204160&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;101 coisas sobre mim: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/86282243525451776"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/86282243525451776&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;101 coisas sobre mim: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/86525160152240128"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/86525160152240128&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;101 coisas sobre mim: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/82547388853661696"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/82547388853661696&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poetice: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/70920536313696257"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/70920536313696257&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marias: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/69128564515143680"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/69128564515143680&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vê se tá bom de açúcar: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/67933446474956800"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/67933446474956800&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vê se tá bom de açúcar: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/52356334380781568"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/52356334380781568&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vê se tá bom de açúcar: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/48147369547661312"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/48147369547661312&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vê se ta bom de açúcar: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/68648572551299072"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/68648572551299072&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vê se ta bom de açúcar: &lt;a href="https://twitter.com/#%21/kihodara/status/68648556386451456"&gt;https://twitter.com/#!/kihodara/status/68648556386451456&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, no &lt;i&gt;Facebook&lt;/i&gt; &lt;a href="http://pt-br.facebook.com/people/Kihodara-Nascimento/100002099470558"&gt;dela&lt;/a&gt;&lt;i&gt;,&lt;/i&gt; terão acesso à cópia feita da postagem “Para uma menina com uma Flor”, onde comentei sobre o bom de ter Vinicius de Moraes na minha vida e ela copiou esse simples comentário:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=167568619989786&amp;amp;set=p.167568619989786&amp;amp;type=1&amp;amp;theater"&gt;https://www.facebook.com/photo.php?fbid=167568619989786&amp;amp;set=p.167568619989786&amp;amp;type=1&amp;amp;theater&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, ela copiou um texto que fiz para minha primairmã. O texto leva o título "Môni". Quero muito que Kihodara, que julga ser tão sensível e parece posar como tal, deixe de ser tão [insira aqui uma palavra que defina isso, eu já nem sei]. Após esse gesto, é bem claro que ela talvez seja a pessoa mais insensível da cidade. Por não ter a capacidade de entregar seu próprio amor, e furtar o meu, em letras. E, principalmente, por tudo que leva daqui e pinta como sendo dela. Esse é um dos piores plágios que o &lt;i&gt;Líricas.&lt;/i&gt; já sofreu. Quando pegam textos pessoais demais, para os meus, eu chego a chorar. E xingaria absurdos nesse momento, mas não o farei. [Mentalmente já esgotei o dicionário de palavrões, óbvio]. Ela não merece nem isso. Não merece nem nada. [Merece que eu junte num só processo danos morais e plágio. Repetindo: mesmo que delete, tem &lt;i&gt;print&lt;/i&gt; de tudo]. Olha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=171137159632932&amp;amp;set=p.171137159632932&amp;amp;type=1&amp;amp;theater"&gt;http://www.facebook.com/photo.php?fbid=171137159632932&amp;amp;set=p.171137159632932&amp;amp;type=1&amp;amp;theater&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #444444; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px;"&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=171137159632932&amp;amp;set=p.171137159632932&amp;amp;type=1&amp;amp;theater" style="color: #222222;" target="_blank"&gt;&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colega, na boa: Freud explica. Ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. Esse tumblreca, praticamente meu. Vi textos da &lt;a href="http://canseideinventar.blogspot.com/"&gt;Srta. Midlej&lt;/a&gt; por lá, também. &lt;span style="color: blue; font-size: x-small;"&gt;[Deletado após essa publicação. Não sei se pelo próprio "autor" ou se após minha denúncia diretamente ao tumblr].&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É de mágica: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2471464928/abri-meu-recanto-de-carinhos-e-reli-tantas-cartas#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2471464928/abri-meu-recanto-de-carinhos-e-reli-tantas-cartas#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Glau: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2471926339/fecho-os-olhos-e-vou-procurando-as-palavras-mais#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2471926339/fecho-os-olhos-e-vou-procurando-as-palavras-mais#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uniforme: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2473704363/as-vezes-e-sem-querer-voce-chega-quando-alguem-ja#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2473704363/as-vezes-e-sem-querer-voce-chega-quando-alguem-ja#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Interfone: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2499163264/nao-vou-nao-vou-porque-talvez-eu-acabe-deixando#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2499163264/nao-vou-nao-vou-porque-talvez-eu-acabe-deixando#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vinte e três: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2501158603/continuo-a-mesma-continuo-no-mesmo-endereco-de-um#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2501158603/continuo-a-mesma-continuo-no-mesmo-endereco-de-um#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até mais tarde: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2505322494/eu-poderia-ser-sua-hoje-seu-moco-nem-precisa#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2505322494/eu-poderia-ser-sua-hoje-seu-moco-nem-precisa#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poetice: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2505570764/nao-e-que-hoje-eu-entenda-alguma-coisa-nao-e#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2505570764/nao-e-que-hoje-eu-entenda-alguma-coisa-nao-e#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Re)vestir-se: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2543412184/eu-conto-como-e-bonita-a-maneira-como-o-vidro-da#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2543412184/eu-conto-como-e-bonita-a-maneira-como-o-vidro-da#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Problema: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2570421496/e-o-excesso-e-um-espanto-um-susto-porque-pra#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2570421496/e-o-excesso-e-um-espanto-um-susto-porque-pra#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(In)ternamente: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2570731831/com-cheiro-de-jasmim-absorta-para-o-meu-lado-de#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2570731831/com-cheiro-de-jasmim-absorta-para-o-meu-lado-de#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qualquer coisa que pulsa: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2573621832/eu-tenho-uma-coisa-muito-minha-de-olhar-o-ceu-e#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2573621832/eu-tenho-uma-coisa-muito-minha-de-olhar-o-ceu-e#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ditado: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/3014392421/que-tem-espaco-pra-ele-na-minha-vida-muito#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/3014392421/que-tem-espaco-pra-ele-na-minha-vida-muito#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ideia: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/3302025439/eu-quero-me-aninhar-no-seu-peito-quero-que-voce#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/3302025439/eu-quero-me-aninhar-no-seu-peito-quero-que-voce#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leve: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/9903322120/eu-so-queria-dizer-que-me-importo-com-todo-mundo#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/9903322120/eu-so-queria-dizer-que-me-importo-com-todo-mundo#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marias: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/4716386706/disseram-que-amor-e-mesmo-assim-quando-consegue#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/4716386706/disseram-que-amor-e-mesmo-assim-quando-consegue#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cinema Mudo: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2866785735/dispenso-o-silencio-e-a-concentracao-tenho-feito#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2866785735/dispenso-o-silencio-e-a-concentracao-tenho-feito#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sina Nossa [texto de 2009, deletado]: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2584864335/e-eu-que-podia-cantar-tantas-outras-musicas#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2584864335/e-eu-que-podia-cantar-tantas-outras-musicas#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do lado de dentro: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2851371417/eu-queria-nao-pensar-tanto-nao-sonhar-tanto#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2851371417/eu-queria-nao-pensar-tanto-nao-sonhar-tanto#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recolhe todo o sentimento: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/3020542763/a-verdade-e-que-quando-o-pensamento-nao-para-ao#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/3020542763/a-verdade-e-que-quando-o-pensamento-nao-para-ao#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Verbalizando: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2866320047/eu-ja-nem-quero-te-fazer-entender-nao-minha-boca#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2866320047/eu-ja-nem-quero-te-fazer-entender-nao-minha-boca#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um teatro de sonho mágico: &lt;a href="http://random-changes.tumblr.com/post/2902685138/hoje-sentei-na-janela-do-quarto-e-o-beija-flor#notes"&gt;http://random-changes.tumblr.com/post/2902685138/hoje-sentei-na-janela-do-quarto-e-o-beija-flor#notes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenso, amigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;3. Aqui, por uma falha de uma divulgação no &lt;i&gt;Facefuck,&lt;/i&gt; tem um trecho de um dos textos, “Condicional”, divulgado como sendo de Caio Fernando Abreu. É, o queridinho de toda essa &lt;i&gt;mossada&lt;/i&gt; jovem atual. Se você bota uma coisa dramática, doente, sofrida, e dá uma xingada, todo mundo já diz que é de Caio e acha UAU. Haha. A pessoa ainda tentou meter meu nome ali no meio, mas, tarde demais: quando isso caiu no tumblr, virou o caos, mais de 50 reblogagens. Tumblr é uma coisa fodida, aliás. A gente não pode nem comentar. Modinha é uma coisa triste. Parem com essas porras e voltem a escrever em blogs. Escrever, tá? Copiar não. Espia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começou aqui: &lt;a href="http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=10150239699465746&amp;amp;id=297041510745"&gt;http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=10150239699465746&amp;amp;id=297041510745&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se alastrou assim, só para ilustrar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://amoreseflores.tumblr.com/post/6216759106/cfabreu-e-tambem-nao-tenho-para-quem-ligar-no%20"&gt;http://amoreseflores.tumblr.com/post/6216759106/cfabreu-e-tambem-nao-tenho-para-quem-ligar-no &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://garotaapx.tumblr.com/post/5587829034/e-tambem-nao-tenho-para-quem-ligar-no-meio-da%20"&gt;http://garotaapx.tumblr.com/post/5587829034/e-tambem-nao-tenho-para-quem-ligar-no-meio-da &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://mariasiimone.tumblr.com/post/5588785176/demenina-e-tambem-nao-tenho-para-quem-ligar-no"&gt;http://mariasiimone.tumblr.com/post/5588785176/demenina-e-tambem-nao-tenho-para-quem-ligar-no&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. Esse bolinho de gente [deixei alguns de fora porque acredito que modificarão]:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Condicional: &lt;a href="http://meme.yahoo.com/identidadez/p/IzIRGwA/?.pr="&gt;http://meme.yahoo.com/identidadez/p/IzIRGwA/?.pr=&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Condicional:&amp;nbsp;&lt;a href="http://thingstorms.blogspot.com/2011/05/alguma-coisa-gente-tem-que-amar.html"&gt;http://thingstorms.blogspot.com/2011/05/alguma-coisa-gente-tem-que-amar.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Retalhos:&amp;nbsp; &lt;a href="http://www.fotolog.com.br/panaami/65555294"&gt;http://www.fotolog.com.br/panaami/65555294&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É de mágica: &lt;a href="http://meninabem-te-vi.blogspot.com/2011/07/fantasia.html"&gt;http://meninabem-te-vi.blogspot.com/2011/07/fantasia.html&lt;/a&gt; [Mistureba lok]. &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;[Trancou o blog após essa publicação, fechou o perfil, mas o &lt;i&gt;twitter&amp;nbsp;&lt;/i&gt;tá aqui&lt;/span&gt;: &lt;a href="http://twitter.com/#!/meninabemtevi"&gt;Ariana Fernandes&lt;/a&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;].&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marias: &lt;a href="http://portodassaudades.blogspot.com/2011/05/nao-venha-roubar-minha-solidao-se-nao.html"&gt;http://portodassaudades.blogspot.com/2011/05/nao-venha-roubar-minha-solidao-se-nao.html&lt;/a&gt; [De novo, moça?] &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;[Deletou a postagem após essa publicação].&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Memes, tumblr, fotologs: queimaria todos se fossem feitos de papel. Desejo uma pane no sistema e que vocês nunca mais consigam acessar essas merdas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo lindo, não? Eu acho. E outra: não é assim que vocês conseguirão o meu amor. Podem partir para outra estratégia de conquista. Muahaha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só mais uma coisa. AMORES:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Internet é domínio público. A desculpa imbecil de que o que nela se encontra pode ser usado de qualquer maneira é lenda. Continua nessa que eu amo mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. Se o texto foi tirado do MEU blog ele é MEU. Os raros que não o são encontram-se devidamente identificados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. Com essa nova ferramenta eu descubro o mundo. Segurem seus cus na bunda que eu vou gritar sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. O blog tem um programa espião. Sei o IP de todos os que acessam, sei qual navegador utilizam, a conexão, o local (cidade, estado e país) e o tempo que permanecem no blog. Sei o que vocês fizeram no verão passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5. &lt;span style="font-size: large;"&gt;Véi, na boa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;6. Engraçado que quando o texto é de gente famosa, de clássicozinhos blogueiros como Caio F. [&lt;i&gt;luv ya&lt;/i&gt;, Caio], a galera faz questão de botar a autoria. O que há de errado em identificar autores meio-anônimos, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Reli o texto hoje, 23 de setembro, e estava sem o 7. Aí vim aqui colocar. Haha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;8. Espero que os meus amores, que sei que continuam a frequentar o &lt;i&gt;Líricas.,&lt;/i&gt; façam o que pedi. Não foram vocês quem escreveram nada daquilo, então, né. Por gentileza. [Só Deus sabe o quanto estou me esforçando para ser uma lady, completamente phyna e não descer do salto nesse momento].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;9. Puriçoo ki o Braziu n cmnha, mano. Coleh a di vosses? [Variando a escrita, porque vai ver copia porque não sabe escrever, daí].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;10. Dica de filme: O Homem que Copiava. [Brinks].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;11. Aprendam que: os autores dos trechinhos, versinhos, coisinhas que coloco no início de cada texto, escrevem APENAS aquilo ali. Parem de publicar meus textos creditando como sendo de Rodrigo Amarante e etc. Aprendam a ler. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;12. Não tem 12. É só pra não fechar a lista com número ímpar, tenho TOC.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FECHEM A INTERNET!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;__________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Perdão aos que comentam, que se importam. Queria aproveitar para dizer que o &lt;i&gt;Líricas.&lt;/i&gt; tem uma característica incrível e essencial: as palavras de vocês. Me importam mais que todos os textos juntos. Não existe outro blog com pessoas tão fantásticas. Com comentários tão queridos. Esse espaço é mais de vocês do que meu. Eu só volto, porque é uma delícia esperá-los a cada publicação. Sou absurdamente grata a cada uma dessas visitas. Caminhamos juntos. Quando esses textos são expostos nesses lugares acima citados, perdem o significado. Vai incompleto. Falta vocês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Aos amigos de sempre, muito carinho. Aos que chegam agora, venham sempre. A todos: OBRIGADAS. Aberto, grande, extenso, sincero: OBRIGADAS.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-6409247248607984889?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/6409247248607984889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=6409247248607984889&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6409247248607984889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6409247248607984889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/09/o-amor-mais-bonito-da-cidade.html' title='O amor mais bonito da cidade.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-441214535723956890</id><published>2011-09-06T22:21:00.008-03:00</published><updated>2011-11-03T14:32:01.454-02:00</updated><title type='text'>Carn(av)al.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sem olhos, sem boca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sem dimensão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Drummond, em: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Um homem e o seu carnaval&lt;/span&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O batuque, a poesia jogada passando de raspão. As vozes misturadas, sonhos embaralhados, paixões enlaçadas, multicores. Brilhos, um beijo em cada esquina, uma lua morando no mar. Versos loucos escorrendo pelas ladeiras. Cada uma das gentes, em suas belezas, pareciam ser patrimônio local. Desconfia-se que tenham nascido para participar aquilo. Todos os cheiros se enroscam e o feitiço ambiente faz de tudo um grande samba. Até o chão, num tímido movimento espontâneo, levanta suas faíscas de poeira para entrar na dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentimentos doidos varridos encontram labirintos e também se perdem, outros se (re)encontram. Foi assim que ele dobrou aquela esquina. Eu havia acabado de fazer um pedido, e ele dobrou naquela curva, quando a rosa amarela despencou dos meus cabelos. Viu, veio me entregar, entregou-se. Observou meus olhos escuros cansados de guardar estrelas que cintilava euforicamente vários tons tresloucados de amor. Sorrimos, nos abraçamos, cantamos juntos e recitamos, tontos, todo aquele exagero do poeta que falava sobre essa coisa quimérica que era o fato de estarmos ali, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dependurados nos cabelos azuis de fevereiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite fiz questão de estar presente em todas as suas interjeições. A cada vez que ele me tocava, eu usava o gesto como desculpa para me aconchegar. Daí então as horas passaram e declaramos desejos debaixo de muita luz. Não sabíamos ao certo o que fazer com as mãos: acabávamos sempre conexos, pertencentes, doados. Acarinhava sua face atrasando os ponteiros de todos os relógios que nem existiam debaixo daquele céu espantosamente bonito, e meu coração já pulsava na garganta quando me desesperei no meio daquele povo. Daquilo tudo que treluzia. Ele, atrás de mim, observava as fantasias: me disse que todo aquele nosso disfarce era a maior revelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deslizei meus dedos em seus lábios, medindo as possibilidades de doçura morando em sua boca. Provoquei o que também ardia em minha língua, deixei que seu nariz fizesse um carinho manso no meu, e mostrei-lhe como as pálpebras também beijam lembranças bonitas. De lá pra cá, fazendo história em toda aquela rua de pedra, mentimos um para o outro afirmando dominar o amor. O frevo, os confetes ao nosso redor, os rodopios. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estávamos perdidos. Sem olhos, sem boca, sem dimensão.&lt;/span&gt; A poesia já passava apertada, impossível desviar-se. Sentamos na calçada, tomamos emprestado todos os delírios encontrados próximos ao meio-fio. Ele acendeu um cigarro e eu pesquisava seus sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia um sentimento que já morou em mim na época onde eu sorria melhor e mais bonito. Parecia um desencontro, um mapa mal direcionado. Parecia uma notícia bonita. Uma poesia nova. Um beijo dado bem devagarzinho. Parecia a vontade que eu tenho de ser feliz. Parecia carregar um pedaço concentrado do que sou, sem ter a mínima noção de tanto. Parecia ter esbarrado em meu peito. Deixou minha alma balançando, desatada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dançamos. Pulamos sem deixar que as almas voltassem para seus lugares, caímos no chão, trêbados, enquanto eu reclamava dos pisões que levava nos pés. Era nosso passo, nossa ausência de ensaios. Não havia tempo para não viver. Ele entendia minhas mímicas de amor não dito enquanto brincávamos de ser criança e nos apaixonávamos a cada piscar de olhos. Tudo parecia uma citação grifada no meu livro preferido. Virei a página: dois suspiros mais distantes dali, meus cabelos balançaram vontades muito vermelhas. Ouvíamos o som abafado da rua já distante, fogos riscando o céu e os tambores batendo ainda dentro em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dedilhar primário, um reconhecimento: seus anseios em meu vestido, cujas alças deslizaram mostrando os ombros nus que agora carregavam, leves, suas urgências. Me convidou com seus olhos, me tocou com sua respiração. Suas mãos em minhas mãos, seu suor em minha pele, os corpos inteiros bocas. Dedos, línguas, dentes, um pecado tatuado em minha virilha. Um enlevo em comum e dois murmúrios enleados sem nem notar que já havíamos enlouquecido faz tempo, ali, entrelaçados, sôfregos.&amp;nbsp;No primeiro abrir de olhos, entoamos duas dúzias de palavras mágicas e o amanhã já chegava, fazendo sol sob os jornais. Vestiu-se de fumaça, vesti-me com sua blusa. Daquela vez, como se fosse a última, a única. Observamos pela janela e vimos que em passos trôpegos, pisando em toda aquela alegria esparramada, apresentava-se a quarta-feira, já cinza de toda aquela chama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fevereiro passou. De azul que era, encarnou-se. Guardamos poemas nas pedras daquelas ruas de ser feliz, lembrança de um tempo onde havia coisas lindas. É tudo sempre parte de um dos ritos do amor: carnaval e tê-lo. (E)ternamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-441214535723956890?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/441214535723956890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=441214535723956890&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/441214535723956890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/441214535723956890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/09/carnaval.html' title='Carn(av)al.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5215244960821063197</id><published>2011-07-24T21:37:00.014-03:00</published><updated>2011-07-31T14:10:51.877-03:00</updated><title type='text'>Leve.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; "&gt;&lt;span style="font-size: 85%; "&gt;&lt;i&gt;Quantas vezes nós dissemos &lt;/i&gt;eu te amo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pra tentar sobreviver?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aparências&lt;/span&gt; - na voz de Belchior]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Eu só queria dizer que me importo. Com todo mundo. Todo o mundo. Dizer que queria poder cuidar, amansar. Queria que soubessem o tanto de amor que tenho, porque tenho. Porque fui moldada em abraços e palavras precisas. Em gestos suaves, frágeis e tão transparentes, que amarro com pequenos nós, em cada cílio, todos os afetos que me são entregues. Derramam-se em mim a cada piscar. Queria que soubessem que se não existir amor nesse mundo, eu faço outro, tantos mundos quantos forem necessários, com o meu amor. Queria que soubessem que tem que ter brilho. É tudo feito para brilhar, você entende? Que soubessem, por último, que as lembranças, todas elas, me infinitam. Razão de tanto coração. E eu preciso muito ir. Tem esses acúmulos transbordando e quando uma só pessoa não dá conta de segurar, é preciso que se espalhe. O problema, tão inocente e clarinho, é que talvez não tenha problema nenhum, apenas - e tão somente, como se isso fosse pouco e descartável - sensibilidade demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu primeiro carinho, é o sorriso. É também o primeiro carinho que levo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leve.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5215244960821063197?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5215244960821063197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5215244960821063197&amp;isPopup=true' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5215244960821063197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5215244960821063197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/07/amaro.html' title='Leve.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7769467355790917074</id><published>2011-07-22T10:40:00.005-03:00</published><updated>2011-07-22T10:59:07.355-03:00</updated><title type='text'>Autorretrato.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Colômbia, 1966.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu nome, senhor, é Gabriel García Márquez. Sinto muito: também não gosto do nome, porque é uma sequência de lugares-comuns cuja conexão nunca fui capaz de fazer. Nasci em Aracataca, Colômbia, há quarenta anos, e ainda não me arrependi. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Meu signo é Peixes&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; e minha esposa é Mercedes. Essas são as duas coisas mais importantes que aconteceram na minha vida, pois, graças a elas, pelo menos até agora, tenho sido capaz de sobreviver escrevendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sou escritor por causa da timidez. Minha verdadeira vocação é ser mágico, mas fico tão encabulado tentando fazer os truques que tive de me refugiar na solidão da literatura. De qualquer maneira, as duas atividades me conduziram à única coisa que me interessa desde que eu era criança: que meus amigos pudessem me amar mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No meu caso, ser escritor é uma realização excepcional, porque escrevo muito mal. Tenho tido de me submeter a uma disciplina atroz para terminar meia página depois de oito horas de trabalho; luto fisicamente com cada palavra e é quase sempre a palavra que vence, mas sou tão teimoso que consegui publicar quatro livros em vinte anos. O quinto, que escrevo agora, progride mais devagar que os outros, porque, entre meus credores e minhas dores de cabeça, tenho pouco tempo livre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nunca falo sobre literatura, porque não sei de que se trata; além disso, estou convencido de que o mundo seria o mesmo sem ela. Por outro lado, estou convencido de que ele seria bastante diferente sem a polícia. Penso, portanto, que teria sido muito mais útil para a humanidade se, em vez de escritor, eu fosse um terrorista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Gabo&lt;/span&gt;, o mais escritor. Ponto].&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7769467355790917074?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7769467355790917074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7769467355790917074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/07/autorretrato.html' title='Autorretrato.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-8358887976261453959</id><published>2011-05-05T22:48:00.031-03:00</published><updated>2011-07-09T01:38:52.932-03:00</updated><title type='text'>Condicional.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alguma coisa a gente tem que amar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Condicional&lt;/span&gt; - Rodrigo Amarante]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre achei que amor era o mais importante. Essa necessidade de sentir para ganhar sentido. Acho que é aí, nessa hora, que você consegue sacar a vida: quando ama. Aí que tem essa delícia plena de notar-se sempre com treze anos quando descobre-se que aquele alguém também gosta de você. Essa coisa bonita de sorrir e ser sorrido, até que, num piscar, os sorrisos se embaraçam num beijo. É essa possibilidade fantástica de enfiar-se no campo magnético daquela outra pessoa e sentir-se protegido porque estar dentro daquilo é muito bom. E as primeiras investigações. Recitar um diálogo juntos e maldizer aquela poesia que todo mundo gosta e idolatrar aquela música brega e sair dali assustado com o mundo ao notar que ainda existem coisas encantadas. Que dividir um pacote de pipocas no cinema é a melhor desculpa para deixar as mãos se tocarem pela primeira vez. Tenho essa necessidade de ter alguém e sentir que todas as peças desencaixadas de dentro de mim poderiam ser montadas naquele momento, com uma intensidade despreparada ao redor. Daí os outros me dizem das minhas precisões antigas. Das minhas necessidades antigas. Ninguém recorda que quando nasci não teve anjo nenhum me dizendo nada, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drummond&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chico&lt;/span&gt; tiveram. Só me dizem que é foda. Que adoece. Fuço numa lembrança e vejo que sim, já sofri pra caralho, já senti essa dor quase física quando fui deixando um amor partir. E todo mundo já sentiu também porque essa dor é uma dor coletiva. É em torno disso que o mundo gira, por mais que se disfarce. Esse meu amor não foi vivido, mas milimetricamente fantasiado. Coisa ficcional demais que possibilita uma porrada de histórias. Naquela época cheguei a pensar que, cara, o que vai ser de mim se tudo isso minguar? E passou e eu sobrevivi. Agora tem todo esse medo de pirar, porque, honestamente, sinto muito, mas não sinto porra nenhuma. Fico numa angústia, naquelas de estar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;down&lt;/span&gt; e pensar que nunca vou amar ninguém e puta que pariu. Eu comprei essa história. Já briguei. &lt;i&gt;Não consola&lt;/i&gt;, disse o verso. Então eu penso e invento de escrever &lt;span style="font-style: italic;"&gt;uma canção dizendo que estou sozinha, apaixonada. Para lançar no espaço sideral. &lt;/span&gt;Um sentimento no vácuo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Objeto não identificado.&lt;/span&gt; Fico nessa onda de sair de mesa em mesa tentando pescar qualquer migalha de amor nos copos alheios, tentando me interessar por pessoas e coisas óbvias quando isso não tem nada a ver comigo. E não tem nada mais patético, nada mais agressivo a si mesmo do que catar raspas e restos desinteressantíssimos. Porque não. Não tem mais nada, cara? E o sentido maior da vida? Questões e um desespero estonteante porque saio de uma cidade para outra acreditando que agora eu vou entender essas existencialidades malucas que se agarram em minhas entranhas. Mas, olha só aqui pra mim, que tal essa pose? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ideologiaeuqueroumapraviver.&lt;/span&gt; Fico aqui, parada, cada vez mais só, porque é o que acontece quando se acha mais da metade do mundo vazia demais, superficial demais. Ao mesmo tempo em que me invade essa certeza de ter nascido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blues&lt;/span&gt; demais. Mas não se preocupa não, ainda tenho essa paciência para acreditar, para amansar a dor, para sepultar um sentimento e regar o outro que nasce. Eu não atendo o telefone, não consigo. E também não tenho para quem ligar no meio da noite e dizer que tá doendo pra caralho, vem me ver, por favor. Ninguém para atravessar a cidade por mim. Eu preciso chorar com coisas lindas, como quando assisti à peça &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aqueles Dois&lt;/span&gt; e saí dali desnorteada de tanto amor por um dos atores. Preciso de muita energia mágica concentrada, como naquele outubro debaixo do céu de Salvador com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Camelo&lt;/span&gt; berrando que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deus vai dar aval sim e o mal vai ter fim.&lt;/span&gt; E Deus, meu Deus? Porque sou muito centrada, muito doada, muito osoutrosdepoiseu. E nesse mês de abril recebi tantos socos, afoguei tantos sonhos nos meus travesseiros, suei frio de tantas saudades, perdi três quilos. Amor é meu tarja preta, mas tá em falta e eu sou completamente viciada. Sentir sempre foi a minha droga, onde será que encontro uma embriaguez levinha? E ainda tem essa obrigação filha da puta de ficar contente porque se você quer se isolar e sofrer tudo da maneira como tem direito, ninguém deixa. Aparecem os colos necessários, os convites para um porre, mas também tem muito conselho que não serve para nada porque as pessoas ainda não entendem que sempre que alguém está doendo vai achar que não tem dor maior no mundo do que a sua própria. O que, aliás, eu acho muito justo. Ser egoísta na dor é necessidade. Aí fica assim, a realidade toda fodida e eu sem nem sequer saber como me iludir. Só me iludo na hora errada, na hora da paixão, quando começo a ficar cheia de asas e a espalhar excesso no meio das fantasias. A realidade do sentimento é sempre mais fraca, o que salva é a poesia. O que a gente pensa oferece abertura a tendências que se desviam do que de fato é. Dois níveis - emoção e razão. E é tudo tão doído também, tão perverso. Tem essa correria, essa loteria, essa minha pressa em sair de casa quase esquecendo de levar o coração junto. Amar é tão de graça, cara. Eu sei porque já estive lá. Sei que existe. Existe todo esse blábláblá e clichês e mimetismos. Vai ver estou andando pelos lugares errados. Não tenho nada nas mãos, aqui. Lugares geográficos, esse é o problema. Não caibo. E sempre estrago tudo. Porque quando a coisa fica bonita demais eu vou me autossabotando até não existir mais nada. Medo do que me faz bem, de ser bom. Não tenho esse dom de atuar em cima da vida pagando de normal, de ahcomoesseassuntoéinteressante, mecontamaissobrevocê, porque não rola. Não tem espaço. Eu preciso chegar, olhar no olho e dizer, benzinho, estou loucadevocê. As projeções que comprei ao longo do tempo, malditas, diminuem qualquer emoção real. Deixa pra tocar o chão depois, sabe. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sonho não se dá, &lt;/span&gt;diz o Ruivo.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;As medidas do Bonfim, tantas, ainda hoje não me valeram. E a cada uva que conhece minha boca nos finais de ano, é um amor que engulo em pedido. Já andei exausta de tanta ternura. Desmantelada. Hoje, meu amor é um casaco jogado no chão, de braços abertos, esperando quem saiba vesti-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Existe alguém para me libertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-8358887976261453959?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/8358887976261453959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=8358887976261453959&amp;isPopup=true' title='61 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8358887976261453959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8358887976261453959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/05/condicional.html' title='Condicional.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>61</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7340181545728566524</id><published>2011-04-10T22:20:00.008-03:00</published><updated>2011-04-11T01:50:50.319-03:00</updated><title type='text'>Marias.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E amizade dada é amor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[João Guimarães Rosa]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Disseram que amor é mesmo assim: quando consegue deixar caber pessoas em suas letras, aperta tanto que o jeito é ficar de mãos dadas, lá dentro. Fica fazendo pose de sem-fim. De querer fincar e ter asas, ao mesmo tempo. E as demais palavras do vocabulário, todas elas, ficam envergonhadas, disfarçando o medo de perder sentido diante dessa palavrinha que diz um mundo. Que sustenta um sentir inteirinho. Disseram que amor é palavra grande, quase nem cabe. E o que é a amizade, senão amor duas vezes? Amor acostumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia fazer uma canção. Um sambinha manso sobre essas pessoas encantadas que hoje carregam um tiquinho da minha bagagem. Mas minha música eu faço é assim, no papel. Cada um coloca a melodia que entender melhor. Importa é conseguir tocar. E junto a isso, fico pensando também em falar sobre afinidade, que foi quando reconheci o que também era meu, nelas. E na maneira fantástica como um cheirinho de alegria tomou conta do meu sorriso assim que o Cara lá de cima publicou no jornal do céu que quatro estrelinhas seriam penduradas no meu coração, tão ansioso por novos enfeites. Talvez Ele nem saiba, mas hoje, ao tê-las por perto, alugo os brilhinhos de cada uma. O pagamento é gentileza, sortida, a longo prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira delas, quando caiu, carregava ternura pendurada em cada cacho daqueles cabelos compridos. Um exagero de delicadeza e palavras que só me impulsionavam a querê-la bem. Muito bem. Um respeito pelos sonhos em comum que se casaram e passeiam juntos, ainda hoje. As outras duas vieram misturadas, por outro caminho. Uma miudinha, bailarina, feitinha em todos os detalhes para o amor. Daquele tipo de poeminha que, se não tivessem feito, eu trataria de inventar. A outra, leve, levinha, pintada de azul e branco, sorrindo paz e entendendo muito de mim. A mais doce criatura de todas as que levam seu nome. A quarta delas, pousou depois, chegou me desarrumando com aquela alma menina. Levava um jardim no rosto e um abraço nos olhos, abrigo para mim. Presentes. Coisa já traçada. Pessoas inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tive tempo de ir firmando devagarinho cada detalhe. Desembrulhei cada uma com muito cuidado e coloquei no canteiro, para observar crescer. Até que enraizou. De brotinhos pequenos que eram, hoje os frutos são colhidos em qualquer estação. São quatro espécies, quatro tons, quatro afagos. Quatro Marias. Sentimento já convencido, sorrindo um para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje existe essa alegria a cada vez que posso olhá-las, desarmada. Hoje me sinto mais aqui, porque me sinto nelas. Existe aquele orgulho em apontar de longe e dizer: são minhas amigas. Amigas. Extensões de mim. Esses retalhos já tão bem alinhavados, porque dessas coisas bonitas, na vida, a gente costura é com afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, apesar de meio desmantelado, deu seu jeito e fez tudo parecer a hora certa. Porque sobra essa capacidade de ir atrasando o relógio e mergulhar no passado enquanto o futuro é tela. É no presente que eu remonto a ausência de não ter vivido nos primeiros anos de cada uma. Não estávamos lá nas primeiras recordações, não sabemos de onde vieram as primeiras cicatrizes. Mas temos tempo. Temos histórias do nosso tempo. Nossas mesas de bar com tantos sorrisos despencados, bobagens caídas debaixo das mesas. Nossas vozes misturadas, nossos silêncios, cinema, teatro, viagens. Uma super lua no céu, quando no primeiro encontro de todas debaixo do mesmo teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos o &lt;i&gt;Líricas.&lt;/i&gt;, com essa poesia das horas antigas no agora. Essa vontade mútua de sermos um tanto bem maiores. E além do que temos, que venha o que queremos. E que nesses quereres possam caber (re)encontros, pés descalços, gargalhadas, pôr-do-sol, tons de vermelho, bossa nova, um brega depois de algumas doses, dança, letras, suavidade, sonho, festas de realizações, saudades matadinhas, livros, aniversários, manhãs enluaradas, noites amanhecendo, flores, fotografias ridículas, abraços, teatro, clareza, conforto. E mais todas aquelas palavras que eu nunca vou conseguir dizer. Falta nome. Sobra coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi. Vi quando cada uma delas dobrou as asas para sentar ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;_____________________&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agnes, Mariceli, Mai e Quel. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um obrigada tremendo por fazerem essa cidade sorrir.&lt;br /&gt;Por fazerem de mim, uma cidade que sorri,&lt;br /&gt;enquanto compõem morada na rua mais clarinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7340181545728566524?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7340181545728566524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7340181545728566524&amp;isPopup=true' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7340181545728566524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7340181545728566524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/04/marias_10.html' title='Marias.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3007169168045153737</id><published>2011-02-18T14:24:00.013-03:00</published><updated>2011-10-18T00:07:10.948-02:00</updated><title type='text'>Vê se tá bom de açúcar.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;O meu mínimo olhar&lt;br /&gt;me enche de sensação.&lt;br /&gt;E o mais pequeno som,&lt;br /&gt;seja do que for,&lt;br /&gt;parece falar comigo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Fernando Pessoa (&lt;strong&gt;Alberto Caeiro&lt;/strong&gt;)]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Eram várias palavras dentro da minha bolsa, cada uma com duas asinhas, seu Zé. É esse, então, o motivo de não conseguir guardá-las por muito tempo: as histórias acabam voando. Fico observando a capacidade que tudo tem de ser assim, inacreditável. Meus cílios conversam entre si a cada vez que meus olhos piscam e acabam se abraçando quando demoro num sonho, trazendo pro lado de dentro um pouquinho de presente bonito para que o futuro possa desembrulhar. Sei que o senhor sabe como é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando nisso, às vezes fico tentando desenrolar um texto, fazendo parecer fácil essa mania de procurar frases no chão como se olhasse o céu. Porque tem horas que os papéis se invertem mesmo e fico sem saber desembaraçar. Tudo parece andar de mãos bem dadas, como naqueles amores antigos que caminham por aí com seus cabelinhos de algodão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, seu Zé, eu fico assim, muito triste e chorona, e a vida perde os motivos, perde a graça, perde a mim. Fico querendo achar por aí, derramada sem querer, uma porção de felicidade. Podia ser a granel, para entregar a todo mundo, porque muita gente precisa mais que eu. E aí não saio contando pra ninguém das minhas amarguras, que é pra não ficar circulando ao meu redor, sabe, seu Zé? Procuro tratar das coisinhas pequenas e vou me esquecendo quando vejo um sorriso. No final está todo mundo sorrindo junto e isso é o que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse ontem mesmo que o mundo é grandão e incrível. As coisas só existem porque acreditamos nelas. Sorrio muito para isso, viu? A gente precisa é de fé. E de pessoas. Porque me sinto meio vazia de pessoas, pessoas dessas que fazem festa na gente, que fazem a alma bater palmas. Pessoas que entendam esse meu jeito de não fazer muito alarde, de chegar sem espantar as borboletas. Eu tenho uma joaninha no dedo indicador e essa sensibilidade ardendo nos ombros desde muito tempo, seu Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu confesso: se o senhor quer saber, quero uma casinha à beira-mar, numa cidade miudinha. Bastava caber meu coração, porque eu tenho sim esse amor que dá para cobrir o azulzinho inteiro daquele mundaréu de água. Assim tudo caberia. E lá eu nem ia ficar arrumando CD's, livros e guarda-roupas na tentativa de me reorganizar internamente, porque tudo seria o meu avesso. A vida não ia precisar ficar empilhada num canto. Eu imagino que mesmo quando anoitece, na praia a gente é sempre uma pessoa solar. O senhor não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deixa quietinha aqui, nesse canto do sofá, já que tem esse cheiro de jasmim em volta. E se os pelos do meu braço se arrepiarem quando um sentimento novo se encostar em mim, já vou saber da necessidade danada que eles têm de espiar o que foi que andou estilhaçando o gelo que já andava trincando aqui dentro. E daí então se essa pessoa falar de sol, arco-íris e sorvete, vou ficar gostando tanto das palavras dela, que não vou nem me preocupar em dançar no silêncio que de tão branco vai parecer levelevelevíssimo. Silêncio diz é coisa, seu Zé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o senhor sabe, mas tenho um menino nos olhos. Ninguém entende que ele está sempre cheio de cor na curva das minhas pálpebras. Aliás, se tudo tivesse cor, eu talvez desistisse da vontade de saber usar os cílios para varrer as desventuras que vez ou outra me caem nas retinas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinto a realidade assim, hoje: já consigo caminhar na lucidez. É como quando se tira as rodinhas de apoio da bicicleta, o senhor lembra? A gente pedala sozinho sem nem notar. E vai. Só que eu não sei pedalar de braços abertos, ainda. Medo, parece. Quando aprender, eu conto. Vou sair abraçando o mundo como quem quer costurar amor em tudo. Mas, ó, eu tenho ido. É que já tenho asa e isso ninguém nem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no mais, vambora contando nossas gigantices sem a vulnerabilidade de nos empequenarmos ao cruzar com essas pessoas pequenas. Sejamos nós dois os maluquinhos que ainda ouvem a voz do passarinho pousado no fio, mesmo com esse tantão de barulho na rua. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olha aqui bem dentrinho de mim, ó: deixa sempre esse sorriso sabido do senhor esquecido no cantinho do pirex que apoia a xícara de café. O senhor nem sabe, mas esse é o segredo que faz deixar a bebida sempre quentinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou é pendurar mais um tiquinho de coisa boa ali no varal, seu Zé. Tem tanta coisa esbarrando nesse coração que daqui uns dias não vai ter outra alternativa senão dividi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê aí se tá bom de açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3007169168045153737?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3007169168045153737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3007169168045153737&amp;isPopup=true' title='49 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3007169168045153737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3007169168045153737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/02/ve-se-ta-bom-de-acucar.html' title='Vê se tá bom de açúcar.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>49</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-2546098303781656928</id><published>2011-02-02T18:20:00.010-03:00</published><updated>2011-02-03T11:02:05.865-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu me sinto como num lugar errado, num tempo errado. Num tempo veloz, em que é melhor ter muito, muito rápido, que criar raízes lentas, cultivar aos poucos e manter por anos a água, o sol. Feito uma árvore. Que precisa estar firme, e pode estar só. Não somos mais firmes. Nunca estamos sós. As pessoas vão esquecendo que só existe EU porque existe TODO. A extrema necessidade de constante companhia cria uma profunda solidão, crônicaguda. E eu sou lenta, sou antiga. Eu quero o cuidado, a morosidade, o i-n-s-p-i-r-a-r-e-x-p-i-r-a-r. Quero ter calma para chorar, quero sofrer tudo. Quero ter tempo de o sangue coagular e a pele nascer. Sem pontos. Sem artifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos apáticos: tem muito &lt;strong&gt;tesão&lt;/strong&gt;, tem muita &lt;strong&gt;paixão&lt;/strong&gt;. E de que vale impulso se não tem porquê? Paixão é desculpa do medo, tesão é desculpa da pressa. Falta tempo para o Amor. Falta respeito ao Amor. Falta Amor. E demorou um tempo pra eu entender que é preciso definir. Porque tudo tem peso, tudo tem nome. Porque não se fazer entender é criar mentiras sobre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seja feito, que seja livre, que seja romântico. Que seja eterno, platônico, carnal. Que seja Uno, que seja Pluro. Mas que seja &lt;/em&gt;sempre&lt;em&gt;. Que seja o mote, o motivo, que dê c-o-e-s-ã-o à existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor [s.m.] comunhão íntima, coesão com o universo (com ou sem conotação religiosa).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://aquarelavel.blogspot.com/"&gt;l u a *&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;____________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu sinto, em silêncio. E ela vai escrevendo por mim. Sobre nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-2546098303781656928?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/2546098303781656928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/2546098303781656928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/02/eu-me-sinto-como-num-lugar-errado-num.html' title=''/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7663766267427947806</id><published>2011-01-03T23:29:00.005-03:00</published><updated>2011-01-31T12:07:49.501-03:00</updated><title type='text'>Ditado.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Foi um pequeno momento,&lt;br /&gt;um jeito, uma coisa assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[Caetano Veloso - &lt;strong&gt;Da maior importância&lt;/strong&gt;]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que teria um tom sépia. Um papel desbotado. E encerraria o envelope com a língua. Que eu reluto e fico me debatendo internamente criando obstáculos impossíveis quando na verdade, veja só, ele parece insistir em arrebentar todas as trancas. Que não me importo. Que apareço às vezes apenas para vê-lo. Que em dois mil e dez eu andei até feliz e assim que dois mil e onze bateu à porta, eu chorei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tem espaço para ele na minha vida, muito espaço, mas eu disse não. Na verdade eu nem disse nada, nem ele. Que foi bonito logo da primeira vez, mas foi mais bonito ainda depois, quando acreditei que saíam pequenas fagulhinhas a cada momento onde ele quase tocava em mim. Que quando tocou eu soube que não ia conseguir transformar aquilo em palavra. Que eu suspirava canções enquanto ele me olhava. Que ele tem uma voz mansa e uma risada sacana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ele me fez criar intimidade com a cidade. Que poderia me pagar uma cerveja, bem gelada, por favor. Que eu tenho um amor que ainda me assombra a cada quatro meses, mas que é apenas amor, porque é o que fica quando tudo se vai. Que eu me emociono por motivos bobos e já senti raiva dele. Que eu tenho sonhos demais para esse ambiente. Que eu quero, como na música, corrermundocorrerperigo, e ele poderia vir comigo porque eu gostaria mais de tudo que pudesse ser olhado ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu dificilmente me envolvo, mas quando me envolvo, me envolvo pra caralho. E às vezes falo palavrão. Que já aprendi a segurar a onda quando as coisas ficam &lt;i&gt;heavy metal &lt;/i&gt;demais. Que eu ando atrás é de uma janela. Que eu gosto que ele goste dos meus cabelos curtos. Que sou louca e ele nem desconfia. Que esses textos todos não me representam, mas fotografam o que já fui e o que posso ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando ele me chamou pelo nome pareceu deixar um pacote em meu colo e até hoje não consegui abrir. Que eu deixaria um livro pela metade só para ir ao seu encontro. Que eu não estou assim, tão entregue, mas posso ficar se ele beijar minha testa e me contar alguma historinha sentado ao meu lado no meio-fio. Até a esquina se espicharia para ver o modo como eu iria legendá-lo, com muita calma e rabiscos leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu escrevo sobre o amor, mas não falo muito a respeito. Que eu gosto de rotina, de certezas, mas se não tiver chão não me importo em voar. Que eu quis acompanhá-lo naquele percurso mas desviei na esquina porque não queria dar bandeira demais. Que eu nunca dou bandeira demais e sempre espero sua volta, seja da sala ao lado ou de um trajeto muito curto. Eu espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu gosto dele à tarde. Que eu não sei onde compra suas camisas e acho que deve usar cuecas brancas. Que gosto quando deixa o cabelo crescer e quando a barba desenha um ar desleixado em seu rosto. Que consegue ser charmoso ao encostar-se na parede, ao reclamar do sono. Que tem cara de quem faz um carinho gostoso ao pé do ouvido. Que ele poderia segurar minhas mãos, eu deixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que disfarço meu querer bem. Que nunca atendi suas ligações porque nunca o chamei pelo nome. Que eu prefiro dizer &lt;em&gt;eaíbabytudobom?&lt;/em&gt; e sorrio quando ele briga comigo perguntando de todo o sumiço. Que aqui, onde estou, o sol se põe mais tarde e a lua pode ser observada do ângulo mais incrível já visto. Que me falta a capacidade de analisar o que acontece mas ele poderia me ajudar a entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando nos vimos de perto, tão de perto que eu pude guardar seu sorriso em minha boca enquanto ele me levava em seus olhos, houve algum sentimento que sambasse. Que eu não sei se temos alguma espécie de ritual. Que talvez ele pudesse ler atrás dos meus sorrisos vagabundos. Que ele tem um rosto que é praticamente um abuso, carregando todos os adjetivos mais belos possíveis. Que eu não ligo se minhas argolas douradas enroscarem em sua roupa, ele pode me abraçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu escuto músicas que talvez ele não goste tanto assim. Que eu gosto que as mesas de bar sempre fiquem sujas de poesia no fim da noite. Que às vezes borboletas pousam no meu copo e eu acabo engolindo umas e outras, sem querer. Que sempre, onde houver um casal, haverão inúmeros clichês e novas possibilidades de estragos, dores, sofrimentos e eu quero que se foda. Sobrevive-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu acho graça ao me recordar o dia em que ele deixou cair palavras que fizeram cócegas em minha pele suada. Que meu coração ultimamente só tem carregado pequenos acasos. Que despedaço caixas de fósforo com as mãos porque ando meio assustada e pensando muito nele. Que eu arremesso assim, muda, possibilidades. Tímidas, mas possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que eu escreveria. E também diria que sim, claro que sim. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;I wish you, baby.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7663766267427947806?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7663766267427947806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7663766267427947806&amp;isPopup=true' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7663766267427947806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7663766267427947806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2011/01/ditado.html' title='Ditado.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-6841699908003158927</id><published>2010-12-03T13:42:00.003-03:00</published><updated>2010-12-03T14:10:20.237-03:00</updated><title type='text'>O amor é fodido.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Um amor só um bocado fodido&lt;br /&gt;pode ser a coisa mais bonita deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[Miguel Esteves Cardoso, em: &lt;strong&gt;O amor é fodido&lt;/strong&gt;] &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São em noites como essa que algumas ausências me corroem. A vida pode ser muito sacana se resolvermos tratá-la como algo real - porque eu sempre achei a vida uma ilusão tamanha, você sabe. E eu ando sem paciência para determinadas coerências, &lt;em&gt;ma belle.&lt;/em&gt; Acabo de sair do banho. O cheiro de sabonete toma conta do quarto junto ao vapor da água quente. Enquanto secava meus cabelos, a água escorrendo pelos ombros, um sambinha macio ia se libertando do vinil. Pensei em amor. Pensei em cenas antigas de cinema, naqueles movimentos mudos, e dancei, nua, como se o momento inteiro fosse uma partitura. Mas não houve quem me tocasse, quem me cantasse. Vesti o roupão, abri as janelas, contemplei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é obrigação? Essas conversas bobas, apenas um pretexto para terminar na cama. Pensamentos curtos, comodismos, discursinhos ordinários. Olho e não enxergo. É tudo pequeno. Cadê o desmedido, entende? Cadê o que se expande em cada encontro? Um papo que estique e dê valor ao clichê &lt;em&gt;naminhacasaounasua?,&lt;/em&gt; cadê? Às vezes eu troco tudo pela companhia de uma planta qualquer. Continuo com essa minha mania de contemplar o nada com uma admiração gigante. E tem o filme que contei a você, as neuras que desataram, essa coisa de saber que estamos todos suspensos, pendendo entre o destino e a sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei, mas o norte me parece meio embaçado. Preciso que qualquer acaso desencante essas amarguras, que me faça levantar da cama, tirar aquele outro disco empoeirado da estante e me ofereça uma dose de uísque, sem gelo, enquanto caminho pelo apartamento usando meias e calcinha só para dar um tom qualquer. É nesse ritmo que algumas indecências batem à minha porta e deparam com essas lágrimas pretas. Sentadas nas escadas, fumando um cigarro e olhando fixo para um ponto insignificante, essas indecências. Esclarecendo: parei de adocicar os contos de fadas, o &lt;em&gt;felizes para sempre.&lt;/em&gt; A verdade é que tudo termina com o &lt;em&gt;era uma vez&lt;/em&gt;. Porque já não é mais, vê? Na maioria dos casos não teve vez nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi olhar o amor com olhares obscenos. Tem mais a ver com prazer, com repousar o coração num lugar tranquilo, ainda que por apenas uma noite. Ninguém precisa ser o futuro de ninguém, isso assusta demais, convenhamos. As coisas acontecem no agora? Nele permanecerei. No agora é onde consigo sentir. Consigo preparar receitas para que sejam descumpridas, recheadas de pitadas desconhecidas. O amor pode chegar deslizando as alças do meu vestido, ensaboando meu corpo, acariciando minhas formas, tatuando minha virilha, gemendo sob minha pele suada, sufocando minha voz com beijos a me queimar a língua enquanto fuma meu hálito. Ou pode não chegar, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabe, deve haver um &lt;em&gt;feeling&lt;/em&gt; qualquer, porque a solidão, &lt;em&gt;ma belle,&lt;/em&gt; essa não se esvai com meras trepadas. E eu nunca fico. No máximo a TV permanece ligada enquanto desenhos animados brincam com a vida de lá. Eu me mando, a ressaca fica. Eu me mando para respirar, abrir a geladeira, medir meu desespero em qualquer garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor, todavia, insiste num balé de cheiros impregnantes. Disfarça, rodeia, mas gruda em cada dobrinha. E daí a gente finda tomando um banho juntos, escorre juntos. Ele escorrega e fim: sobram uns risos convulsivos. Talvez, ainda, eu faça uns malabarismos com as pernas, arrisque uma pose de mocinha psicótica, daquele jeito, com um explosivo em cada olho, suba na mesa, arremesse uma taça. Só para chamar a atenção&lt;i&gt;. &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Só pro meu prazer.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; Porque, não é de agora, palavras bonitas não me emocionam. Eu preciso de reações, me rasgar na cama enquanto &lt;em&gt;Luiz Melodia&lt;/em&gt; grita que &lt;em&gt;baby, te amo, nem sei se te amo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Me ocorre agora, veja bem, tudo se dissolve. Você pode achar que não tem sentido. Mas, honestamente, o que tem sentido? A busca louca pelo amor geralmente resulta em pernas abertas e desencontros. Em outros casos tem-se um cigarro e olhares para o teto. Não mais, não menos, mas também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é um interlúdio. O amor, &lt;em&gt;ma belle&lt;/em&gt;, é fodido. E nem por isso deixa de ser amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-6841699908003158927?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/6841699908003158927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=6841699908003158927&amp;isPopup=true' title='43 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6841699908003158927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6841699908003158927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/12/o-amor-e-fodido.html' title='O amor é fodido.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>43</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5294882647539989087</id><published>2010-11-06T14:45:00.005-03:00</published><updated>2010-11-14T23:50:23.009-03:00</updated><title type='text'>Poetice.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Dá-me o direito&lt;br /&gt;de dizer coisas sem sentido&lt;br /&gt;de não ter que ser perfeito&lt;br /&gt;pretérito, sujeito, artigo definido&lt;br /&gt;de me apaixonar todo dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Alma nua&lt;/strong&gt; - Vander Lee]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No início eu não entendia muito bem. As ruas estreitas, o cinza, as pessoas, a minha chegada, a incoerência de tudo. Uma proximidade da solidão e da loucura. A cidade nova, tão antiga, fazia desaparecer aos pouquinhos toda aquela outra cidade, ainda tão minha. Mais até do que a que voltou a me pertencer. Achei normal quando &lt;em&gt;João Gilberto&lt;/em&gt; soprou bem de levinho nos meus ouvidos, ao atravessar a rua no sol das doze horas. &lt;em&gt;É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não é que hoje eu entenda alguma coisa, não. É questão de ter as percepções desviadas, de sentir alguns braços me atravessando as avenidas, de não precisar de um motivo. Hoje eu deito no chão da sala e acompanho os barulhinhos que vêm de lá de fora. Tem um passarinho que entra pela janela todos os dias, miudinho. Basta que eu pouse meus olhos nele para que saia voando pelo mesmo caminho por onde entrou, dessa vez levando o eco das minhas risadas de moça boba para soltá-los de lá de cima, com a pura intenção de contaminar qualquer lábio costurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou caminhando por onde acredito, hoje. Tenho feito as coisas do jeito que acho que ficam mais leves, mais clarinhas, mais fáceis de carregar. Ando sempre bem. A verdade é que nessa procura de me fazer, encontrei retalhos de coisas que doem. Doem mas não precisam trazer aquele gosto de água e sal, na boca. Guardo no bolso, jogo para cima, vou tomar um sorvete. Quando você não se prende, vai aprendendo de um jeito muito manso a voar novamente. Um e outro arranhão nos joelhos, pequenas quedas, mas nada disso importa depois que se prova um pouquinho de céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho tanta fé em tudo, agora. Tenho gostado tanto de todo mundo, de mim, dessas repetições. Me assustei, então, ao perceber que é tudo uma questão de escolha. E o bom do susto é que a gargalhada sempre demora mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o teto lá fora é azulzinho. Logo ali, existe alguém que me faz cócegas. Alguém que me faz olhar ao redor, procurando-o, sempre que chego. E ele me faz levantar os olhos quando pronuncia meu nome, me transformando num girassol desajeitado, acompanhando-o a cada movimento. São vários pontinhos que eu vou ligando com essa caneta sem tinta, em meio à incerteza de rabiscá-lo em minha tela. É tão bom que eu sinta, por sentir, porque é preciso sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu procuro uns potinhos de tinta para borrar minhas mãos, porque nem sempre as palavras decifram o que o coração batuca. E me aproximo assim, de perto, dou um beijinho em seu rosto e deixo escrito uma história. Meus lábios, pincéis travessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a vida resolvendo fazer carinho. E eu não quero entender nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5294882647539989087?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5294882647539989087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5294882647539989087&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5294882647539989087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5294882647539989087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/11/poetice.html' title='Poetice.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3062058054560519483</id><published>2010-10-28T15:27:00.010-03:00</published><updated>2011-08-23T21:56:56.192-03:00</updated><title type='text'>Éden.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para ele, o meu brou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sempre falo dele sorrindo. E deixo repercutir: édenédenéden. Meu irmão. O paraíso avesso. A paciência curta. As sobrancelhas grossas, sempre expressivas. O jeito de monstro quando acorda passeando pela casa coçando a cabeça. A insistência em cantar alto e totalmente sem tom qualquer música que saiba acompanhar. A simpatia. As piadas internas, risadas só nossas. O choro que chega sem pudor nenhum, seja lá qual for a situação. A preferência por massas. As músicas dos &lt;em&gt;hermanos&lt;/em&gt; gritadas aos sábados pela manhã, quando estávamos sozinhos em casa. As brigas. A cumplicidade. A forma como se preocupa comigo. Os ciúmes. As lágrimas na rodoviária a cada despedida. Os &lt;em&gt;eu te amo&lt;/em&gt; que ele diz e eu guardo nos olhos para que ele enxergue os reflexos diante da minha mudez. A certeza: desde que ele veio eu não fui mais sozinha. Não sou. E vou relembrando cada coisinha bem devagar e com muita ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até então, nunca havia meditado acerca do evidente: sou mais eu quando sou ele. Consigo ser todas as que me compõem, quando em sua presença. E ele só não me suporta quando sinto dor, o que eu até perdoo, por se tratar de uma das minhas piores versões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éden é o primeiro dos irmãos. Foi quem me moldou. Quem me ensinou a dosar as ações, reações, explosões. Mordidas, puxões de cabelos, televisores derrubados e mágoas. &lt;em&gt;Eu nunca mais vou falar com você!&lt;/em&gt; Para ouvir um &lt;em&gt;quem disse que eu ligo?&lt;/em&gt; E um sorriso no dia seguinte, derrubando as máscaras mais sérias para dar vez ao que sempre é maior. O &lt;em&gt;nós&lt;/em&gt;, quando já não tem mais &lt;em&gt;você e eu&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lealdade, perfeição torta, defeitos. É amor. Amor daqueles costurados no ponto mais bem feito. Mãe quem costurou, a linha nunca se desfaz. É a chance da eterna meninice quando em casa, de histórias, de me ver pequena com ele ainda menor. É daquele amor que se diz o tempo inteiro, em meias-palavras. São vergonhas expostas num final de tarde, entre beliscões e gargalhadas. Palavrões. Um olhar que puxa recordações quando as pálpebras resolvem virar gavetas para o passado de felicidadezinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele eu soube deixar crescer o amor-amor. Soube amar por amar, sem importar se cabia ou não. Foi como aprendi a torcer. A apoiar as ambições e loucuras dele, só para notá-lo em paz. É o orgulho que sinto por sua valentia, por sua sinceridade. Pela maturidade que, ainda que desande às vezes, aparece como conquista. Pelos medos tão meninos que vão adormecendo para que acordem aquelas outras coragens tão necessárias que tanto quero vê-lo sendo possuidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas essas palavras talvez nunca tenham sido ditas. Sempre julguei desnecessário expor o que meu coração sente tão óbvio. Parece desleal gritar para o mundo esse monte de amor, porque não existe amor assim. E eu me sinto tranquila por não precisar de aviso nenhum para fazê-lo ciente dessa história toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse escolher, diria que é assim mesmo que prefiro. Prefiro telefonar para ele e fazê-lo dizer tchau só para poder dizer: &lt;em&gt;quem ligou fui eu, você não pode desligar.&lt;/em&gt; E enrolar toda vida. Prefiro aquela fotografia no jardim, onde ele tem o pé machucado e um rosto que me conta algumas coisas que doem. Prefiro lembrar do &lt;em&gt;Chico Bento&lt;/em&gt; em um de seus primeiros bolos de aniversário. Prefiro estar em paz na fazenda enquanto ele fica inquieto e solta fogos na hora de ir embora. Prefiro lembrar dele a cada vez que escuto &lt;i&gt;Um Par.&lt;/i&gt; Prefiro ainda as histórias cheias de detalhes que nunca têm um final lógico. Sua risada espalhafatosa. Sua mania de bater boca por nada e qualquer coisa. Seus carinhos únicos, chegando a lembrar um gato implorando uma delicadeza. O dom de me fazer passar vergonha. Nossas caminhadas compridas, cantando. Prefiro mais assim. Menos de qualquer outro jeito. Mais ele, comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A conclusão é a de que tudo é coisa desse amor-tanto. Amor-tonto. Tudo o que guardei e não paro nunca de compor. Para amá-lo agora, mais tarde e o tempo inteiro. Sem tempo. Como a dezenove anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou por você, brou. Não vou parar de ser antipática com minhas opiniões intrometidas: digo tudo pelo querer-bem, que é imenso. E seja lá o que for, seja lá no que for dar, se essa vida tiver alguma razão, eu faço a porra toda desarrazoar, se ficar melhor para você. Entorto os pontos todos de qualquer direção e cruzo os caminhos mais impossíveis, para te acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo &lt;em&gt;pra caralho.&lt;/em&gt; Tudo isso. Tudo em nós, esses nós. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem você sou pá furada.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;[&lt;b&gt;Paquetá&lt;/b&gt; - Rodrigo Amarante]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3062058054560519483?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3062058054560519483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3062058054560519483&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3062058054560519483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3062058054560519483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/10/eden.html' title='Éden.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4054993951576103481</id><published>2010-09-30T21:02:00.004-03:00</published><updated>2010-10-01T12:43:46.312-03:00</updated><title type='text'>Até mais tarde.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O verão que a primavera traz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pelo muro, enxergo, restam algumas bandeirolas desbotadas. Observo enquanto o vento sopra de leve em meio ao calor da noite. Cores sem euforia, memória da boniteza que viveu nas noites de junho. Escuto sorrisos e sinto cheiros. A primavera chegou e eu, que nunca soube cuidar de flores, aprecio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se anuncia junto aos tambores. Se espalha feito notícia bem contada. Procuro então transformá-lo em novidade, assim, sem horário, enquanto a dona se inclina da janela para sondar como subo tuas escadas sem degrau algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, a cidade já começa a ter sentido entre um canto e outro. Existem rabiscos e histórias minhas naquele chão, naquela música, naquela risada. O coração, esse não dá sinal. Brinco com as imagens que meus cílios enlaçam e vou convidando o mundo para um samba. Só entende quem escuta a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia ser tua hoje, seu moço. Nem precisa colher nada não. As mãos que seguram teus queixos poderiam desenhar minha boca em movimentos precisos enquanto eu saciava minha vontade de escrever em cada cantinho teu. Coisas absurdamente levianas. Coisa nenhuma. Tocar. De-di-lhar. É o que me ocorre enquanto você fecha meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você poderia começar existindo em minha língua, aqui, molhando teus dissabores. Ou então que se mastigue uma história sobre toda aquela coisa que a primavera faz com as cerejeiras, clichês, a cor do meu vestido, a &lt;em&gt;transa&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;Caetano&lt;/em&gt;, teucorponomeucorponoteu. Que se mastigue enquanto o vinho vai desgrudando a alma e lançando carinhos jamais praticados. Ficaria bonito, eu digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira curva, te guiaria para que o vermelho coubesse nos gestos seguintes. É tudo uma desculpa, perceba. Eu, ladeira para você escorregar. Um encontro manso de palavras extraviadas que bordam no escuro um retrato que não se enraíza em tempo nenhum. Eu abro as portas para você, novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque quando chove, seu moço, enquanto você mede minha cintura e esse tecido desenha todas as formas, me tinjo de verdadeira avenida. Que meus braços sejam ruas. Que você me atravesse descalço. E quando minha pele esquentar, embrulha todo o restante. É como me sirvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ambiente manso, dou um cheirinho em teu pescoço e sopro um fio do teu perfume para grudar no travesseiro. Te faço um cafuné para adular nem que seja um tiquinho do que há de querer ficar nos instantes posteriores. Você tem jeito de quem esquece sonhos na cama, saiba. Você esquece e eles dançam em meus ombros para depois despencar, exaustos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu jeito zen, um cheiro de incenso nos cabelos, desassossego. Deixa o coração trincado se enfeitar. Sigamos desarmados. Minha voz batendo nessas quatro paredes enquanto você se estica para engolir o que sobra de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um beco, um botequim com bandeirolas e cores desbotadas, há sempre de haver um reencontro. A cidade desenhou. A dona debruçada na janela há de contar: poema no mural, você e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4054993951576103481?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4054993951576103481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4054993951576103481&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4054993951576103481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4054993951576103481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/09/ate-mais-tarde.html' title='Até mais tarde.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1181923665191842036</id><published>2010-08-24T21:01:00.010-03:00</published><updated>2010-08-24T22:18:22.547-03:00</updated><title type='text'>(Re)vestir-se.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Os delírios verbais me terapeutam.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[Manoel de Barros]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu conto que é bonita a maneira como o vidro da janela deixa a manhã entrar em meu quarto. Seguro o sol com meus olhos e faço silêncio para ouvir os afetos delicados despertando. O agosto vai passando com sua violência hostil e tudo o que me importa é a poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tem me atraído é a vontade bizarra de passar o dia inteiro tomando sorvetes e escrevendo todas as paixões. Por nada e qualquer coisa. Eu me observo e gosto de brincar com as cores no espelho. Encho o corredor da casa com meus &lt;i&gt;bom dias&lt;/i&gt;, esqueço alguns sonhos na mesa e abro as portas sorrindo, sempre com um fiapo de amor entre os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas ruas, entre passos apressados, um vento frio faz estremecer algumas certezas. Esqueço-as. Espalham-se todas pelo bosque onde passo sem nem notar. Já não amo ninguém. A escrita permanece atravessada. Minha língua guarda promessas e alguns planos. Guarda palavras ensaiadas para serem entregues a alguém que nem desconfia. Guarda um potinho de ilusões que espalham um gosto de estrela no céu da boca. É o que me faz sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem falei de saudades e um cisco nos olhos foi a desculpa para a neblina. Todo o brilho coube no vermelho das pedrinhas desses brincos, flores pequenas que fazem meu rosto querer submergir em meio a um par de olhos escuros sobre os quais escreveria por mera distração. Ou atenção demasiada. Um quintal, um jardim. Par de olhos esses que às vezes se escondem e brincam com o castanho que guardo, pedindo-lhe para que os encontre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me explico, optei por sentir. É como quando as duas mãozinhas delicadas da minha outra menina, pequena, desenham minha face: tudo fica doce. E também diria ainda das cartas que me esperam na cama, uma vez por mês, pintadas de carinhos que saltam tão logo os envelopes são abertos. Minha letra diminuta demora, emudece, e depois responde, apertada, que é para amarrar as coisas mais lindas e remetê-las todas de um jeito muito leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me perguntam o porquê das tardes de repente ficarem tão amarelas, eu finjo nem saber, mas desconfio. Sinto logo as amoras estalando em meus dentes, vejo o céu descabelando as nuvens e a felicidade me desarrumando inteira. Efeitos que componho enquanto tento equalizar o silêncio, carícia mais suave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a uma imensidão de desejos embaralhados, separo uma história. A da poesia que derramou-se em meu vestido quando o amor adormeceu em meus ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu venho por um motivo. Esse, que me alarga os lábios enquanto dá voltinhas alegres em minha boca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;___________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Para &lt;a href="http://aquarelavel.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lulu&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, por várias razões, mas, principalmente, por borrar com doçura meus olhos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por estar, mesmo sem nenhum sentido. Ou todo ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1181923665191842036?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1181923665191842036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1181923665191842036&amp;isPopup=true' title='47 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1181923665191842036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1181923665191842036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/08/revestir-se.html' title='(Re)vestir-se.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>47</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5379597626677578862</id><published>2010-08-11T23:30:00.006-03:00</published><updated>2011-04-28T22:04:06.416-03:00</updated><title type='text'>Ideia.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Fiquei apenas pensando que seu rosto&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;parece com as minhas ideias.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;b&gt;Corpo de lama&lt;/b&gt; - Chico Science]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Eu quero me aninhar no teu peito, &lt;i&gt;baby&lt;/i&gt;. Quero que você me conte bobagenzinhas enquanto escuto tua respiração. Quero sentir teu coração bater, ouvir tua risada, segurar tua mão por mais tempo, te entregar mais que dois sorrisos. Mais que um ruído. Eu quero espalhar beijinhos no teu rosto e passear, confusa, em você.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero te ligar no meio da noite e ficar em silêncio até conseguir dormir outra vez. Quero que você me abrace. Que você sempre me abrace. Que caminhe ao meu lado segurando no bolso de trás das minhas calças. Quero saber a frequência com que pisca os olhos e decorar o que te faz franzir o nariz.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero papos desconexos, propostas decentes e outras tantas avessas. Quero entrar no primeiro ônibus disponível e passar um dia inteiro num lugar onde sejamos estranhos. Quero te puxar pelos braços e que você recue para me pirraçar enquanto vai pintando poesia nos dentes. Quero que teu cruzar de pernas me inspire um texto e que você faça um carinho bom em minha nuca, me abraçando por trás enquanto me observa sentada ao computador.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero que você me veja chorando ao cortar cebolas e sempre cante a música de &lt;i&gt;Caetano&lt;/i&gt;, só para me ouvir te chamar de previsível e debocharmos juntos das mesmices que são só nossas. Quero que não me diga que sou ciumenta e não se importe com minhas melancolias mensais.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero que a vodka tempere nossas brigas bobas, e que deitemos exaustos no colchão ali, no chão da sala, enquanto a vida corre do lado de fora da casa. Quero ver você dar risada da minha cara ao desistir de calcular o troco e que não se importe em ir ao cinema nos horários mais improváveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero que você se arrisque na cozinha só para me ouvir reclamar depois. Quero nossos beijos cítricos e tua língua tingida com o vermelho do que vai sempre arder em nós. Quero aquelas noites com a luz fraca, tua arte exata e minha busca imperfeita.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero que você aumente o som quando começar a tocar uma música que eu goste. Quero te telefonar ao me deparar com algo que se pareça contigo. Quero te ver fechar o &lt;i&gt;jeans&lt;/i&gt;, te puxar de volta para a cama, te fazer vacilar, burlar resistências.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero &lt;i&gt;pizza&lt;/i&gt; gelada enquanto te mostro meus filmes preferidos. Quero te fotografar até você arrancar a câmera das minhas mãos e fazer o mesmo comigo. Quero me rasgar aos pouquinhos para você, só para você. Quero que folheie um caderno meu e reclame porque não escrevo na linha. Porque não escrevo.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero entender quando dói e fazer parar de doer. Quero te adivinhar com meus lábios. Quero te projetar: você-filme. Quero espernear. Quero que você bagunce o quarto e te olharolharolhar com minhas pálpebras egoístas que te guardam só para mim. Quero todo esse medo de abri-las para não te deixar escapulir. Quero te achar ridículo enquanto escuto você cantar ao chuveiro. Quero colo.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero que você entenda minha euforia após o teatro. Que não se espante com minha sensibilidade. Que não sofra com minha insensibilidade. Que não soframos tanto, apesar das crises, raivinhas, impaciência e muita falta de sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quero você na minha parede verde. Quero pintar nossa parede. Te borrar a roupa. Tomar banho na chuva, rolar na areia da praia. Quero decifrar tua chegada pela maneira como toca o interfone. Te cantar músicas bregas, caminhar pela praça.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não quero nada. Só preciso inventar uma palavra. Algo que te explique. E olhar para você mais um pouco, assim, sem querer.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É uma ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5379597626677578862?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5379597626677578862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5379597626677578862&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5379597626677578862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5379597626677578862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/08/ideia_11.html' title='Ideia.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4879377021227755585</id><published>2010-07-22T11:43:00.013-03:00</published><updated>2010-07-22T13:56:14.469-03:00</updated><title type='text'>O amor, Maria?</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;- Então Charlie Brown, o que é amor pra você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que isso tem a ver com amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, acontece que todos os dias&lt;br /&gt;ele dava carona pra uma moça.&lt;br /&gt;Ele saía do carro, abria a porta pra ela,&lt;br /&gt;quando ela entrava ele fechava a porta,&lt;br /&gt;dava a volta pelo carro&lt;br /&gt;e quando ele ia abrir a porta pra entrar,&lt;br /&gt;ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas&lt;br /&gt;e os dois morriam de rir. Acho que isso é amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[&lt;strong&gt;Peanuts&lt;/strong&gt; - Charlie Schulz]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para mim, Maria, o amor é azul e branco. São seus dois tons, e isso não tem nada a ver com arco-íris. A gente pinta é do lado de dentro. É uma coisa danada de tão travessa, essa coisa de amor. E eu não sei, Maria, porque a maçã do amor leva esse nome. O amor não é sempre doce, não. Mas pode ser vermelho, se você quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor é um monte de coisa, dona moça. Você vai sentir, se já não sentiu. Os joelhos frouxos, as mãos suando, e todas as partezinhas batucando do lado de dentro. E você vai morrer de medo que alguém escute, Maria. Mesmo quando tudo em você denunciar, você ainda vai deixar cair os olhos, fingir distração, fugir. O amor a gente guarda é nos olhos. Depois ele desaba para todo canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, ninguém nunca conseguiu decifrar essa história. Tem tanta poesia, tantos livros, tantos filmes, tanta música, tanta falação, Maria. Não é de hoje que as pessoas complicam a facilidade. O amor não precisa de nada para ser, senhorinha. Ele é. Independe de. É indiscreto. Pousa e voa quando bem quer. O amor é passarinho, isso. Mas a gente não pode nunca prender, viu? Passarinho bonito é enfeitando o céu. Amor enfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, pequena! Quando você senta na sala e espera o amigo chegar, assim, com esse ventinho no sorriso, isso também é amor. E ele chega tão bonitinho, enchendo teus olhos, te fazendo assobiar. O amor é criança, Mariazinha. O amor é uma tarde de sol e um algodão doce, no parque. É roda gigante. Foliazinha. É tanto. É tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já amei bonito, sim. Já morri de amores, Maria, e você não sabe quanto mais vida isso me trouxe. E tem esse moço, agora. Não, não é amor. Como a gente diferencia? Você só faz pergunta difícil. Senta aqui no meu colo, anda. O amor está dentro de mim. E de você. E dele. Eu acho mesmo é que ele vai saindo aos pouquinhos. Quando a gente vê, já caminhou para dentro da outra pessoa. É um susto, Maria. O amor é um susto! É uma surpresinha, e o embrulho é o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar mais sobre o moço? Ah, esse moço, ele faz festa em mim. Quando eu chego, ele está sempre paradinho, na porta. Me enxerga feliz, com uns olhinhos apertados, parecendo me pedir para navegar-lhe. E eu fico pensando, minha doce. Fico pensando que me bastava ele ser um cais, para ancorar meu barquinho. Em época de chuva, Maria, amor é cais, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você gosta de me ouvir falar? Você é sapeca, com essa carinha de flor. Me mostra tuas mãozinhas, Maria. Deixa eu escrever, aqui: AMOR. Agora espia e tenta apagar. Tá vendo? Amor é quando, mesmo tentando, a gente não consegue apagar as letras. Não tem borracha que sirva, sabia? Ô, pequena, não precisa ter medo. Você pode emendar poesia em cima, melodiar. Uma coisa linda que aprendi foi isso: ser formada por amores. A gente fica maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se assuste, então, Maria, quando um amor for embora. A verdade é que ele sempre fica. Quanto mais a gente entrega, mais a gente tem. Essas coisas, meu bem, a gente divide para multiplicar. Prometo a você. E sobre aquilo de diferenciar, não dê importância. Sinta. Chame do que quiser. Um moço sabido já disse, um dia: &lt;em&gt;muita coisa importante falta nome.&lt;/em&gt; Me dá um abraço, dá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria, uma vez pensei que eu fosse derreter num abraço. Você vai saber como é. Não, não foi o desse moço. Ele, ainda hoje, não coube em minhas mãos. Tenho vontade de desabotoá-lo, Maria. Cheirar os sonhos que ele tem, nos olhos. Às vezes fico pensando que eu podia dizer a ele coisas muito boas, assim, baixinho. Mas só sei me fingir de distraída. Eu sou boba, minha Maria. O amor é bobo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tá na hora de você dormir. Se eu pudesse eu aumentava essa noite só para que tuas asinhas alçassem voo. Sonha, menininha. Descansa. Você é bichinho que voa, toda purinha, sem nem desconfiar. E é linda assim, não terminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, olha, Maria. Acho mesmo é que amor, amor é acostumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4879377021227755585?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4879377021227755585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4879377021227755585&amp;isPopup=true' title='46 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4879377021227755585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4879377021227755585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/07/o-amor-maria.html' title='O amor, Maria?'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5959138809322043545</id><published>2010-07-07T11:14:00.007-03:00</published><updated>2011-09-06T19:01:21.955-03:00</updated><title type='text'>É de mágica.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Manda avisar que esse daqui&lt;br /&gt;tem muito mais amor pra dar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;É de lágrima&lt;/strong&gt; - Marcelo Camelo] &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Faz frio. Pés descalços, sentada no chão, incenso de jasmim. Aqui? &lt;em&gt;Jazz&lt;/em&gt;. Não encontro escapismos e findo amarrando a fé ao lado da minha cama, levo comigo para todo canto. Juntei meia dúzia de esperanças e quis a presença de qualquer querubim pequenino cheinho de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos engavetando a umidade onde algumas dorzinhas navegam em par, meus poemas nunca escritos. É assim que resolvo acordar as palavras. Rituais de encanto, ventinho pela fresta da janela, meus cabelos voando. Deixa doer, bater os queixos, ter motivo. Minhas satisfações não aprenderam a bastar só para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me telefonaram. A voz suave do outro lado se identificou e disse &lt;em&gt;tá tudo bem?&lt;/em&gt; E eu chorei. As portas destravadas, a necessidade de separar as estantes internas. Pu-ri-fi-car. Tudo o que fala sobre leveza e azul deve ter caído lá atrás. Não encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri meu recanto de carinhos e reli tantas cartas, tantas procuras, tantos tempos, tantas saudades. Leio tudo. Leio e saio catando com as pontinhas dos dedos qualquer coisa que me reponha. Me perdi, mas não me abandono. É preciso estar dentro de mim. Preciso me empurrar de volta. Tenho tanto medo de ver os dias passando enquanto fico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho sido doce. É só que, ultimamente, nada completa. É meu retrato aflito, extenso, cheio de nós. Então eu escrevo. E escrevo tentando ficar mais leve, tentando me reiventar, tentando. Eu tento. Encolho. E tô aqui, sempre sorrindo. Sem compreender. Me envelopo e me distribuo. Foi assim que aprendi a chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um copo numa mão, uns absurdos na outra. Não chove. É cinza e não chove. Lembro das ruazinhas estreitas que passo e já não vejo toda essa sensibilidade cabendo no mundo. Meu lado de dentro precisa ser remendado. Sonho com coisas tão boas. Desejo tanto bem. Desejo um bem, para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidida, sugiro chuva. Um banho de chuva, um grito na chuva, porque depois que cai o céu, o mergulho é na vida. E arco-íris. Ah, e como tenho procurado um arco-íris! Uma recompensa. Uma aquarela. Lápis e papel. Desenho ou palavra. Não levo nada. E vou. Tentando, apesar de um tanto despetalada, &lt;em&gt;dobrar a vida em flor&lt;/em&gt;, como diz a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte bonita do dia foi quando caiu um cílio na minha bochecha. Vejo palavrinhas mansas em cada um. E às vezes é assim, uma pestana foge e desafina tudo. Hoje, caiu um cílio meu. Desafinei. Vi pelo espelho, tirei com delicadeza e soprei. O moço olhou de longe, sorriu. Miúda e de bochechas coradas, retribuí.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre sorrio, repito. Não precisa ter nexo. Ir, parar. Falta de ação. Talvez cor. Coração eu tenho. Tenho tanto que quase aceito sê-lo. Vai ver é isso. Que amanhã, depois e sempre, eu seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É&lt;i&gt; tanto amor para amar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5959138809322043545?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5959138809322043545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5959138809322043545&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5959138809322043545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5959138809322043545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/07/e-de-magica.html' title='É de mágica.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3109637117012745950</id><published>2010-06-30T00:49:00.005-03:00</published><updated>2010-06-30T12:54:54.413-03:00</updated><title type='text'>Uniforme.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Tudo começa&lt;br /&gt;do mesmo jeito&lt;br /&gt;diferente&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;[Alice Ruiz]&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é sem querer. Você chega quando alguém já está. Você sobe as escadas e joga o coração dali, pelo prazer em vê-lo cair. No fundo, a esperança é sentir alguma coisa. Qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não me conhece. Não sabe que escrevi uma carta de seis páginas, ainda ontem, contando os mais miúdos detalhes daquilo que suponho estar acontecendo. Do lado de dentro, do lado de fora. Não tenho conseguido fundir. Não sou uma só. Nunca fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso comprar mais livros, conhecer músicas novas, trocar as fotos do mural, ir à praia, amar Ilhéus de perto, colocar uma flor na minha estante. E, quando deito, preciso de você na minha cama, me beijando a testa, segurando minhas mãos. Sei lá. Poesia. E aquela coisa de me esquentar a nuca para que eu ande feliz, em meio aos casais de porcelana que enfeitam a rua. Amor não se toca, é para ser ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho fases de desespero. Quando é quarta-feira, no meu céu só tem estrelas e eu tropeço buscando o sol. No cinema eu como chocolates, não pipoca. E se você aparecesse eu te tomaria pelas mãos e sairia por aí, asfaltando a cidade inteira com nossas historinhas. Eu penso que eu só preciso saber que você está. Mas não te convido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quanto dura. Não sei até quando vou ignorar teus sorrisos que se quebram diante da minha seriedade. Não sei até quando teus olhos tristes vão permanecer em cima dos meus. Sei menos ainda para onde você vai levar minhas vontades, a cada vez for embora. Mas queria saber se meus braços podem se encaixar aos teus e se nossas pernas preferem o mesmo caminho. É o começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui, eu imagino que você tenha uma queda pelo francês. Imagino que abra um conhaque, nessas noites frias, para catar palavras. Da minha boca derramam-se sacanagens que já foram de outros caras. E que provavelmente serão tuas. Antes de tocar o papel, pensei em começar dizendo que aprenderia a tocar piano só para te esperar. Prefiro violão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou daquelas garotas que sofrem. Que esperneiam em busca de um abraço, assim, do tamanho do teu, com um sussurro contido dizendo que &lt;em&gt;está tudo bem&lt;/em&gt;. E acreditam no amor. Uma garota que, hoje, quis adivinhar as medidas do que desconhece. Com coragem para ir embora. Com impulsos, cabelos curtos, unhas pretas e possibilidades. Você só precisa me fazer rir. Ou estampar qualquer coisa de mim num cantinho escondido teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te documento enquanto você me atualiza. Você-novidade. Tiro o salto quase nunca usado, me molho na chuva, a bebida queima, te procuro na esquina. Levei todos esses parágrafos para contar do que não pode ser lido. Do que ninguém iria entender. Amanhã vejo uma coisa linda na rua, em meio à neblina, e me lembro de você. Anônimo. Basta meus olhos cheios da tua presença, por esses dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paris, cigarros displicentes. Palavras inventadas. Acontece que vai ver eu já esteja entregue. &lt;em&gt;Something&lt;/em&gt; vai se arrastando como trilha sonora. E você poderia vir. Me beijar devagarzinho, bagunçar meus cabelos enquanto faz um afago manso, me vestir de você, grudar teu cheiro em minhas mãos, usar algum elogio abusado e escrever ali, naquilo que chamam de alma, toda essa sua eficácia em me amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É diferente. Eu sou igual a todo mundo. E sinto. Sintosintosinto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3109637117012745950?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3109637117012745950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3109637117012745950&amp;isPopup=true' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3109637117012745950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3109637117012745950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/06/uniforme.html' title='Uniforme.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4340695307964372988</id><published>2010-06-06T18:22:00.007-03:00</published><updated>2010-09-05T10:50:15.338-03:00</updated><title type='text'>Apenas o Fim.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;- Isso é só o fim. O que importa já foi feito.&lt;br /&gt;- E agora?&lt;br /&gt;- Agora é o resto das nossas vidas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Trecho do filme: &lt;strong&gt;Apenas o Fim&lt;/strong&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Acabou de dar meia noite e eu escuto, baixinho, alguém tocar uma das mulheres de &lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt; no prédio ao lado. Abro a janela. &lt;em&gt;Joana Francesa&lt;/em&gt;. Passei por todos os cômodos desse lugar estranho e guardei o sono atrás da cortina vermelha. É em peixes, meu sol. Netuno, inspiração, idealismo, divino maravilhoso, não-explicação, sem fim. Eu tenho andado feliz. E sim, continuo falando de amor, escrevendo os mesmos textos de sempre, poetizando qualquer coisa que apareça e fingindo não ser romântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora acabei de equilibrar a doçura, nas pontas do pés. Consegue ver? Se eu deixar cair, espalha. Sorri no escuro ao lembrar minha infantilidade em procurar o vento, naquela época, para que as palavras chegassem suaves aos teus ouvidos. Fico feliz em notar que ainda carrego delicadeza nos dedos ao escrever a você. Não nos despedimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana peguei um táxi e passei do ponto porque simplesmente estava pensando que, ah!, são coisas muito bonitas nos esperando. E quando pisei no chão, primeiro com o pé esquerdo, deixei cair o pirulito de coração. Despedaçou-se enquanto tive uma certeza: eu vou te amar em todos os meus amores. Já não contesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia revi &lt;em&gt;Apenas o Fim&lt;/em&gt;. Cada diálogo foi como se compusesse nossa despedida. Foram coisas lindas. Coisas bobas. Coisas nossas. Ele você ela eu. Quis te mandar um torpedo, quando foi dito: &lt;em&gt;você é meu chicletinho mastigado.&lt;/em&gt; Não somente por ser a cara do que fomos, mas também porque interpretei de um jeito engraçado, sabe? É que vai ver o doce se perdeu, mas continua a grudar. Está grudado. Vai sempre ficar um pedaço, uma marquinha. Ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que não existe pedagogia para sentimentos. Eu tive febre. E passou. Passou aquela vontade de querer te ligar durante o sinal vermelho só para contar do que andou acontecendo. A vontade de te contar das minhas revoltas, das minhas mudanças. Ando tão madura, tão mais boba, mais eu, menos você. Passou a vontade de falar do medo que tive nos primeiros dias, de ser a cada hora menos você. Passou. Passou inclusive o meu sorriso contente ao me imaginar escrevendo e lembrando nós dois, num futuro, balbuciando entre um suspiro e outro, com uma voz muito concentrada no azul, a frase do poeta: &lt;i&gt;minha impressão é que tenho amado sempre.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ter/ser passado, hoje, quero pedir: não me devolva nada. Não me entregue tuas ternurinhas. Não me devolva tudo o que já te entreguei, agora, quando já não interessa. Você deixou a porta entreaberta, eu fechei. Fecho. Se abra inteiro, encontre alguma menina interessante, me deixe passar. O meu amor foi grande. É imenso. É sempre teu. Mas não mais vivemos juntos nele. Ainda penso conseguir um dia estar ao teu lado, saber te ouvir, arranhar teus ouvidos com meus sorrisos, ficar horas pendurada ao telefone. Me engano, assim, para doer menos. Já doeu demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a te querer bem. Respeito nosso relicário. Respeito você. Sempre que noto as coisinhas construídas que me foram deixadas, me sinto bem. Faz cócegas ter você me alicerçando. Amores de ontem, todavia, devem ficar na poesia intocável. Por isso afirmo que aqui, nesse parágrafo, estou me despindo de você. Deixo tudo. Vai haver um ponto final adiante, porque aprendi a usá-lo. Deixo aqui. Não aceito devoluções. Se não for teu, sempre será de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te abraço com calma, para que os corpos solucem todos os beijos que não foram dados. Te entrego alguma coisa bem bonita. Que todo o amor que deixei seja teu, ainda que levado por outro alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o coração jamais se apague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: O que importa, realmente já foi feito. E é nosso. Sempre seremos nossos, porque ninguém nunca nos terá igual. Nunca havia sido tão assim, eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4340695307964372988?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4340695307964372988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4340695307964372988&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4340695307964372988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4340695307964372988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/06/apenas-o-fim_06.html' title='Apenas o Fim.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-8881456949386065288</id><published>2010-05-12T20:07:00.007-03:00</published><updated>2010-06-01T20:57:22.901-03:00</updated><title type='text'>Fé cega, faca amolada.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada. Agora não espero mais aquela madrugada.&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser&lt;/span&gt; faca amolada. &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O brilho cego de paixão e fé&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, faca amolada. &lt;span style="font-size:180%;"&gt;Deixar a sua &lt;strong&gt;luz brilhar&lt;/strong&gt; e ser muito tranquilo&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-size:180%;"&gt;Deixar o seu &lt;strong&gt;amor crescer&lt;/strong&gt; e ser muito tranquilo.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar,&lt;/span&gt; faca amolada. Irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada. Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia. Beber o vinho e &lt;span style="font-size:130%;"&gt;renascer na luz de todo dia&lt;/span&gt;. A fé, a fé, &lt;strong&gt;paixão e fé&lt;/strong&gt;, a fé, faca amolada. O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada. Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia. &lt;span style="font-size:180%;"&gt;Deixar o seu &lt;strong&gt;amor crescer na luz&lt;/strong&gt; de cada dia.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo&lt;/span&gt;. O &lt;span style="font-size:130%;"&gt;brilho&lt;/span&gt; cego de&lt;span style="font-size:130%;"&gt; paixão&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-size:130%;"&gt;fé&lt;/span&gt;, faca amolada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Milton Nascimento]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;É por aí. Meu Deus, tem que ser por aí!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em transe, na voz dos &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=da18kGGkYjw"&gt;Doces Bárbaros&lt;/a&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;saio daqui, hoje, &lt;strong&gt;amando&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A tudo. A todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-8881456949386065288?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/8881456949386065288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=8881456949386065288&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8881456949386065288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8881456949386065288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/05/fe-cega-faca-amolada.html' title='Fé cega, faca amolada.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-70789378850134443</id><published>2010-05-10T13:42:00.005-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:52.484-03:00</updated><title type='text'>Glau.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Duas vezes amor, para a &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://na-varandaa.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;mineira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque o dia é dela, já nas primeiras horas vou conseguindo unir em letras todas as coisinhas que quero entregar. Minha luminária faz amarela apenas essa parede. Esse papel. É preciso que um sol seja escrito e caiba inteiro nessa manhã que chega dentro em algumas horas. Preciso enfeitar o dia para que ela acorde com várias cores entrando pelas frestinhas de sua janela. Um horizonte belo. Eu, aqui do lado de cima do mapa, fico brincando de medir com os dedos a distância física que nos alcança. Ignoro. Traço planos para abraçá-la. Escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos procurando as palavras mais lindas para amá-la, hoje, de um modo diferente. Por uma distração, tenho a certeza de sermos feitas da mesma matéria. Fomos colocadas no mundo uma com um pedaço da outra, para que houvesse a certeza de um encontro. Nos encontramos. Me encontrei nela. Ela, encontrou-se em mim. Veio um ano antes, para me explicar. Ela me explica. Eu a entendo. Sou a página da esquerda. Ela, a da direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para trás e vejo o primeiro abraço, há dois anos. Abraço de sonhos. De amores vividos, amores guardados, histórias, falar de si, doer em par, falar da vida. Do bom da vida. Descobrimos que não nos importamos em morrer de amores todas as semanas. Vivemos para isso. O coração dela carrega um manifesto estufado de poesias exageradas. Porque o lindo existe dentro da moça em quantidades desproporcionais. Na desproporção foi onde eu coube. Onde couberam minhas malas. Meus segredos. Meu amar primário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um dia um momento de silêncio, respeitado por ambos os lados. Eu quem rasguei. Pensei que houvesse retalhado cada vírgula já sonhada. Costurei outra vez. Costurei desajeitadamente, quando ela voltou e saiu pingando reticências naquilo que nunca foi ponto. Nesse dia me assustei: Glau era a minha interpretação para qualquer coisa que se denomine doce. É o motivo da minha ida ao belo horizonte, para encontrá-la. Um abraço materializado, motivo de ternurinhas derramadas em todas as histórias que partiram dali. Meu amar segundo. É o motivo pelo qual escureço essa folha branca, hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motivo de um querer bem. Motivo de um sorriso terno. Motivo de um sustento, quando aquele amor teve que ir embora. O meu, o dela. Da ausência de pudor em demonstrar toda a dor sentida. Motivo de alguns dos e-mails mais lindos que já recebi e escrevi na vida inteira. Quando escrevo para ela, pareço escrever para mim mesma. Ela abre minhas metáforas. Eu a desenho. Eu choro todas as minhas verdades e ela me acolhe com tantos braços quanto forem possíveis. Eu a encontro brotinho e saio flor. E eu torço tanto por ela! Para que as coisas sejam as mais delicadas possíveis e que saibam caber direitinho nos cantos onde ela precisa. Torço para que a vida faça festinhas sem necessidade alguma, só para que ela sorria. É importante que ela sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante que eu continue a rir da cara dela enquanto ela se desespera e vive noites insones por conta de um amor imenso. E lindo. É importante que ela xingue e tome decisões que vai esquecer de cumprir no dia seguinte. É importante deixá-la tensa vendo verdades nas loucuras que ela enumera. Importante que ela saiba que fico comendo meus esmaltes enquanto aguardo os resultados de toda e qualquer estripulia às quais ela se submete. É importante apoiá-la sempre. Importante que ela entenda essa minha coisa de ser maria-pão-de-queijo [porque, cara, o que são os mineiros, an?]. Importante que ela chegue em casa com calos nos pés, de tanto dançar, enquanto me conta todas as novidades. Importante que ela tenha me levado à rodoviária e tenha segurado minhas mãos geladas ao subir as escadas para amar de perto. Importante que ela compre todos os filmes da cidade e me convide para assistir e ficar de perna para cima. Importante que ela me chame de &lt;em&gt;nega&lt;/em&gt;. Importante que ela ame &lt;em&gt;Friends&lt;/em&gt; e não ligue para o meu jeito meio Mônica de ser. Importante tê-la estressada com o trabalho, com a fase final da faculdade, com as viagens planejadas. Importante é acreditar nela. É que tudo dê certo, porque eu sei que vai dar certo. É que ela saiba ser dona do melhor abraço do mundo. É que ela saiba que toda a simpatia que transborda daquele sotaque é que me fez montar uma casa dentro dela. Importante é fazer parte de tudo o que ela compõe. É poder dizer que ela é a minha mais amiga loira. O meu grande amor mineiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo agora já desconfiando que hoje será mais um dia onde colocarei os pés para fora de casa e olharei o muro ao lado com a velha interrogação de sempre: &lt;em&gt;por que Glau não é minha vizinha?&lt;/em&gt; Mas depois vou lembrar que hoje, mais que todos os dias, ela está em tudo. Em minhas saudades, principalmente. E vou agradecer. É tão bom tê-la em minha vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso dela para que a vida se misture e tenha trilha sonora de forró, xote, samba, sonho, festival de cachaça, comida de boteco, sol infernal de Belo Horizonte, praça da Liberdade. Preciso pela liberdade em sermos quem somos, sem precisar dosar. De sermos crianças, sermos chatas, sermos gayzinhas e amaramaramar contando tudo uma a outra, sermos rabugentas, dizermos da infância, sonharmos um futuro. Preciso dela para ser feliz. Com ela. Por ela. Ela chega até aqui. Chegava até o norte. Eu estou no sudeste. Ela é minha praia nas Minas Gerais. Todo o meu amor pelas Minas Gerais. E uma razão pela qual a Bahia se enfeita azul, nesse dia &lt;strong&gt;dez de maio&lt;/strong&gt;. Dez vezes encanto, enquanto amanhecemos por dentro, vendo todo esse teto lá fora sendo tela para &lt;strong&gt;vinte e quatro&lt;/strong&gt; estrelas. Estrelas amadurecendo para despencar nela, confirmando tudo o que cintila enquanto traça seus caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu amo você, pretinha. Amo duas vezes. Do jeito mais bonito que consigo. E sem jeito também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma aqui, então. Leva meu abraço em todas essas letras. E meu sorriso de cinco meses atrás, enquanto preparamos o próximo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Agora vai ser feliz,&lt;br /&gt;tres-lou-ca-da-men-te f e l i z,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Nm8CdzMDH-s&amp;amp;feature=player_embedded#!"&gt;P.S.:&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Feliz Aniversário, envelheço na cidade!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-70789378850134443?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/70789378850134443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=70789378850134443&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/70789378850134443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/70789378850134443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/05/glau.html' title='Glau.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3812092991207164625</id><published>2010-04-13T21:19:00.022-03:00</published><updated>2010-07-13T20:34:31.528-03:00</updated><title type='text'>Interfone.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Eu nem vejo a hora de lhe dizer&lt;br /&gt;aquilo tudo que eu decorei&lt;br /&gt;e depois o beijo que eu já sonhei&lt;br /&gt;você vai sentir, mas&lt;br /&gt;por favor, não leve a mal&lt;br /&gt;eu só quero que você me queira&lt;br /&gt;não leve a mal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Ando meio desligado - Arnaldo Baptista/ Rita Lee/ Sergio Dias]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chego em frente ao prédio, aperto o 212. &lt;em&gt;Sobe&lt;/em&gt;, você diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não subo. Não subo porque talvez eu acabe deixando nas escadas tudo o que quero entregar, já que não ando mesmo de elevador. Pensei que o ônibus nunca chegaria aqui. Os quinze minutos nunca foram tão longos. É que eu tava em casa e tá chovendo e as janelas estavam todas muito tristes e eu estava lendo um livro e me distraí olhando para a parede e comecei a lembrar de você. Tô falando muito &lt;em&gt;e&lt;/em&gt;? Não importa. O fato é que te imaginei sozinho, meu par de brincos ao lado do telefone, e não quis te ligar porque não faço ligações com trovões e relâmpagos soltos por aí. Você ri. Te imaginei deitado no sofá com os pés para cima, pés cobertos por aquela meia branca que você usa quando faz frio. E de repente imaginar você me pareceu mais interessante que a leitura a ser feita. Eu não sabia o que fazer, desci e peguei um ônibus que me trouxesse até aqui. Não sei ainda ao certo o que quero dizer, apesar de já ter falado bastante. Continua me ouvindo, sim? Tava pensando se o corte no seu dedo já melhorou. Escondi amor dentro dele para que quando a cicatriz se fechasse você ficasse comigo aí, dentro de você. Parece papo de gente obsessiva, eu sei. Você já recebeu alguma declaração por interfone? Não, não tô me declarando. É só que, sabe? É, eu passei as mãos nos cabelos. Dá pra parar de me interromper? Sim, joguei as mãos para baixo naquela pose irritadinha. Agora, se você inventar de decifrar meus gestos isso não tem o menor sentido. Posso continuar? Pois é. Antes de pegar o ônibus comecei a pensar em coisas tristes, porque eu tava me sentindo pesada e chorar sempre me esvazia. Não enche, tá? Eu queria muito chorar. Fui cortar cebolas e não deu muito certo. Outro dia precisei ir ao aeroporto. Chorei na escadaria, porque lá é normal todo mundo chorar sem porquê algum e ninguém iria me pedir motivos para ouvir essa resposta insana e logo em seguida me olhar com uns olhos de repreensão. Hoje não consegui chorar. Você ficou mudo agora, provavelmente deve estar sentindo. No fim das contas, nada mais importa. Não sei. Você me complica. E me xinga de um jeito tão tresloucado que eu só sinto vontade de te beijar. É como essa minha coisa boba de te apertar quando você sente raiva de alguma coisa. Gosto de quebrar tuas defesas e acho lindo o modo como você coça os cabelos e diz: &lt;em&gt;fodeu!&lt;/em&gt; Provavelmente é o que você está pensando agora. E eu também. Cara, o que é que eu tô fazendo aqui, hein? Sim, continuo. Sei que você sabe que leio bulas de remédio e todos os manuais de lá de casa. Sei que acha bonitinha a forma como os papéis se enchem de estrelinhas mal desenhadas enquanto falo ao telefone. Eu dou risada quando você insiste em ler minhas mãos e conta de como nossas linhas são diferentes. E você fala do cheiro de canela que exalo, e depois desce a ladeira de um jeito tão bonito que eu penso que a cidade inteira foi construída só para caber você. E eu escrevo. E você me olha. Você morde a tampa da caneta e fala muito rápido quando me nota te olhando como se não houvesse mais nada a ser olhado no mundo todo. Não existe. Eu sorrio. Você sorri. E eu fico pensando em te chamar para sair porque parece que o inverno tá chegando depressa, cheio de ciúmes do outono. Eu canto músicas para você mesmo sem saber cantar. Você ouve porque é legal. Eu sei, não precisa dizer. Sim, aqui embaixo tá frio pra caralho. Não, não quero subir. Acontece que eu gesticulo muito enquanto converso com você e sempre preciso de uma coisa nas mãos. Você pergunta porquê. Digo: é a vontade de te tocar. Porque,&lt;em&gt; baby&lt;/em&gt;, eu preciso muito tocar você. E talvez eu não conheça teu gosto, nem você o meu. A gente insiste. Seu rosto é lindo e você vive desenhando meu corpo em tuas retinas. E aí tem também a banda que passa cantando coisas de amor nessas madrugadas onde as noite ficam amarelinhas, e o amor nem é nosso, porque a gente não se ama. A gente não sabe se ama. Sei que gosto de como você tira sarro da minha lerdeza em fazer contas que nunca dão o resultado exato. E também que fica charmoso tentando me acalmar diante do meu nervosismo com qualquer avaliação. Acontece que já me acostumei a decifrar tua sobrancelha em pé a cada mentira mal disfarçada que finda numa gargalhada gostosa. Gosto de saber quais são as palavras que você mais usa. A cara que vai estar fazendo quando atender o telefone. A maneira como faz soar a campainha a cada vez que se anuncia. Detalhezinhos, &lt;em&gt;baby.&lt;/em&gt; É como quando você usa aquele &lt;em&gt;ray ban&lt;/em&gt; e me deixa imaginando como estarão teus olhos naqueles instantes. E, além de tudo, eu penso muito em você. Quando eu como pimenta, quando minha mãe me liga aos domingos, quando leio &lt;em&gt;Bukowski.&lt;/em&gt; Você é safado, sacana, sensível, sexy. Você me faz sofrer. E eu até gosto quando eu toco a porta do teu apartamento e você me observa pelo olho mágico me deixando sem graça por puro prazer em me ver tímida. Eu penso em você enquanto escuto &lt;em&gt;Caetano, Novos Baianos, Tropicália, Secos e Molhados&lt;/em&gt;. E tem isso de você dormindo entre meus seios, esse cheiro que mora no meu colo quando você se esquece em mim. E aquele bêbado que casou a gente naquela praça cinza com uns anéis das latinhas de cerveja. Tem também o céu, tem o sol. Tem aquelas coisa escritas na parede do meu quarto, por você. Tem o seu casaco me protegendo do frio. Tem os abraços no cinema. Os amassos no cinema? É, verdade. E sim, tem o moço do sax com sotaque indecifrável desejando muita luz. Tem o jeito como você me puxa com as pernas, tua imagem fazendo carinho em meus olhos, aquela sacola de beijos lascivos que nunca acabam. Tem você fingindo não escutar minhas coisinhas de amor só para me ouvir repeti-las. Tem eu sorrindo de nada ao lembrar de você, gerando perguntas do tipo: &lt;em&gt;do que você está rindo?&lt;/em&gt; Você é a maioria dos meus motivos. São os morangos nos bolos de chocolate que a gente promete nunca mais comprar. E de vez em quando eu fico assim, querendo fugir com você num vagão desses trens de carga, só para podermos conversar e sorrir e sonhar e realizar achando que ainda sonha, entende? Porque é lindo você dormindo feito menino, e a maneira agridoce como acorda de madrugada e observa a lua escorregando em meu ventre enquanto buscamos o singular em meio às nossas pluralidades. Você cheirando meus cabelos, eu perdida em tua nuca. E eu vejo o amanhã e imagino a gente usando o banheiro de portas abertas. Não ri. Você me imagina fazendo café de calcinha e usando tua blusa? É exatamente isso. É deitar na cama, lado a lado, olhando para o teto, e trocar confidências do tipo: quantas pessoas já passaram por nossas camas e bobagenzinhas semelhantes que geram ciúmes infantis. E no dia seguinte, te beijar sem escovar os dentes. A gente poderia entender. Poderia se dar bem. E eu tenho medo, entende? Mas de repente fica tão fácil ser eu, com você. É que eu chego a pensar em casamento. Chego a achar que isso tudo é pura vontade de Deus, dos Deuses, da natureza. Essa coisa toda. Calma, não surta. Quem tá aqui falando com uma parede e tomando chuva na calçada sou eu. Você não tá vendo a cara das pessoas que passam. Enfim. Muito provavelmente isso tudo seja também um estúpido engano de amor. Algo para zombar da poesia. E sim, é essa vontade de ser poeta, para te ter em versos. De ser desenhista, bailarina. E, ao mesmo tempo, desejar não ser quem sou, assim, louca, a ponto de te amar. É por aí. No mais, &lt;em&gt;não sei, leia na minha camisa. &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Baby, baby, I love you...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;________________&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Na mesa, com Glau e Mila, &lt;em&gt;depois da primeira dose&lt;/em&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;as coisas ficam &lt;a href="http://depoisdaprimeiradose.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;assim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3812092991207164625?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3812092991207164625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3812092991207164625&amp;isPopup=true' title='45 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3812092991207164625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3812092991207164625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/04/interfone.html' title='Interfone.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>45</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1371500518632724962</id><published>2010-04-02T00:36:00.028-03:00</published><updated>2011-04-25T18:38:28.443-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dulce.'/><title type='text'>Poema sujo: Leo.</title><content type='html'>&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Um coração lascado &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e duas doses de amor no chão.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele usava óculos. Sempre fui fissurada em caras que usam óculos. Mas não era só isso. Foi também o modo como ele se encostou no poste e a blusa xadrez por cima da calça surrada. Talvez tenha sido a maneira como segurava o cigarro entre os dedos compridos e a feição que sua boca adquiria a cada trago. A fumaça suspirada. A medida do Bonfim no pulso esquerdo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos se largaram nele e decidi que tinha de buscá-los. Nos encontramos então ali, no cruzamento daquelas duas avenidas que não se conhecem. Perguntei se ele tinha fogo. &lt;em&gt;Tenho. Me acende&lt;/em&gt;. Acendeu. E o isqueiro vermelho virou brinquedo em suas mãos enquanto nos sentamos no meio-fio daquele boteco. As sobrancelhas dele me sorriam. Retribui. Conversamos vigiados por uma e outra janela das casas e edifícios ao redor. O céu era nublado. A bebida era gelada. O cigarro estava aceso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três batidas de limão depois, talvez ele começasse a me achar muito louca. Sexo, culturas fúteis, solidão, astrologia, eu não sei. Eu falava sem parar. Três batidas de limão depois e eu precisava de amor. Três batidas de limão, ele, eu e depois. Sorri pela primeira vez. Ele incomodava meus lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber, eu já o imaginava tomando café encostado na cortina do meu quarto numa noite que ventaria muito. Eu me senti maior. Ou talvez o mundo tenha diminuído. Talvez, naquele instante, tenhamos descoberto nossos mundos. Numa vontade infantil, beijei-lhe as pálpebras. Os olhos castanhos desse rapaz começaram a me invadir. Gargalhei por dentro. Gargalhei da minha tentativa frustrada de esvaziar o mar com um balde furado. Era mais ou menos assim. Mais assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa conversa de perto, insustentados pela leveza, lembro quando ele disse gostar das minhas cores e da maneira como minha roupa andava. Eu usava saia e meia-calça pretas. Blusinha branca, tela para o que a noite pintasse. Os cabelos soltos, ao vento. Sem maquiagens, sem máscaras. Ele me via em cores. Eu era preto e branco. Choviam elipses enquanto borboletas bêbadas iam me perturbando a garganta. Tive uma curiosidade de outros tempos em olhá-lo por dentro. Senti ciúmes. Quis saber sonhá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mesa esvaziou e tratamos de ocupá-la. Lembro de como ele se levantou, bebendo o mundo a doces goles e tentando falar bonito sobre toda a ausência de sentido em sentir. Me confessou semanas depois que nesse momento, ao me ter mais perto, ele soube que treparíamos dali a alguns dias. Eu também soube. Enquanto ele comia amendoim e &lt;em&gt;Gal&lt;/em&gt; cantava &lt;em&gt;Baby&lt;/em&gt;, eu soube. Soube ainda quando senti inveja dos seus cílios brincando uns com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu reflexo viveu em suas lentes. E era absurda a quantidade de coisas lindas que iam sendo despejadas em cima daquela mesa plastificada. Meu pedido era que ele houvesse me fundado dentro em si. Era nascer nele, para mim. Meu coração tava batendo. Porra, sabe? Sinais. Sinos. Era um samba, um samba. Era a noite indo embora e um bilhete, quando voltei do banheiro: &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Passeia entre os poemas rasgados em cima da mesa,&lt;br /&gt;em nome de cada amor que se ergue nessas paredes manchadas.&lt;br /&gt;Passeia para depois descansar em mim.&lt;br /&gt;Descansa em mim, coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atrás, um número de telefone. Fiquei por mais alguns minutos. Pensei bobeiras. Pensei em como ele caberia na minha sala, decorando meu apartamento. Tive uma vontade boba de que lavássemos roupas juntos. De tê-lo amassando minha cama. Tive medo de atrasar o amor, de que ele esquecesse de começar. Naquela cadeira de ferro, amarela e gelada, torci cachos inexistentes. Minhas retinas se afogaram, momentaneamente. Engarrafei poesia para ser entregue um dia. Se viesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois, telefonei. &lt;em&gt;Leo, Isabela&lt;/em&gt;. Apesar de não saber meu nome até então, ele soube que era eu. Nossos dedos se buscaram entre as linhas. Entrelinhas. A vida falada, uns silêncios, nossa respiração se abraçando. Um novo encontro, aqui. Era noite, ele chegou. Eu, ausente de mim que era, cheguei ao mesmo tempo. Pela maneira como o cabelo caiu em minha testa, ele soube: eu estava pronta. Descansar, enfim. Viver de repente pareceu fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos. Naquela noite, Leo cheirava às reuniões de porta aberta na casa de &lt;em&gt;Vinicius&lt;/em&gt;. Um puta cheiro de inefabilidades. Ele segurou minhas mãos. Contei que precisava que ele segurasse minhas mãos. Que entendesse minha ausência de romantismo falado, praticado. Eu só precisava que ele segurasse minha mãos, assim, enquanto ficávamos sentados no corredor do sétimo andar, em frente ao elevador. Era o momento onde meu coração descia para a palma da mão e o amor escorregava para as pontas dos dedos. Ali, eu entregava tudo. Aqui, fico cavando um espaço para poetices. Fico contando, cantando, porque, cara, eu precisava falar disso tudo. Minha língua já não pousava nas palavras que sabia. Era uma anestesia louca de carinhos: todos os amores sendo arrumados para que coubesse ele. Meu amores são todos guardados, na composição deles é onde me encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia ele me trouxe uma frase feita com meu nome. Usei de todos os neologismos para traduzi-lo. Ineficaz. Corria o risco de voltar para casa ausente de braços. Ele tentava me ensinar a dizer o amor. &lt;em&gt;Drummond&lt;/em&gt; soltou meus cadeados, por ele. Porque, &lt;em&gt;Isa, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será&lt;/em&gt;. Nós não sabíamos. Mas,&lt;em&gt; hoje beija? Me beija!&lt;/em&gt; E ponto. Alcancei seus lábios e cobri todos os nomes que ali moravam. Ele me abraçava rascunhando todos os contornos do meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, abri os olhos e havia sido deixado nos lençóis esse eco de sorriso. Paixão saltando da janela. Uma coisa que dizia que a gente deve ser feliz. Uma vontade de viver mais, de se cuidar mais. Uma necessidade de plantar uma flor. Deixou-se, em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão mais tarde, descobri-o sendo minha insanidade etílica. Minha ressaca mais lírica. Esvaziar de garrafas, encher de cinzeiros. Equilibrei minha falta de métrica e ele escolheu aconchegar-se em meus cantos. Espalhou-se. Eu precisava muito me encantar absurdamente com qualquer coisa antes que acabasse a sexta-feira. Me encantei. Ele se propôs a deitar entre as vírgulas e pontos desse texto. Tudo era linha nova cosendo meu coração de retalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ele esteja agora mais distante que as nuvens. As nuvens, as nuvens eu vejo. Aprendi, ali mesmo, a amá-lo poeira. Leo tinha um rosto de primeiro beijo. É lindo sê-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;_________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabela já escreveu a Leo, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://liricass.blogspot.com/2010/01/leo.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;Hoje, escreveu sobre.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1371500518632724962?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1371500518632724962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1371500518632724962&amp;isPopup=true' title='44 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1371500518632724962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1371500518632724962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/04/um-poema-sujo-leo.html' title='Poema sujo: Leo.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3902980570728878394</id><published>2010-03-19T00:00:00.009-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:37.083-03:00</updated><title type='text'>Vinte e três.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;É isso a vida? Então, de novo ela!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fritz&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, o barbudo].&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuo a mesma. Continuo no mesmo endereço de um ano atrás. Continuo com a mesma árvore de folhas sempre &lt;span style="font-size:130%;"&gt;verdes&lt;/span&gt; na calçada. O mesmo muro de &lt;strong&gt;pedras&lt;/strong&gt; que resolvem brilhar à &lt;span style="font-size:130%;"&gt;noite&lt;/span&gt; refletindo a &lt;span style="font-size:130%;"&gt;luz&lt;/span&gt; da lua. Continuo na mesma &lt;span style="font-size:130%;"&gt;casa&lt;/span&gt; de tons pastéis. Continuo com a mesma &lt;span style="font-size:130%;"&gt;janela&lt;/span&gt; que dorme aberta e os mesmos &lt;span style="font-size:130%;"&gt;incensos&lt;/span&gt; acesos em noites onde são &lt;strong&gt;necessários&lt;/strong&gt;. Continuo com o mesmo nome, o mesmo sobrenome, RG, CPF, só transferi o título. Continuo com o mesmo celular. Continuo com o mesmo jeito direto que &lt;strong&gt;assusta&lt;/strong&gt; algumas pessoas. Continuo a mesma &lt;span style="font-size:130%;"&gt;boba&lt;/span&gt; que sorri de nada. Que faz bico quando chora. Continuo com o mesmo jeito &lt;strong&gt;tímido&lt;/strong&gt;. Continuo com a mesma &lt;strong&gt;cautela&lt;/strong&gt;. Continuo com um &lt;span style="font-size:130%;"&gt;exagero&lt;/span&gt; abusado e um &lt;span style="font-size:130%;"&gt;drama&lt;/span&gt; para achar &lt;span style="font-size:130%;"&gt;graça&lt;/span&gt;. Continuo falando &lt;span style="font-size:130%;"&gt;bobagens&lt;/span&gt;. Continuo acreditando nos &lt;strong&gt;amores&lt;/strong&gt;. Continuo quebrando a cara. Continuo brincando de ser &lt;span style="font-size:180%;"&gt;feliz&lt;/span&gt;. Continuo eternizando &lt;span style="font-size:130%;"&gt;letras&lt;/span&gt;. Continuo a ver &lt;em&gt;São Jorge&lt;/em&gt; na &lt;span style="font-size:130%;"&gt;lua&lt;/span&gt; cheia. Continuo com minhas insônias. Continuo com minhas defesas, &lt;span style="font-size:130%;"&gt;medos&lt;/span&gt;, desesperos. Continuo vivendo muito para dentro. Continuo sem paciência para o social. Continuo com umas ondas de velhinha. Vez ou outra dou uma de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=g3X1p9Qu2kg"&gt;João Gilberto&lt;/a&gt;. Continuo crítica, principalmente comigo mesma. Continuo &lt;strong&gt;azeda&lt;/strong&gt;, mas muito doce quando &lt;span style="font-size:130%;"&gt;doce&lt;/span&gt;. Continuo do contra e adoro discordar para pirraçar. Continuo tomando &lt;em&gt;dramin&lt;/em&gt; para &lt;span style="font-size:130%;"&gt;viajar &lt;/span&gt;e viro a pessoa mais imbecil do mundo sob o efeito dessa droga. Continuo a fazer aquela vozinha &lt;em&gt;cuticuti &lt;/em&gt;quando converso (?) com bebês. Continuo séria. Continuo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;sorriso&lt;/span&gt;. Continuo a tomar o microfone só para mim quando tem um videokê por perto. Continuo com o joelho esquerdo me perturbando. Continuo a fazer telefonemas de &lt;span style="font-size:130%;"&gt;carinho&lt;/span&gt; ali no quintal, olhando para o &lt;span style="font-size:130%;"&gt;céu&lt;/span&gt;. Continuo viciada em pão de queijo e a achar &lt;em&gt;Friends&lt;/em&gt; o melhor seriado. Continuo a reclamar do &lt;span style="font-size:130%;"&gt;calor&lt;/span&gt;. E se faz frio, reclamo do &lt;span style="font-size:130%;"&gt;frio.&lt;/span&gt; Continuo a preferir o inverno. Continuo fã de &lt;strong&gt;sorvetes&lt;/strong&gt;. Continuo a soprar &lt;strong&gt;cílios&lt;/strong&gt;. Continuo a me &lt;span style="font-size:180%;"&gt;apaixonar&lt;/span&gt; todos os dias. Continuo a sofrer para pisar no chão e deixar a &lt;span style="font-size:130%;"&gt;fantasia &lt;/span&gt;de lado. Continuo descaradamente&lt;span style="font-size:130%;"&gt; pisciana&lt;/span&gt;. Continuo com umas &lt;span style="font-size:130%;"&gt;coragens insanas&lt;/span&gt;. Continuo a &lt;span style="font-size:130%;"&gt;irmã&lt;/span&gt; mais velha de Éden, Daniel, Sofia, Clara, Pedro, Rebeca e Amanda. Continuo a perder a conta quando me perguntam quantos irmãos tenho. Continuo sendo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;várias&lt;/span&gt;, depende de quem me chama. Continuo a soletrar meu nome em todo canto. Continuo a saber que é meu nome que será chamado quando aparece uma trava na boca das pessoas que leem o papel. Continuo louca por&lt;span style="font-size:180%;"&gt; abraços&lt;/span&gt;. Continuam a cantar a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=AnFnUUxN7lM"&gt;música&lt;/a&gt; de &lt;em&gt;Chico César&lt;/em&gt; para mim, quando me conhecem. Continuo a sorrir dizendo que não tem nada a ver. Continuo a &lt;strong&gt;fingir&lt;/strong&gt; que não tenho medo de avião. Continuo a fazer &lt;span style="font-size:180%;"&gt;poesia&lt;/span&gt; dentro do ônibus. Continuo a me preocupar com as revoltas naturais do mundo. Continuo filiada ao &lt;em&gt;Greenpeace&lt;/em&gt; e também à &lt;em&gt;WWF&lt;/em&gt;, por não encontrar maneiras mais ativas de ser solidária nesse ponto. E continuo não gostando de animais. Continuo travada nos &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;euteamos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Continuo com o mesmo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;perfume&lt;/span&gt;. Continuo na academia. Continuo a trocar baladas por &lt;strong&gt;cinema&lt;/strong&gt;. Continuo a ter nojinho de piscina. Continuo a enxergar em &lt;strong&gt;Minas Gerais&lt;/strong&gt; um lugar que é abraço. Continuo louca pela minha &lt;span style="font-size:180%;"&gt;Bahia&lt;/span&gt;. Continuo a cobrir meu &lt;span style="font-size:130%;"&gt;corpo&lt;/span&gt; inteiro quando durmo à noite após um filme de terror. Continuo a achar mesmo que o cobertor me protege, nessas situações. Continuo obviamente &lt;strong&gt;besta&lt;/strong&gt;. E &lt;strong&gt;chata&lt;/strong&gt;. Continuo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;observadora&lt;/span&gt; demais. Continuo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;calada&lt;/span&gt; quando muita gente fala ao mesmo tempo. Continuo a criar&lt;span style="font-size:130%;"&gt; histórias&lt;/span&gt; para pessoas desconhecidas enquanto sento num banco qualquer pelas &lt;span style="font-size:130%;"&gt;praças&lt;/span&gt;. Continuo essencialmente &lt;span style="font-size:130%;"&gt;MPB e bossa.&lt;/span&gt; Continuo sempre com um &lt;em&gt;trident&lt;/em&gt; de canela na bolsa. Continuo a demorar para responder e-mails. Continuo a escrever &lt;span style="font-size:130%;"&gt;cartas&lt;/span&gt;. Continuo a achar &lt;span style="font-size:130%;"&gt;estranho&lt;/span&gt; unhas dos pés pintadas de vermelho. Continuo a tomar banho de chinelo. Continuo a escovar os dentes com a mão esquerda na cintura. Continuo com a &lt;span style="font-size:130%;"&gt;letra&lt;/span&gt; pequenininha. Continuo a procurar erros de português em todos os cantos. Continuo a me &lt;span style="font-size:180%;"&gt;sentir&lt;/span&gt; nua sem brincos. Continuo&lt;strong&gt; sarcástica&lt;/strong&gt;. Continuo ótima ouvinte. Continuo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;sensível&lt;/span&gt; demais. Continuo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;insensível&lt;/span&gt; demais. Continuo a dizer que &lt;em&gt;De onde vem a Calma&lt;/em&gt; é a &lt;span style="font-size:130%;"&gt;fotografia&lt;/span&gt; do meu lado de dentro. Continuo achando quarta-feira o melhor dia da semana. Continuo acumulando leituras indicadas. Continuo a achar que &lt;span style="font-size:130%;"&gt;chuva&lt;/span&gt; forte é aplauso. Continuo com inveja das pessoas que gostam de café e amendoim. Continuo a me &lt;span style="font-size:180%;"&gt;encantar&lt;/span&gt; com &lt;strong&gt;ternurinhas&lt;/strong&gt;. Continuo a ter gastura de pessoas cantando inglês errado. Continuo a ganhar o dia quando me dizem que andei engordando. Continuo a ter medo de panela de pressão. Continuo sem beber refrigerantes, sem &lt;em&gt;orkut, formspring, twitter, facebook&lt;/em&gt;. Continuo sem cachos. Continuo a não usar batom. Continuo a achar &lt;a href="http://liricass.blogspot.com/2008/02/para-uma-menina-com-uma-flor.html"&gt;&lt;em&gt;Para uma menina com uma Flor&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; um dos textos mais &lt;span style="font-size:130%;"&gt;lindos&lt;/span&gt; do mundo. Continuo preferindo a calça&lt;em&gt; jeans&lt;/em&gt;. Continuo a ver duplo sentido em quase tudo. Continuo a achar melancia uma fruta alegre, porque cada talhada é um sorriso. Continuo achando que preciso usar óculos. Continuo com preconceito &lt;span style="font-size:130%;"&gt;musical&lt;/span&gt;. Continuo com &lt;span style="font-size:130%;"&gt;preguiça&lt;/span&gt; de gente. Continuo com &lt;span style="font-size:180%;"&gt;saudades&lt;/span&gt; imensas de &lt;strong&gt;Roraima,&lt;/strong&gt; daquele monte de verde e dos amores que lá permanecem. Continuo a babar horrores com a bala &lt;em&gt;7 belo&lt;/em&gt;. Continuo a sorrir quando vejo uma câmera fotográfica. Continuo a não saber dar&lt;span style="font-size:130%;"&gt; parabéns&lt;/span&gt; além do básico: &lt;em&gt;parabéns!&lt;/em&gt; Continuo a gostar de acarajé quando o dia tá indo embora. Continuo preferindo coxinha a brigadeiro. Continuo a sentar na &lt;span style="font-size:130%;"&gt;grama&lt;/span&gt;. Continuo a me &lt;span style="font-size:130%;"&gt;tranquilizar&lt;/span&gt; quando a chuva cai lá fora. Continuo na minha &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;sozinhez&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Continuo a brigar com minha escolha profissional. Continuo a pedi-la em casamento todos os dias. Continuo a achar que &lt;em&gt;catchup&lt;/em&gt;, purê de batatas e &lt;em&gt;diamante negro&lt;/em&gt; são invenções dignas. Continuo a ficar com a cara amarela quando chupo manga. Continuo a &lt;em&gt;tchutchar&lt;/em&gt; o pão no prato de sopa. &lt;span style="font-size:180%;"&gt;Continuo&lt;/span&gt; a achar que &lt;em&gt;pra caralho&lt;/em&gt; é uma expressão que intensifica as coisas pra caralho. Continuo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;pagã&lt;/span&gt;. Continuo a ter que me cobrir da cintura até os joelhos, mesmo que o calor seja imenso, ou então não durmo. Continuo a não ser mulherzinha. Continuo a não ter amigas mulherzinhas. Continuo com as pernas inquietas que &lt;span style="font-size:130%;"&gt;dançam&lt;/span&gt; debaixo da mesa. Continuo a ter &lt;span style="font-size:130%;"&gt;crises&lt;/span&gt; de enxaqueca durante implosões. Continuo a tirar o esmalte com os dentes deixando o chão cheio de pontinhos &lt;span style="font-size:130%;"&gt;vermelhos&lt;/span&gt;, quando ansiosa. Continuo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;solta&lt;/span&gt;. Continuo amante de &lt;span style="font-size:130%;"&gt;praias&lt;/span&gt;. Continuo a usar &lt;em&gt;close-up&lt;/em&gt; verde. Continuo a ficar&lt;span style="font-size:130%;"&gt; tonta&lt;/span&gt; na rede. Continuo monstra quando acordo e mais ainda quando sinto&lt;span style="font-size:180%;"&gt; dor.&lt;/span&gt; Continuo achando a acústica do banheiro algo sensacional. Continuo a contar meus mais &lt;span style="font-size:180%;"&gt;amigos&lt;/span&gt; nos dedos da mão direita. Continuo com doses de &lt;span style="font-size:130%;"&gt;melancolia&lt;/span&gt;. Continuo a &lt;span style="font-size:180%;"&gt;voar&lt;/span&gt; para dentro das pessoas quando vejo &lt;strong&gt;pedacinhos&lt;/strong&gt; meus por lá. Continuo a ver um lado escondido quando o espelho me &lt;span style="font-size:130%;"&gt;enfrenta&lt;/span&gt;. Continuo a chorar de repente, do &lt;span style="font-size:130%;"&gt;avesso&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-size:130%;"&gt;florindo&lt;/span&gt;. E depois, planto sorrisos. Continuo a me gastar de maneiras &lt;span style="font-size:130%;"&gt;lindas&lt;/span&gt;. E a contabilizar meus pedaços assim, todo dia dezenove de março. Que eu escolhi para meu. Que me recebeu, com suas &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=jYLoxMtnUDE"&gt;águas&lt;/a&gt;. Toda essa promessa de &lt;span style="font-size:180%;"&gt;vida&lt;/span&gt;. E vários &lt;span style="font-size:130%;"&gt;corações&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Inspirado na sequência de &lt;em&gt;Fabrício Carpinejar&lt;/em&gt;, em: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;No Mesmo Lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Para deixar &lt;em&gt;as coisas tão mais lindas&lt;/em&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;teve &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;amor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; despencando &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://aclarameninaclara.blogspot.com/2010/03/19-de-marco-de-2010.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://na-varandaa.blogspot.com/2010/03/eu-baiana.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3902980570728878394?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3902980570728878394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3902980570728878394&amp;isPopup=true' title='50 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3902980570728878394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3902980570728878394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/03/vinte-e-tres.html' title='Vinte e três.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>50</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7391576186840760272</id><published>2010-03-13T00:29:00.011-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:45.112-03:00</updated><title type='text'>Trocando em miúdos.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Eu bato o portão sem fazer alarde&lt;br /&gt;Eu levo a carteira de identidade&lt;br /&gt;Uma saideira, muita saudade&lt;br /&gt;E a leve impressão de que já vou tarde.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Chico/ Francis Hime - &lt;strong&gt;Trocando em miúdos&lt;/strong&gt;]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu fico abraçada aos discos antigos. O violão me espia, mudo. Espalho papéis no chão e passeio entre todas essas letras caladas. Me debruço sobre versos já tantas vezes lidos e &lt;i&gt;me alugo para sonhar&lt;/i&gt;, como o poeta da solidão. O incenso queimou. Já não lembro teu cheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardei a dor em casa e vim ao teu encontro. É aqui, nessa folha branca, que eu te amo. Cultivo um perfil desbotado de sorrisos, desabitado de carícias, mas te permito em meus olhos. Eu subo as escadas, mochila nas costas e o apartamento se manifesta com inúmeras coisinhas desmaiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um passo a mais, o espelho. Minha ternura por minha imagem apenas por te saber havido ali dentro, refletido há algumas horas. Cabelo preso num coque, moletom, &lt;em&gt;jeans&lt;/em&gt;, tênis e um perfume caro. Me espio. Piso no cigarro e observo o nada pela sacada. A fumaça vai como um suspiro para o mundo. Vem a mim como um congestionamento interno. Me falta a euforia depois do teatro. Um amor acabando na sorveteria. Minha conta de telefone já não te anuncia há meses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O som ligado no quarto me chama. Toalha molhada na estante. O ambiente é puro café para as melodias caetaneadas. &lt;em&gt;Mora na filosofia&lt;/em&gt;. A impressão é a de que o mundo já acabou faz tempo. Fico com a possibilidade imbecil de te ouvir numa concha, nos verões etéreos, disputando a harmonia do mar. Importa são as escalas da tua voz brincando de dar nó em todos os coraçõezinhos que me percorrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chove lá fora. Chove azul, luz, água. Eu carrego um gosto de dois anos atrás, sorrio meia dúzia de amores tortos e me recomponho. Tenho mania de guardar carinhos. Amarro as pontinhas doces de tudo, insistentemente. Não troco minha poesia solta por nada que não rime com línguas, dentes e saliva. Poesia desaforada, escandalosamente cheia de buracos. Precisando de costuras. Talvez o papel vire renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deito na cama de lençóis sem estampa e, no teto, passo o amor a limpo. Queria te saber por dentro, hoje. Inventar uma palavra que não tivesse nome de sentimento. Te preparar um beijo antes que você terminasse o vinho. Me espreguiçar fotografada por teu rosto e te ver me guardando em tuas pálpebras, me deixando escorregar em tuas curvas instantes depois. Escrevo sem borrachas, mas viro a página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sejamos agora sonhados pelos outros. Quarenta e nove cartas de amor na minha caixinha do correio e um lugar vago no banco de passageiros do meu fusca. &lt;em&gt;A vida é cigana&lt;/em&gt;. Essa noite vou a pé. A cidade já dormiu e eu não quero nunca terminar de começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho devagar para me molhar mais. Para depois, escorrer mais. E agora, com o coração estupidamente dilatado, &lt;em&gt;absinto-me&lt;/em&gt;. E voo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de alguém que me segure com a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7391576186840760272?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7391576186840760272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7391576186840760272&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7391576186840760272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7391576186840760272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/03/trocando-em-miudos.html' title='Trocando em miúdos.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4068894903575045876</id><published>2010-03-07T16:14:00.014-03:00</published><updated>2011-06-09T13:53:57.018-03:00</updated><title type='text'>Rebeca.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se soubesses o bem que eu te quero&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O mundo seria, Dindi&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tudo, Dindi&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Lindo, Dindi.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Tom Jobim/ Aloysio de Oliveira - &lt;b&gt;Dindi&lt;/b&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para quando você aprender a ler.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Precisei te trazer para perto. Cheirar teus olhinhos de meia-lua. Te imaginei sentada em meu colo, com aqueles cachos soltos e sapecas, tais quais teus sorrisos. Quis teu abraço-apertado-que-salvava-meus-dias. Quis você me contando tuas histórias onde encaixava tudo aquilo que ia aparecendo, enquanto, simultaneamente, gritava comigo segurando meu rosto para olhar para você enquanto fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você nem sabe que, enquanto ficava criando mundos com teus brinquedos, eu me pegava te olhando e rascunhando você em mim. Nem sabe o quanto tento te colar nesses meus planos de uma vida inteira. E porque hoje fiquei observando tuas fotografias antigas, lembrei daquele vinte e três de fevereiro, à tarde, todo mundo na expectativa para enxergar teu rosto. Lembrei de estar em casa, ansiosa por notícias. Do telefone tocar, e alguém dizer: nasceu. Tá tudo bem. E é linda. Rebeca é linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite fui ao hospital. Fui dormir com você. Você sempre de olhos fechados. Bochechuda, botão-de-rosa, e linda. Eu te amei ali, totalmente desprevenida. Porque senti você atingindo meus cantinhos e fazendo um afago que eu nem sabia existir. Te olhei a noite inteira. Você nem dava trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque então comecei a desconfiar se você não era um anjo. E você nem tinha asas, ainda! No dia seguinte, você ao meu lado, duas bolas escuras olhando em minha direção. Peguei você no colo, segurei tua mãozinha e você agarrou meu indicador. Pensei que isso nem existisse. Claro que você não vai lembrar disso, mas eu me derreti como ninguém nessa hora. E meus olhos se umedeceram assim, disfarçadamente. Igual agora, quando os fecho e imagino tua presença. Teu dengo. Teu jeito carinhoso. Teu amor para com a gente. A maneira como você arranca nossas risadas a cada descoberta. A cada palavra. A cada beijo melado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de você sentada, com todo aquele jeito de flor, de encanto, fazendo estripulias. Nunca vou esquecer aquela tarde amarela, numa Boa Vista sempre amarela, onde você perguntou: &lt;em&gt;tu gota mim?&lt;/em&gt; E diante da minha afirmação efusiva, respondeu que &lt;em&gt;eu gota tu, também&lt;/em&gt;. E você tinha acabado de aprender a falar, seu belisco! Aprendeu a falar, a me fazer chorar. Aprendeu a ser minha, ser sempre minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje você é uma boneca. Às vezes borboleta. Toda colorida. Cinco anos. E eu sinto falta de quando você só dormia se fosse agarrada a mim, embalada por uma canção de ninar qualquer. E da maneira como você acordava mau-humorada se o sono não fosse bom o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu às vezes fico olhando a porta do quarto, nessas manhãs de domingo, imaginando que de repente você surja abrindo-a e pulando em cima de mim, toda serelepe. E te imagino rindo da minha antipatia. Hoje, também, eu lembrei você me dando tchau, indo para a escola na maior pose de gente grande. Lembrei do primeiro dia, você chorando, eu chorando, e todo mundo querendo te deixar lá contra minha vontade. É bastante doídinho, Beca. Essa ausência da tua pureza, tua inocência, teu jeito doce que me fazia te apertar inteira, até você ficar vermelha e sem forças, entendendo o quanto tua irmã é louca e precisa de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí nessas horas eu fico assustada com o mundo, que não é como a gente sonhou, e me forço a procurar os pedaços menos pesados dele, para que sejam teus. E vou te entregando assim, aos poucos. Enquanto isso, fico daqui de longe, querendo te ver voando por aí, fazendo música, rabiscando quadros, pirraçando, correndo, tropeçando, andando de bicicleta, tomando banhos de chuva, brincando de ser feliz, e sendo, de fato. Fico com tua vozinha ao telefone. Fico contente que você já consiga falar comigo, sem os soluços chorosos de antes, enquanto minha mãe dizia que você abraçava o telefone ao ouvir minha voz dentro dele. Fico te querendo bem todos os dias, e olhando tua foto linda pendurada no meu mural. É o meu melhor motivo, até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu amo você, Rebeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gravo essas palavras para serem tuas. Para você ler quando souber fazê-lo. E me telefonar. Ou me abraçar. Ou apenas me firmar em você, me entregando um pouco do teu lirismo, e me permitindo te carregar em meus bolsos. Você comigo, seja lá para onde eu for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Espero que você goste de &lt;em&gt;Tom&lt;/em&gt;. &lt;span class="Apple-style-span"&gt;Escuta &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Yakt0mo8eJE"&gt;Dindi&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu assino com ele, hoje, pelas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;histórias minhas. E de você também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é a coisa mais linda que existe&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4068894903575045876?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4068894903575045876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4068894903575045876&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4068894903575045876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4068894903575045876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/03/os-oim-do-meu-amor.html' title='Rebeca.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7061990014476512741</id><published>2010-02-12T14:44:00.004-03:00</published><updated>2011-10-09T00:34:04.331-03:00</updated><title type='text'>Chave.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;Algumas coisas lindas ardem.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É aquilo que você faz com as pernas, &lt;i&gt;baby.&lt;/i&gt; É o seu levantar da cama e o acender do olhar à beira da janela enquanto observa a cidade se esvaziar. É a calcinha branca que te veste delicadamente enquanto perambula pelo chão vermelho do quarto ao mesmo tempo em que se perde ali no canto, ao lado do abajur apagado. Eu queimo enquanto desenho tua sombra, reflexo da minha própria luz. Ao pé do ouvido, versinhos do nosso descaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aquela maneira como você sobe na cama para agarrar o travesseiro, ou a mim. Ou o modo como tuas pálpebras colam minha imagem dentro em ti. É toda essa ausência de amor. Todo esse excesso de loucura. Você. Você. Você. Nossos rascunhos nas paredes daquele bar. Um sorriso, três doses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa noite a cama é imensa. É necessária minha voz esbarrando em tua pele e escorrendo por todos os teus sentidos. Ou a falta deles. Você, hoje, explodiria doce em minhas mãos. Me deixaria sorrir meus terços de vantagem. Me entregaria teus lábios transbordantes de beijos e eu entenderia os caminhos. É permitido atropelar. Dissolver. Todas as tuas quedas continuam a ser em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja preciso um banho teu. Talvez teu corpo inteiro seja boca. Línguas e céus ansiosos. Meus dedos, amigos das tuas blusas. Teu hálito, meu hábito. Nenhum roteiro e belezas decoradas. É como pinto o azul-marinho do teto que se partiu. Um escândalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua pose de menina se esvai enquanto teus poros se rasgam. Um cheiro de vinho, uns passos trôpegos e uma dança no meio do tapete da sala. O próximo número deve ser em par. Fevereiro arremessado, assim, eufórico. Você com minha camisa, eu com teu gosto. Teus seios amassados no colchão enquanto os cabelos te cobriam o rosto e meus gestos soltos iam distraindo-se em carinhos impraticáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais uma sexta-feira. Meu nariz e tua nuca. A água que ferve quando prova tuas curvas. Nenhum sossego, linhas ocupadas, teus gemidos. Minha voz já rouca emaranhada de suspiros. Essa tua coisa de me encarar entre os lençóis. Nossa delicadeza em acordar a cidade. Minha festa cabendo em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te olhando daqui, crio motivos proibidos e alterno entre vertigens furtadas pela falta de ângulo. Você é linda a essa hora, e o dia ainda nem existe. Debruçada em minhas costas, me deixa descobrir tuas senhas enquanto me entrega todas as falhas, rosnando, aninhada em meus abraços. Você me bagunça em todos os cantos. Tua língua me destranca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Urgência maior é te inaugurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7061990014476512741?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7061990014476512741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7061990014476512741&amp;isPopup=true' title='41 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7061990014476512741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7061990014476512741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/02/chave.html' title='Chave.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>41</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3281208593449225011</id><published>2010-02-06T00:25:00.007-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:20.526-03:00</updated><title type='text'>Mãe.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para o grande amor da minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É preciso uma pausa nas saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um ano, você veio. E eu nem liguei de me enrolar no teu pescoço e deixar escorrer minhas lágrimas de tanto amor-maior ali, no meio de todo mundo. Tá fazendo duas semanas que você foi embora e cada dia eu te amo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias deitei antes das oito, disposta a sonhar e lembrar do sonho. Você sabe que meus sonhos são os mais incoerentes do mundo, mas a noção de realidade que eles trazem para o dia seguinte, é algo muito certo. É como se eu de fato houvesse estado com. Estado em. Foi assim que eu passei pedaços da minha noite com você. Quando o despertador tocou de manhã, fez frio. Eu não sei, mas a ideia que meu coração abrigava era a de abrir a porta do quarto e ter você na cozinha, falando que a cama tava pedindo socorro, de tanto que eu durmo, e depois notar minhas olheiras infelizes de eternas noites insones e começar a me perguntar quais seriam meus passos durante o dia que iniciava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, repito: tem muita coisa aqui que me faz bem. Muita gente. Muito amor. Mas não tem você, entende? E é justamente nessas horas sacanas que eu penso em como distância é algo foda. Não sei. Depois eu fui ficando bem. O tempo todo, quis te ligar, mas desistia. Porque eu ia chorar mais, você ia chorar também, ia ficar preocupada, ia ficar triste, ia me mandar voltar, eu ia querer obedecer, e de pensar em todos esses nossos diálogos malucos, deixei pra lá. Deixei, mas você ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda sinto teu cheiro. Escuto o eco da tua risada. Vejo minha cara de incrédula quando você me chama de &lt;em&gt;meu neném&lt;/em&gt;. Sinto falta dos teus olhos implicando comigo. Da nossa mesa barulhenta, das piadas, dos surtos, de todo mundo falando ao mesmo tempo, dos olhares sempre cúmplices de uma pirraça deliciosa, e do teu tempero. Da tua comida. Do prato que você dizia ter feito pra mim, e a maneira como sorria boba quando eu comia feito um monstro. Aqui eu andei emagrecendo. Nada que explique isso. É saudade, penso. E isso não é diagnóstico em nenhum laboratório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje pela manhã, logo após desligar o telefone e ficar sorrindo da minha ideia maluca (leia-se troca de datas) de te dar os parabéns um dia antes do teu aniversário, fiquei imaginando o que você estaria fazendo. Resolvi que era um fim de semana, e te imaginei ouvindo música. Lembrei de você gritando um &lt;em&gt;bota Clara Nunes&lt;/em&gt;, pra mim. E vinha com um sorriso no rosto, e uma dança cheia de trejeitos engraçados. Lembra quando meus amigos estavam em casa e você resolvia que queria dançar na frente deles, me matando de uma vergonha feliz? Aí eu sorri. Pensei também, que se fosse um fim de semana, você chegaria na sala bem na hora do programa que reservei, e chatearia querendo ver um filme. Daí a gente ia ver um filme, enfim, e você dormiria antes da metade. É, mãe, você dorme! E quando eu desligava a TV ainda tinha que ouvir um: &lt;i&gt;tô assistindo. &lt;/i&gt;Rá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fui lembrando de todas as tuas besteiras. De você fuçando meu celular sem saber pra onde ir, de me imitar ao telefone, de querer falar com meus amigos e contar histórias mentirosas de mim, de entrar no quarto quando eu finalmente conseguia dormir, abrindo portas, acendendo luzes e gritando, totalmente afim de me ouvir xingar como quem declama uma poesia fina. Ou então de me ver presa e dizer &lt;em&gt;vai sair, tomar um sol&lt;/em&gt;, daí eu ia lá e saia. E saiasaiasaia, pra ouvir o famoso &lt;em&gt;não tem casa mais não, é?&lt;/em&gt; É, você é boba, criatura! E no mundo, ninguém mais me entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi entardecendo, lembrei daquela hora onde todo mundo ia chegando em casa aos poucos. Aí eu chegava da faculdade, e você geralmente estava no meu quarto. Será que você ainda fica lá? Eu guardava meus livros, e te empurrava da minha cama. Eu te abraçava, te mordia, te beliscava, só pra ouvir teus gritos escandalosos que eram afagos pra mim. Eu lembrei de tanta coisa que não cabe em palavras... E pensei que eu estava imensamente louca naquele dezembro, quando te disse tchau sem derramar nenhuma lágrima, sem olhar pra trás, sem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me entende, que eu sei. Eu saí daí de dentro, afinal. E continuo a sorrir meu sorriso mais bonito quando me dizem que eu sou tua cara. Eu me desconcerto, quando num gesto mais bobo, dizem que eu fiz igualzinho você faz. Tô chorando agora, mas isso é coisa boa, tá? Todo mundo sabe que somos parecidas, e eu acho isso muito justo, afinal, você é linda como ninguém mais sabe ser. Riu agora, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei da gente, nesse janeiro, e aquele mundo de fotografias antigas passando de mão em mão durante o almoço na casa de vovó Nina. Depois que você foi embora, continuei lá. Vi fotos do teu casamento, você de branco, com aquela flor nos cabelos, e teus olhos (que todo mundo diz serem meus) eram felizes. A gente nunca conversou sobre isso, mas você parecia carregar um mundo de sonhos, ali. Vi todas as fotos. Vi você pequena, você moça, você dançando, você montada a cavalo, você doce, você sozinha porque rasgou o rosto daquele ex namorado de todas as fotografias que tinham juntos. Eu ri de você. Depois, tinha fotos da tua barriga comigo dentro. Você tava diferente. Nem sei explicar do instante seguinte, então, quando já tinha eu no teu colo. Tinha luz, mãe. Tanta luz, que eu não vi nada mais certo que nós duas. Aí eu comecei a conversar com minha tia, tua irmã. As histórias, as cumplicidades. Eu quis muito chorar de feliz. De triste. De você perto, sem estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia um ano, sem te ter. Agora, duas semanas que eu não te tenho aqui, que você não me tem aí. Um tempo imenso, onde nenhum abraço é capaz de afagar todos os cantos desabitados do meu corpo. Onde ninguém chega em casa de madrugada e me acorda só pra dizer que encontrou alguém que eu goste na rua, e que essa pessoa me mandou carinhos. Onde eu chego em casa, e ninguém suspeita de uma raiva, uma tristeza, uma paixão, só de medir meu jeito de chegar. Um tempo imenso, mãe. Tempo de uma saudade que se esconde, presente em todas as minhas entranhas. Tempo de vontades. De querer que você pare de me ligar na hora mais acertada, como se ouvisse meu fio de voz chamando teu nome. Um tempo onde ninguém entra no meu quarto, deita ao meu lado, começa a conversar e dizer que me ama. Que sempre vai me amar. Tempo de ausência. Tempo de querer fazer tudo dar certo, por você. Tanto tempo sem você, parece mais é uma vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades de xingar os palavrões mais esculhambados do mundo e te fazer gritar &lt;em&gt;o que é isso minha filha?&lt;/em&gt; enquanto gargalhava e ficava vermelha. Saudades de te ver feliz. Saudades do cheiro de incenso que você e Paulo acendiam enquanto tocava &lt;em&gt;Zé Ramalho&lt;/em&gt; naqueles fins de semana barulhentos que me faziam fugir de casa, ou me trancar no quarto praguejando qualquer coisa ininteligível. Saudades de fofocar até mais tarde, contando pra Éden o quanto ele é bobo. Saudades de você falando mal de mim pra Manu, e de contar pra todo mundo desse orgulho besta que você sente quando eu faço coisinhas legais que te afetam tanto. Saudades principalmente de ter alguém acreditando desesperadamente em mim, inteira, porque às vezes é bem foda acreditar sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes chove, mãe, mas sei que todo o sol continua a se concentrar aí, nesse canto onde tem você. Sei porque meu corpo inteiro deixa de ser gelo, com as palavras que você despeja em mim, por telefone. Você chora e eu sorrio. Depois, eu chovo sozinha, mania minha. Mas tem uma fogueira, nessa hora. Você. Sempresempresempre. E só em você essa palavra cabe: sempre. Porque é um pra sempre sem fim. É coisa certa. Sentir exato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou. Não quero mais prolongar essa saudade escrita. Uma coisa: meu quarto aqui tá com uma parede verde, porque é tua cor preferida. E coloquei um mural com fotos de todo mundo, pra me sentir mais perto. Falta uma de nós duas. Ontem, usei aquela minha blusa preta que tem mangas curtas, lembra? Lembrei da gente brigando por ela. Lembrei que eu tinha te dado, e só entendi agora porque tomei de volta: pra lembrar de tudo isso. Sentiu falta dela? Eu sinto falta de te arrumar. Vez ou outra penso em você indo pro meu quarto, pedindo ajuda, se tava combinando tudo, se a sandália tava bacana. Você roubando meu perfume, minha maquiagem, e deixando tudo bagunçado só pra ver minha chatice explodir, com minha mania de querer tudo no lugar. Aposto como você deve sentir falta disso! Tô sorrindo. Sorrindo daquele mesmo jeito que eu te sorria quando eu dizia estar sem fome e você dizia que eu só podia estar apaixonada. Minha cara de boba. Apaixonada por você, bestona! Sempre fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beija todo mundo aí por mim, mãe. Abraça Beca por quase uma hora inteira, e dorme agarrada nela, como eu fazia. Abraça Sofi e pede pra ela te levantar, igual ela fez comigo, na garagem, no dia que eu vim embora. Abraça Cacá até ela xingar qualquer coisa. Abraça Paulo, também. Diz pra Éden que tô contando os dias pra ele chegar. E diz pra quem quiser saber de mim, que eu tô bem, e sinto saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma entrega urgente: eu pra você. Tô aí. E sinto tudo. Nem é só amor. É o mundo inteiro das coisas mais indizíveis que já couberam um dia num coração apertado. O meu. E é tudo, tudo teu. O aperto? É excesso de querer-bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Feliz teu dia, meu amor. Feliz você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te amo do umbigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaya.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3281208593449225011?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3281208593449225011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3281208593449225011&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3281208593449225011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3281208593449225011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/02/mae.html' title='Mãe.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-6783855767389239039</id><published>2010-02-03T17:03:00.019-03:00</published><updated>2011-11-12T17:10:10.076-02:00</updated><title type='text'>Não volta, Los Hermanos!</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Uma história de amor. Ou não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi assim (como ver o maaar - hoho): eram Camelo e Barba. Coisinhas da PUC-RJ. Mais uma banda de faculdade com letras que falavam de amor, estilo ainda não identificado. Veio Bruno Medina. Depois, Amarante e Patrick. Festival &lt;em&gt;Abril pro Rock&lt;/em&gt;, em Recife.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez a banda &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Los Hermanos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Conheci-os então com &lt;em&gt;Anna Júlia&lt;/em&gt;. É, você também. O Brasil inteiro já não aguentava mais, tocava em todo canto. Era ligar a MTV e lá estava Mariana Ximenes no maior estilo mocinha que faz morrer de amores, no  &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-PArDXQX-4M"&gt;clipe&lt;/a&gt; da música. O primeiro CD havia sido lançado. Comprei. Aquela coisa adolescente de pular na cama, estourar as caixas de som. Surtei. Era coisa boa, inteira. Umas letras gritadas, uma companhia, uma compreensão. Deixei de lado por uns tempos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2001, veio o bloco. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Bloco do eu sozinho&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Ouvi pela primeira vez com um amigo. Umas impressões diferentes, issoaquitábomdemais, qualquer coisa circense, umas afinidades novas. Um desencontro: Patrick saiu da estrada. A gravadora botou banca. Sobre a recepção após o lançamento, Bruno dizia: &lt;em&gt;adorado por muitos, odiado em menor escala,&lt;/em&gt; Bloco &lt;em&gt;do &lt;/em&gt;eu sozinho&lt;em&gt; chegou criando polêmica: não se parece em nada com o que se esperava do&lt;/em&gt; Los Hermanos &lt;i&gt;e por isso mesmo gerou tanto problema&lt;/i&gt;. E lá estava eu, achando tudo um absurdo. &lt;em&gt;Sentimental, Todo carnaval tem seu fim.&lt;/em&gt; Tudo, tudo. Eu acho injusto selecionar. A banda passou a ser uma incógnita e eu achava isso legal pra caralho. Um tempinho depois, veio a participação no programa &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Luau MTV&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, que posteriormente virou CD e DVD. As portas foram abertas com menor cautela. O trabalho novo ganhou melhor espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2003, gravadora nova, CD novo. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ventura&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. De longe, para mim, o melhor disco de banda brasileira dos últimos anos. O melhor disco deles. O melhor momento. Tudo se conectava. Chorei pela primeira vez com uma música: &lt;em&gt;De onde vem a calma.&lt;/em&gt; Apreciei tudo, deliciosamente. Quem me conhecia, lia e ouvia tocar &lt;em&gt;Los Hermanos&lt;/em&gt; em todos os meus gestos. Bruno comentou, à época: &lt;em&gt;não nos cabe dizer do que se trata cada música, qual é a história por detrás, não existe legenda ou certo e errado, as certezas, na verdade, são bem poucas. Tudo é apenas uma sugestão, como na capa. Ventura é sorte para quem quer ver, é fortuna para quem a espera. Nossas músicas seguem apenas o norte que aponta o coração e é por sabermos disso que novamente içamos nossas velas a espera de um vento favorável, um vento bom que nos leve adiante.&lt;/em&gt; Ven-tu-ra. Meu orgulho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Ouvi para dentro. Tinha uma essência descarada de MPB cercando tudo. O som me veio muito azul, todo ele. Amadurecido. Era, outra vez segundo Medina, &lt;em&gt;um disco com menos faixas mas, possivelmente, o mais amplo e abrangente entre todos.&lt;/em&gt; De mãos dadas, &lt;em&gt;Fez-se mar&lt;/em&gt; inspirou a criação desse blog, em 2007 (cujo conteúdo foi deletado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2007, hiato. O anúncio veio no  &lt;a href="http://www2.uol.com.br/loshermanos/"&gt;site oficial&lt;/a&gt;  como: um tempo para colocar em prática os projetos individuais que há muito vinham sendo adiados. Oooooi? &lt;em&gt;Los Hermanos&lt;/em&gt; acabou? &lt;em&gt;Los Hermanos&lt;/em&gt; acabou! Eu, entendi a notícia assim. Veio o show-de-despedida, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fundição Progresso&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, que virou CD e DVD. Assisti tanto, cantei tanto, chorei tanto. Uma coisa no maior estilo: essa-é-a-última-vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZAa0og008K4/S2nXXI_iqTI/AAAAAAAAA2g/vrF_Arp81jo/s1600-h/hermanos2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434111217950173490" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZAa0og008K4/S2nXXI_iqTI/AAAAAAAAA2g/vrF_Arp81jo/s320/hermanos2.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 240px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Veio mais tarde, para mim, um período longo de 2008 sem conseguir sequer ouvir o assobio das músicas. Doía, fazia mal, era estranho. Coisa minha. Daí veio uma bizarrice do tipo: Camelo cantando com Sandy e Jr. Veio Amarante com o &lt;em&gt;Little Joy&lt;/em&gt; e uma paixão pelas músicas dos caras. Veio o CD solo de Marcelo, manso, doce. Veio ele namorando Mallu Magalhães e uma indignação minha, censurando o ridículo, quando na verdade &lt;em&gt;eu queria era estar no lugar dela&lt;/em&gt;, segundo minha irmã, vejam vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2009, eles voltaram a tocar como antes, em mim. Veio o&lt;em&gt; Radiohead&lt;/em&gt; e eis que me apareceram os quatro rapazes, surpresa, no show que eu não vi, e logo após um post de um Bruno emocionado, escrito &lt;a href="http://colunas.g1.com.br/instanteposterior/2009/03/24/sobre-o-show-de-sao-paulo/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Uma leitura que me deixou contente e com cara de choro. Porque apesar da esperancinha e do medo de um retorno, o tom me pareceu muito: foi isso. Acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é que eles são minha banda preferida. (Surpresa, an?). Não saio por aí feito &lt;em&gt;aloka&lt;/em&gt;, amando, pirando. Sou controlada, gente. Nunca estive em nenhum show. Tenho todos os CDs e DVDs, os extras, os suspiros, porque preciso e ponto. Sei de curiosidades sobre certas composições, converso sobre as músicas, sei cantar (quase) todas, me apaixonei por um cara babaca só porque ele tocou &lt;em&gt;Morena&lt;/em&gt; para mim, meus amigos lembram de mim quando os escutam, tenho uma &lt;i&gt;tatoo&lt;/i&gt; com o rosto de cada um em minhas costas, meus filhos se chamarão Rodrigo, Bruno, Marcelo e... Rodrigo (?) e outras coisas super naturais. Nada demais. Não brigo se falam mal, tipo: que os fãs da banda são um bando de depressivos, que Amarante é um bêbado e tem uma dicção duzinferno, que adotem o nome &lt;em&gt;Loser&lt;/em&gt; Manos. Sabe? Puta orgulho da galera, que eu sinto. Críticas belas, levo muito em conta. E adoro quando dizem: &lt;em&gt;ah, eu gosto dos caras. Gosto muito de&lt;/em&gt; Anna Júlia &lt;em&gt;e &lt;/em&gt;Primavera. Bom demais, né? Melhor que isso só ouvindo um &lt;i&gt;toca Anna Júúúlia&lt;/i&gt;, em qualquer rodinha de violão, showzinho, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é que se um dia eu encontrá-los, vou querer um abraço, um autógrafo e o desejo atendido de fazer uma trança nas barbas dos quatro e deixá-los presos para sempre. Porque eu sou uma moça fina, porém, retardada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é que acho os caras simpáticos, inteligentes, sarcásticos... Pausa: isso &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=iypM6LKhB8o"&gt;aqui&lt;/a&gt; me dá um orgulho, gente! E isso &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2LQy2-2jeSQ&amp;amp;feature=related"&gt;aqui&lt;/a&gt; me mata de rir (presta atenção nas caras, na ironia de Amarante e na jornalista tosca. Campelo? Elis Regina? Oi? Haha). Vejam, vejam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando: o caso é que os (meus) quatro barbudos cariocas são fazedores de música B-O-A. Música muito boa. Funcionam melhor em conjunto, mas sozinhos também são ótimos. Existe vida após a banda. Vida bem melodiada. Preparada. Essencial que fosse assim, arrisco dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso também é que a minha teoria de que todo mundo que gosta muito (muito) do som deles é gente fina, é verdade pra caramba. (Modesta, que eu sou). É tão fácil se dar bem com um &lt;em&gt;hermano&lt;/em&gt;, gente. Sériozão. A gente é legal pra caralho. Hoho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que (ainda) existem uns fãs desiludidos, indignados. Aquela onda do pô-eu-nunca-vou-ver-um-show-dos-caras. E-agora-não-tem-mais-nenhuma-música-nova-que-merda. Sai dessa, galera. Vejam vocês que, quando eu nasci, os &lt;em&gt;Beatles&lt;/em&gt; já haviam encerrado a carreira. E isso não me impediu em nenhum momento de sair amando o som dos caras. Sabe? São as mesmas músicas que eu escuto há vinte e dois anos. Não tem igual, não vai ter e é SEMPRE lindo. Calma, não me batam, eu sei que os caras não são os &lt;em&gt;Beatles&lt;/em&gt;. Não é comparação, é exemplo. Obrigada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, eu assumo: tenho um medão bem grande de pensar que a banda pode voltar. Não sei, me acostumei assim. Me acostumei com o não-ter. Fico com medo de que um CD novo venha a se meter a besta e estrague toda a áurea que eu pintei em torno de tudo. Fico com medo de que, talvez, as coisas sejam assim, tão queridas, porque deu o que tinha que dar. A beleza foi espremida nos acordes daqueles dias. Talvez, talvez aqueles acordes, essa história meio de sonho (para mim), não caiba no hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu peço, baixinho: não volta &lt;em&gt;Los&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Hermanos!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;P.S.: E se voltar, toca &lt;em&gt;Anna Júúúúúúúúúúúúúúúú&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;em&gt;lia&lt;/em&gt;. Aêêêêê! Haha.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;_________________&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Uma pausa nas líricas para dar espaço&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;ao meu lado amomuitotudoisso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Falei demais, mas histórias de amor são assim. Haha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Editado e publicado após &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;fazer a leitura de impressões da &lt;em&gt;hermana&lt;/em&gt;, &lt;a href="http://liberdadeporfernandaalves.blogspot.com/2010/01/meu-ultimo-texto-sobre-los-hermanos.html"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-6783855767389239039?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/6783855767389239039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=6783855767389239039&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6783855767389239039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6783855767389239039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/02/nao-volta-los-hermanos.html' title='Não volta, Los Hermanos!'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZAa0og008K4/S2nXXI_iqTI/AAAAAAAAA2g/vrF_Arp81jo/s72-c/hermanos2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3095344787746556767</id><published>2010-01-28T23:46:00.011-03:00</published><updated>2011-05-21T11:02:03.934-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dulce.'/><title type='text'>Leo,</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estou te amando muito nesse momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o espelho, é essa lucidez, você me mandando beijos soltos que pousam onde bem entendem, notícias, essa minha mania de nunca ser exata. Levantei com umas tendências que nem eram minhas, e olhei meus olhos a fundo. Me vi, através. Comecei a ler meus pontilhados de uma maneira tão avançada, cara. Meu rosto ali, tomado por lembranças tuas. Coisas astrais. Já faz um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nós, você e eu, as coisas foram acontecendo aos pouquinhos. Muitos, muitos pouquinhos. O &lt;em&gt;canto de Ossanha&lt;/em&gt; e meu desinteresse por &lt;em&gt;Vinicius&lt;/em&gt;, sobriedade, discursos, a praia. Joguei infinitos conceitos para o alto porque só tua boca me interessava. Nunca havíamos amado. O fato é que tudo se perde muito rápido. Nós nos perdemos lentamente. Tudo é passado e amanhã não tem mais nada. Daqui mais um tempo, miragens. Porra, sabe? Tem coisa que pesa. Pesa mais ainda em mim, uma viciada nessa coisa de parasempre. Quanta dificuldade, quanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou fumando. É, voltei a fumar. Pensei em você com mais força, agora. Não penso em você sempre. Muitas vezes é só balançar a cabeça e você vai embora. Acontece sem preparos. Outras vezes, um incêndio sacana surge, e eu não apago. As chamas sempre me fazem entrar em erupção. Violo todos os nossos pactos realizados tacitamente. É uma angústia, um incenso, cheiro de álcool, suor. Eu não sei mais chorar e aprendi que existem flores para todos os instantes. Hoje uso gerânios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te escrevo porque é noite, está quente e me convém. Ando íntima de pessoas tão perversas, Leo. Faço barulho, berro de prazer e dou dentadas em pedacinhos de vida. Tenho conversado com tanta gente, tenho me sentido tão longe de todo mundo. Ninguém me traduz. Virei um deserto e nada mata minha sede. Gente demais me dá um silêncio, cara. Pra agora, eu só queria quê. Conversas baixinhas, brincadeiras com minhas mãos, uma sacudida com qualquer filosofia fodida, dilacerada, porque a poesia já acabou faz tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem arranquei coisa pra caramba aqui de dentro. Com minhas unhas, mesmo. Te liguei e fiquei muda, de repente. Em minha voz não coube o excesso de palavras. Ela despenca ao te ouvir, antes de ser entregue. E se de repente eu te escuto, vou para a rua. Você me leva. Atraso passos, te imaginando na esquina seguinte. Batuco músicas com os dedos, sentada à mesa, enquanto meu coração pulsa teus passos inexistentes. Sinto teu cheiro pelo corredor. Quinto andar. Você sorriria ao me ver assim, vestida de mim, e só. Ninguém sabe me traçar com os olhos como você faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é tarde e eu estava precisando sentir. Sentir. Sentir tudo. O poeta disse: &lt;i&gt;é preciso estar sempre embriagado&lt;/i&gt;. É preciso, sim. Embriagado de vinho, vida ou um sorriso teu. Porque por um instante eu perco o medo de me entregar. De ser. E penso que o amor é essa coisa assim, que tomam de você a vida inteira. E sempre vai ter. Sempre tanto. Tanto. É como quando você me deu aquele último abraço e eu me descobri cheia de corações. Seria impossível tamanho rebuliço por conta de um só pulsar. Eu tenho um coração em cada canto. Um acúmulo bonito de coisas que não consigo nem mostrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te escrevo porque, caminhando, vi uma coisa desse jeitinho, todinha azul, completamente &lt;i&gt;blue&lt;/i&gt; e lembrei de você. Pessoas sorrindo, um amor acontecendo em algum lugar. E quando o relógio anunciar as duas horas da madrugada, eu escrevo mais uma taça e saio daqui poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero muito ser feliz, cara. Com ou sem toda essa nossa simbiose monstra. A vida é muito mais barra sem você, constato. Te envio então esses meus recortes de um decalque quase-romântico. E te escrevo porque sempre haveremos de ser necessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Que todas aquelas coisas lindas te aconteçam,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S.: Continuo a andar descalça. Acredito que amanhã vai ser um dia bom e vou fazer muita gente feliz. Gastar amor. Quebrar a cara. &lt;em&gt;Let it be.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;_____________&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Leo é personagem &lt;/span&gt;&lt;a href="http://liricass.blogspot.com/2009/08/meu-diva-e-dulce.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3095344787746556767?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3095344787746556767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3095344787746556767&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3095344787746556767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3095344787746556767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/01/leo.html' title='Leo,'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1976995902114770391</id><published>2010-01-11T16:38:00.010-03:00</published><updated>2011-06-09T13:55:51.284-03:00</updated><title type='text'>Coração vagabundo.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Meu coração não se cansa&lt;br /&gt;de ter esperança&lt;br /&gt;de um dia ser tudo o que quer.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Coração Vagabundo&lt;/strong&gt; - Caetano Veloso]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Achei um amor debaixo da mesa do bar. Haviam montes de anúncios brilhando em volta, uma poluição visual bem louca, e aquela poesia escancarada das noites amarelas de verão. &lt;i&gt;Love blues&lt;/i&gt;. A bebida me adocicava por dentro, para ser sincera. Estranhei. Eu sou amarga. Sorri sem esperar nada da vida, e fui feliz. Línguas emboladas, palavras decifradas por dentro, segredos vindo à tona. Um gole a mais e eu já era bailarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre cochichos, gargalhadas, todo mundo ali mendigava carinho. Recitei &lt;em&gt;Cazuza.&lt;/em&gt; Ardia. Eu poderia ser encontrada como nunca fui, naquelas horas. Tudo o que já escrevi, coube ali. Encenado. Despejado. Porque eu, na verdade, tava doendo. Ainda tô. &lt;em&gt;Vai ser assim por um tempo&lt;/em&gt;, a amiga disse. E tanto, tanto foi dito. Sentido. Exposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu contei como amo. Desesperadamente inteira. Vacilando. Exagerada. Sem-razão. Maltratei minhas emoções, queimei meus versos, chorei. Doeu. Notei que, enquanto eu silenciava, ele era só meu. Uma vez palavreado, passou a escapar de mim aos poucos. Decidi então que deixaria o amor ir, para ser de todo mundo. Para estar salvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Briguei com &lt;em&gt;Chico&lt;/em&gt; enquanto ele veio me falar de coisas que eu vivi, que ele viveu, e que acabou. E que depois vai começar de novo. E acabar. E começar. É um ciclo. De tanto contar, pensei: era tanto que não dei conta. Pensei e não disse. Deixei pedaços vermelhos do esmalte pelo chão. Eu me apaixono demais, tem muitos pedaços espalhados por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ouvi, também. Todo mundo ali já amou imenso. Percebi pelo jeito de sorrir. Toda vez que um amor vai, a gente perde um jeito de sorrir que tinha. Levei pancadas deliciosas, verdadeiras. Muita coisa rompeu. A vodka veio temperada com momentos de silêncio. Eu me apaixonei pelo violão do moço. Me apaixonei pela luz que me vestiu. Me apaixonei por todas as palavras que foram ditas. Emudeci. Ouvi coisas realmente bonitas e lembrei dele, dono de todas as coisas mais bonitas que ouvi. Perdi o olhar, discreta. Parei de lembrar. Cansei de inventar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas cores estão todas borradas, porque eu bati histórias românticas no liquidificador. Hoje à tarde choveu. Minha memória foi se perdendo de propósito. Já não detalho muita coisa. As lembranças pedem para virar imaginação. E eu tenho um medo bem grande, agora. Medo de deixá-lo passar. Porque sei que passa. Medo de deixar de amar. Penso que amar, para mim, é uma distração. Eu saio por aí catando amores que tropeçam no meio fio. Me apaixono por qualquer despertar. Minha alma tem vezes de prostituta, precisa disso tudo. Errado, assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas daí você vai sofrer de novo&lt;/em&gt;, dizem os medrosos. E o bom da vida é o que? É sentir. Des-pe-da-çar. Refazer. Quando tudo se rasga, quem costura sou eu. Dou conta. Se amanhã eu acordar e resolver amar pra caralho, eu amo. Ele, você, outro. Ponto. Que venha a mim todo o amor que houver nessa vida, o tempo inteiro. &lt;em&gt;Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Então, tinha um amor debaixo da mesa do bar. Coube no meu copo. No meu corpo. E eu já era bailarina. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;André, Clarinha, Glau, Mila e Rafa&lt;/strong&gt;. Quero, hoje, abraçá-los com um monte de palavras doces. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Deixar escrito o obrigada, por permitirem que eu me deixasse um pouco em vocês. &lt;strong&gt;Obrigada&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Todas as coisas são possíveis.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nós somos.&lt;br /&gt;O amor é.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1976995902114770391?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1976995902114770391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1976995902114770391&amp;isPopup=true' title='52 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1976995902114770391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1976995902114770391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2010/01/coracao-vagabundo.html' title='Coração vagabundo.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>52</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-8480117138507920749</id><published>2009-12-25T02:52:00.003-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:36.566-03:00</updated><title type='text'>Retalhos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outra noite insone. Levanto com meus olhos desajeitados e espio pela janela. O céu tem uma cor errônea, parece nem caber no que vejo. Algumas estrelinhas desmaiam no chão e decido guardar a lua entre meus cílios. Preciso levá-la comigo. Preciso que seja morada junto aos sonhos que escorrem por minhas pálpebras enquanto as mesmas se fecham. Às vezes, teimosas, tentam prender dentro em si uma estrela cadente que, inquieta, dança com seu rabicho e me faz virar luz mesmo sem querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, hoje, faço muito tempo. Sou lembrança. Um tom sépia, um cheiro de história contada por alguém numa cadeira de balanço, enquanto um e outro olhar atento tenta decifrar as memórias do que é antiguidade. Talvez meu lado de dentro seja um relicário. Talvez alguém, um dia, diga que meus lábios sempre sopraram beijos. Meu coração só registra carinhos, e nunca dorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo caminho por aí sem relógios. Meu amor é conjugado no infinito. Minhas orações já não se subordinam. E nessas noites sem sentido, como a de hoje, eu só sei observar. Viro plateia de mim mesma. Vejo várias de mim, e me perco naquela que não sou. Se tocasse um samba, eu sorriria e cairia na roda, levantando o copo e sendo um sorriso. São coisas internas. Minhas maneiras de fazer folia. Eu ardo, e solto poesia com meus passos tortos. Fico invisível com um fechar de olhos. Em silêncio. Num sussurro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu esconderijo é aqui. São as letras. É o excesso de movimento que me joga para o meu quarto, com essa parede verde que me ensina a enovelar a vida. É o ponto, a formação de palavras, a ausência de sentido no que escrevo. Apenas a necessidade de rabiscar o papel em branco. Preciso escorrer. Gosto do mal explicado. Nunca gostei dos parênteses. Me retiro e me coloco em aspas quando bem entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando menor, era o céu desabar e eu rabiscar vários sóis de giz, na calçada. Eu resolvia o problema. O cinza ia embora e trazia arco-íris. Eu também sempre contei estrelas, apontando com o indicador, nunca levei a sério as superstições. E acho muito justo acreditar que meu nome e o dele dentro de um coração desenhado a lápis guarda o amor e cria uma redoma para todas as peculiaridades escondidas que a cumplicidade faz brotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu decidi apostar no mundo, então. Imperfeito. Mesmo que alguns dias sejam assim, tão carregados com esse gosto de domingo. Agora mesmo queria comer amoras que despencam doces de um canto cheio de sombra. É noite, mas tá fazendo sol. Meu rosto vira um jardim. Flores, flores, flores. A primavera sempre soube caber nas demais estações. Eu gosto de me apaixonar à tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que esperar. Espero tudo. Quero tudo. E vou. De mãos dadas com o que sinto, nunca soube me economizar. Vai ver, assim, eu acabe sendo possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha caneta é sempre azul.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-8480117138507920749?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/8480117138507920749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=8480117138507920749&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8480117138507920749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8480117138507920749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/12/retalhos.html' title='Retalhos.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1362406590516420075</id><published>2009-12-06T22:40:00.018-03:00</published><updated>2011-09-03T17:21:23.507-03:00</updated><title type='text'>O problema...</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;...é que eu te amo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não tenho dúvidas que eu queria estar mais perto.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Nando Reis - &lt;b&gt;Meu mundo ficaria completo (Com você)]&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;De uns dias pra cá, os ponteiros mal anunciam o meio-dia, e eu já me apaixonei trinta e três vezes. Algo muito natural, tendo em vista o óbvio: te querer bem é fácil. Um deslize. É macio. E não duvido que o céu, ao me ver tão vermelha, fique todo encabulado e resolva amar também. Eu percebo. Enquanto olho pela janela, eu percebo. Percebo ainda quando as borboletas enfileiradas vêm morar em meu estômago e eu, distraidamente, começo a gostar. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Às vezes eu não preciso de motivos muito lindos para te trazer para mim. Às vezes basta dar risada sozinha pela lembrança de uma bobagem que você disse na noite passada. Bastam uns primeiros motivos. Ou a cena de te ter ao meu lado sem me ver. Às vezes, também, é tudo exagerado demais. Eu, &lt;i&gt;jogada aos teus pés com mil rosas roubadas&lt;/i&gt;. O que justifica? Essas coisas por aqui, todas cheias. A caixinha de sentir quase se abrindo sozinha; meu guarda-roupas de portas escancaradas; &lt;i&gt;Drummond&lt;/i&gt; ao lado de &lt;i&gt;Pessoa, Bandeira e García Márquez,&lt;/i&gt; se apertando na minha estante que aparentemente se encontra tão vazia. Tá tudo transbordando. Ali, embaixo da cama; nas estrelas abertas do mural branco de amores; na rachadura do vidrinho da janela; no teto; entre os lençóis e o edredon que me aquecem, e principalmente, dentro do meu travesseiro. Ninguém vê. Eu sinto.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É o excesso. É um espanto. Um susto. Porque, para mim, o problema é a junção de todas essas pequenezas desarrazoadas. O problema é que, eu mal acordo, e já lavo o rosto com um sonho. O problema é meu corpo teimar em soluçar no teu abraço. O problema é que eu esteja tão assim, perdida em você. É querer te levar para um canto azul, todinho azul. É tocar minha boca com um guardanapo e notá-lo ainda mais leve depois de ter amparado o eco distraído do meu riso que fala de você o tempo inteiro. O problema é querer sentar ao teu lado, muda, beijar teu ombro e logo em seguida me aninhar nele, ao mesmo tempo em que encaixo minha mão à tua e me invada uma vontade boba de ser feliz. De ser muito feliz. O problema é que eu resolva te levar para as estrelas. Ou que você pense muito em mim. O problema é que a gente passe a saber qual parte de nós dois nos tem em maior quantidade. O grande problema é acabarmos descobrindo que são todas.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O problema também pode ser que você acabe gostando do meu riso fácil. Ou do meu rosto sério. O problema é que todos os teus melhores sorrisos podem vir a ser meus. O problema é o teu gesto mudo que esconde os dentes, fazendo formar aquelas ruguinhas no canto da tua boca. O problema é teu cheiro que já aprendeu a vir embora comigo. Tuas mãos. Teu caminhar. O problema são teus olhos claros que me moveram sem me abrir. E a minha mania de quebrar bolachas dentro do iogurte de morango para comer lendo poesia. O problema é você achar isso bizarro. É você com uma coca-cola e eu com um suco de maracujá. O problema são as manias, e meu gosto pela rotina. O problema é que eu não vou mudar. Nem você. O sorvete ainda é de cajá, a pizza de atum e o sanduíche tem que vir com frango, porque eu não gosto mesmo de hambúrguer. O problema são todas essas bobagens. E as coisas sérias também. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O problema mesmo é gostarmos pra caramba um do outro. É fazer um carinho em tua nuca e, uma vez estando ali, não saber/querer mais voltar. É pensar em te ver cochilando no sofá e te beijar a testa logo após cobrir teu corpo com uma manta macia. O problema é o aquecimento global dar o que falar, e eu só pensar em te escrever textos como esse, a vida inteira. O problema é você, que tem muito a cara de ser para sempre o meu benzinho. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O problema, ainda, é essa vontade que bate de vez em quando, de querer nossos sapatos envelhecendo juntos. O problema é que cheguemos ao ponto de compreendermos todos os nossos atos antes mesmo que ousemos fazê-los. O problema é que tudo pareça estupidamente justo. Deliciosamente genuíno. O problema é não perdermos nossos endereços. É descobrirmos a variedade que podemos ser, e não nos desvincularmos da nossa unidade. O problema é a morte instantânea de todas as pessoas ao redor a cada vez que você aparecer pra mim. O problema talvez seja encontrar um cílio teu dentro do meu livro preferido, ou o desejo de sujar a ponta do teu nariz com um pouco de cobertura. É gostar de te irritar. O problema é você esquecer teus olhos em cima dos meus e que resolva cuidar de tudo que é teu, em mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O problema é a cidade se calar. É a gente começar a rir de coisas que ninguém mais entende. O problema é a gente desistir de dificultar tudo. Querer se livrar das atitudes psicopatas que temos para com o nosso amor. O problema é a vontade insana de querer dilacerar esse sentimento o tempo inteiro. O problema maior é que a gente já sabe que ele é imune. O problema é a gente entender que pode, inclusive, se apaixonar a qualquer tempo, mas sabermos que o que temos é maior. Um bem maior. O problema é que não vamos fugir. O problema é que &lt;i&gt;você seja mesmo tudo aquilo que me faltava&lt;/i&gt;, e acabemos, definitivamente, construindo um novo planeta onde saibamos caber. O problema é que resolvamos, num fim de semana qualquer, passar as horas inteiras trancados no apartamento, vivendo de amor-filmes-poesia-pipoca-pirraças-e-beijos, e esqueçamos o mundo lá fora. O problema é você me ver passar as mãos nos cabelos e notar que, mais que uma mania, esse gesto já decifra o quanto já sou de você. O quanto você é de mim. O problema é todo esse sentimento louco e improvável. É essa cadência bonita das letras que nos escrevem.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O problema pode ser eu gostando do engarrafamento e até pedir maior demora, porque com você ao lado o fuso é sempre outro. O problema é tudo acabar dando certo. O problema é a gente acreditar demais um no outro. O problema é o telefone tocar e o coração ir para a beira do penhasco. O problema é ouvir teu nome em outras bocas e pensar que a única imagem que cabe nele é a tua. O problema é o você e eu, a fusão. É minha vontade de mordiscar teus lábios. É você vermelho diante de minhas declarações atrevidas. O problema é que eu cuide do que é meu, em você. O problema é que todas as horas sejam certas demais. O problema é sempre nos inaugurarmos. É te olhar e pensar: eu escolhi você. E que você acabe me escolhendo também. O problema é te ver novamente, te pesquisar, e descobrir que, se um dia o amor resolvesse observar, olharia desse nosso jeito. O maior problema de todos, é que,&lt;i&gt; só te ver, eu penso em trocar a minha TV num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira&lt;/i&gt;. E daí?&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É por isso que, às vezes... Às vezes eu nem preciso de uma poesia para lembrar de você. Às vezes é só o baixar das minhas pálpebras, todo esse som mudo das pestanas, e os tais dos probleminhas. [E que eles não tenham solução].&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1362406590516420075?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1362406590516420075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1362406590516420075&amp;isPopup=true' title='50 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1362406590516420075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1362406590516420075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/12/o-problema.html' title='O problema...'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>50</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4539350557351862677</id><published>2009-12-02T23:00:00.010-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:20.529-03:00</updated><title type='text'>Vovô Arthur.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E eu bendigo, envergonhado,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esse amor, avô do meu...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Manuel Bandeira, em: &lt;b&gt;Cartas de meu avô&lt;/b&gt;].&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Pode nem parecer para quem olha de fora, mas, dentro de mim, eu sei: amar você foi a coisa mais linda que eu aprendi assim que me trouxeram para o mundo. São vinte e dois anos, vô. São lembranças verdes. Verdes, do jeitinho que imagino a grama daquela fotografia preto e branco, onde você está deitado numa pose de moço sério. Um moço sério que também pulava o carnaval, naquela cidadezinha, entre fantasias e histórias bobas. Histórias que você traz de longe e faz chegar aos meus ouvidos com um gosto saudoso. Que me faz querer saber mais. Saber de você. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;E eu te sei tão bem! Sei do coração que quase nem é teu, de tanto que é da gente. Da festa que faz quando chega, por sempre ter um doce no bolso. Do jeito como sempre me recebe com um sorriso e uma frase engraçada. Da maneira de contar as coisinhas de minha vó e do amor bonito que eu não canso de notar a cada vez que a cozinha se enche com a presença de vocês, ou o modo encantado como se entregam a Deus durante todos os dias, mas principalmente aos domingos. Sei também das reclamações, do jeito ranzinza de alguns instantes, dos sustos. Dos sustos de agora, mais ainda, que deixam meus olhos arregalados. Tão arregalados que, ao te ver imerso no sofá branco, olhando a rua e espiando o livro, sinto o amor te doendo em paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Eu gosto mais é de lembrar você com as plantas, e daquelas tardes amarelas no meio dos cafezais. Gosto de lembrar dos passarinhos, e do periquito quase da família, parte da infância minha e de Gabriel. E do dia em que você chegou com um pintinho verde e um cor de rosa, para cada um de nós. Motivo de alegria por semanas. Gosto de sorrir vendo você dar boa noite aos apresentadores de telejornais. Da maneira como sou recebida quando descobrem que sou neta de &lt;em&gt;seu Arthur&lt;/em&gt;. O &lt;em&gt;Tuzim&lt;/em&gt;, dos seus, menino ainda que sempre será. Gosto de quando dizem que você continua forte e que não mudou nada. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;E você não mudou mesmo não. É o mesmo moço que chegava da feira aos sábados enquanto eu acabava de acordar, e me fazia babar com os biscoitos mais gostosos do mundo. São as melancias que me lambuzavam no quintal, aos domingos. O coquinho quebrado entre conversas. O moço que me fazia cócegas quando eu buscava um afago em seu colo. O mesmo que me servia de boneca, enquanto assistia televisão, e me deixava amarrar seus cabelos, enfeitar com laços, e sorria de mim, menina. Que me contava que meu nome ainda estava escrito na minha árvore preferida do antigo sítio. Aquele que dançou comigo a valsa da minha primeira colação de grau. Em círculos, lembra? Eu te amei tanto nesse dia! Você, para mim, vai sempre ser o mesmo moço de cabelos de algodão, que chora quando sente vontade e tenta disfarçar uns olhos vermelhos que não deixam nunca de emocionar. Aí eu inevitavelmente penso: &lt;em&gt;se todos fossem no mundo iguais a você...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Porque é lindo, vô. É lindo caminhar ao teu lado e ver todo mundo te cumprimentar alegre. Ver as crianças te chamando de vô, como aquele dia quando descíamos a rua ao lado. Aquele sorriso banguela que te perguntou &lt;em&gt;cadê meu doce?&lt;/em&gt; E a maneira como sorriu ao receber de você uma moeda para comprá-los. Foi linda a maneira como você disse à moça que &lt;em&gt;essa é minha neta&lt;/em&gt;. E o jeito como ela me parabenizou falando que &lt;em&gt;ele é muito querido por todo mundo&lt;/em&gt;. Lembro dos teus olhos nos meus, nessa hora. Eu gritava um &lt;em&gt;eu te amo&lt;/em&gt; urgente. Ainda hoje acho que você entendeu. É um orgulho, vô, é um orgulho ter muito do teu sangue correndo misturado ao meu. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Para agora, eu só quero que você não deixe de caminhar teus dias. Vira essa cidade de cabeça para baixo, com teu corpo gasto de vida. Ainda há tanto a se gastar! Chega com tua sacola nas mãos. Toma teu café de cheiro delicioso, me oferece um biscoitinho, senta ao meu lado no sofá, pergunta sobre minha mãe, minha outra família. Senta comigo na cama também, e espalha todas as fotografias que remontam nossos momentos furtados do mundo. Ensina Pedro a soltar o pião, põe no corpo tua túnica e serve a Deus daquele jeito que me fez chorar na Igreja quando te vi pela primeira vez ali. Vai deixando tua imagem bem grudada em cada canto daquela casa que já veste você. Vai tomando meu amor, me dando o teu, assim, desse jeito mudo e explícito. E se faltar alguma coisa, a gente inventa. Vai. Deslumbra esses dias azuis de Conquista, que amanhã eu passo aí para te beijar. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;i&gt;Bença&lt;/i&gt;, vô. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Daqui, hoje, todo o meu amor avesso. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Do berço,&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Jaya.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;&lt;b&gt;Vitória da Conquista, dois de dezembro de dois mil e nove. E uma lua bonita no céu. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4539350557351862677?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4539350557351862677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4539350557351862677&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4539350557351862677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4539350557351862677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/12/vovo-arthur_02.html' title='Vovô Arthur.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1765067459259544135</id><published>2009-10-25T10:36:00.017-03:00</published><updated>2010-06-01T20:57:22.904-03:00</updated><title type='text'>Mais tarde.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Alguma coisa a gente tem que amar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[Rodrigo Amarante, em: &lt;strong&gt;Condicional&lt;/strong&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZAa0og008K4/SuRXB_GrCeI/AAAAAAAAA1Q/HEvIkFDrv6E/s1600-h/3719852308_b853e1ae0c.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396533945127602658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 256px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZAa0og008K4/SuRXB_GrCeI/AAAAAAAAA1Q/HEvIkFDrv6E/s320/3719852308_b853e1ae0c.jpg" border="0" /&gt; &lt;/a&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem por: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/erika_kuhn/3719852308/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Erika Kuhn&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;perdi&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;entre&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;as &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;estrelas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O avesso, que explica:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pode ser até do corpo se entregar mais tarde&lt;br /&gt;parece simples, mas a gente às vezes é&lt;br /&gt;e o amor é lindo deixo&lt;br /&gt;tudo que quiser eu não me queixo em ser&lt;br /&gt;acho normal ver o mundo feito faz o mar num grão de areia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de se entregar a sorte, todo mundo vai saber em ver&lt;br /&gt;que o vai e vem pode ser eterno&lt;br /&gt;pra ver quem manda&lt;br /&gt;acho que não vai dar, tô cansado demais&lt;br /&gt;vou ver a vida a pé&lt;br /&gt;acho normal tá no mundo feito faz o mar num grão de areia.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Marcelo Camelo, em: &lt;strong&gt;Mais tarde&lt;/strong&gt;].&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;_____________&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fui ver a vida. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quando souber descer das palavras, volto para contar. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mais tarde. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Parece simples, mas a gente às vezes é&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1765067459259544135?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1765067459259544135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1765067459259544135&amp;isPopup=true' title='70 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1765067459259544135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1765067459259544135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/10/mais-tarde.html' title='Mais tarde.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ZAa0og008K4/SuRXB_GrCeI/AAAAAAAAA1Q/HEvIkFDrv6E/s72-c/3719852308_b853e1ae0c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>70</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-9066030443284723135</id><published>2009-10-23T20:27:00.014-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:36.569-03:00</updated><title type='text'>Dona Maria.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Despedir dá febre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;[João Guimarães Rosa]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu fico pequenininha, dona Maria. É, assim, desse tamanhinho. Coloca a mão aqui no meu coração que a senhora há de sentir. Tá acelerado, não tá? Tem tanta coisa misturada aí dentro. Uns bichinhos esquisitos &lt;em&gt;trimilicando&lt;/em&gt;, sabe? Perguntei à tia e ela me disse que era só uma coceirinha de nuvem. Eu ri da cara dela, porque eu já sei que nuvem é fumaça. A tia pensa que me engana, &lt;em&gt;aiai.&lt;/em&gt; Tia danada, né, dona Maria? Será que a senhora se importa se eu fico aqui falando e falando? Não? Tá bom. É que eu adoro vir aqui na fazenda visitar a senhora. Quando a gente vem chegando, de dentro do carro eu já enxergo a senhora sentada ali no banquinho que fica em frente à casa. Vejo a senhora de lá da estrada e já começo a sorrir. Por isso que quando o carro para eu desço correndo e pulo nos braços da senhora. Ninguém mais tem esse abraço, para mim. A senhora é tão fofinha, dona Maria! Parece algodão. Aí depois do abraço eu saio correndo disparada atrás do cheiro de café que mora na cozinha. O café mais cheiroso do mundo, eu digo para quem quiser ouvir. E fico lá, sentada em cima das minhas mãos e balançando os pés, na beira do fogão à lenha, enquanto a senhora labuta com as panelas e canta uma música. Agora a senhora tá aí, deitada na cama, parecendo um bebê. Eu vou cuidar da senhora, dona Maria. Igual àquele dia que eu tomei uma queda perto do açude e a senhora me pegou no colo e cuidou do meu machucado. Nem saiu tanto sangue, né? Mas eu chorei tanto. Porque eu sou meio boba, e choro muito. Lembro que eu perguntei como a senhora fez para passar minha dor e a senhora disse que a receita era amor. Que amor cura tudo. Pois então a senhora há de ficar curada, também. Trouxe um monte de amor na minha mala, viu? Pedi para os primos, as tias, os tios, a mãe, o pai. É tudo para a senhora, dona Maria. Tudo. Toma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, olha aquele passarinho, ali. Ué, dona Maria, a senhora tá chorando, tá? Segura minha mão, então. Pode apertar bem forte. Sempre que eu choro eu seguro na mão da mãe, sabe? Nem sei direito o porquê. Acho que é porque a mãe é a pessoa mais forte do mundo. A mãe é linda, dona Maria. Fala um monte de coisa sabida para mim, que nem a senhora faz. Eu não sei viver sem a mãe. Toda vez que eu choro, ela fala que vai passar, e me dá um beijo na testa. Sempre passa. Posso beijar a testa da senhora? Olha, eu desconfio que a mãe sabe um monte de coisa mágica para me deixar feliz, dona Maria. Queria que ela pudesse usar no mundo todinho, essa mágica. Queria mesmo. Dona Maria, a senhora quer amora? Colhi algumas antes de vir para cá. Vermelhinhas, as bichinhas. Eu tenho cá para mim que amora é a fruta mais parecida comigo, aqui nessa fazenda. Meu lugar preferido é ali, do lado do pézinho dela. Eu gosto quando a senhora me chama de minha amorinha e me aperta a ponta do nariz. Eu trouxe flores para a senhora, comprei junto com a mãe. Ela colocou naquele vaso bonito em cima da mesa de jantar. Depois a senhora vê. Nunca dei flores a ninguém. Eu fico vermelha quando ganho presente, ou quando dou presente a alguém. A vó reclama comigo nos meus aniversários, só porque eu fico levantando o vestido. Ela diz que eu já sou mocinha e que não posso ficar levantando a roupa. Mas é pura vergonha, dona Maria. Parece que ninguém entende que é vontade de sumir, e talvez o vestido tampe pelo menos o rosto da gente. Cada uma, essa vó. A senhora lembra muito ela. Às vezes parece que as duas têm o mesmo cheiro. Cheiro de vó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ajudei a mãe a enrolar um brigadeiro para a gente comer depois do almoço. A mãe sabe fazer doces, mas o doce de leite dela não é igual ao da senhora. Eu nem falo para ela, para ela não ficar triste, né? Mas o doce de leite da senhora, com aquelas bolinhas, e os cravinhos dentro. &lt;em&gt;Aiai&lt;/em&gt;. Fico com água na boca, só de lembrar. Outro dia eu tava chupando manga, e o pai ficou falando que eu sujei tudo. Eu expliquei para ele que manga só se chupa assim. Era tão bom ficar aqui na fazenda, me lambuzando debaixo do pé de goiaba, com a cara toda amarela e ouvindo as histórias da senhora. A senhora dava aquela risada gostosa, e eu ficava feliz o dia inteiro. Depois a senhora me colocava naquela baciazona e me dava um banho. A senhora lembra? Eu vou contar um segredo, dona Maria: vou sempre chupar manga desse jeito, mesmo quando eu já for grandona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tá de noite. Papai do Céu parece que fica mais perto, quando é noite. Eu sempre converso com ele sobre a senhora. A vó me ensinou a orar desde que eu era pequenininha, aí eu oro todo dia antes de dormir. A vó me disse que todo mundo é irmão, sabe? Achei isso a coisa mais linda. Porque assim eu posso ser irmã de Julinha e de Matheus. Mas tem gente que não quer, dona Maria. Isso deixa Papai do Céu muito triste. Deixa eu botar esse colar de pérola na senhora, deixa? A senhora fica parecendo uma pintura, quando usa ele. Eu que queria ter pintado a senhora. Acho que todo mundo ia querer uma igual, mas nem dá para existir no mundo mais de uma cópia dessas coisas encantadas, assim, que nem a senhora é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora é tão coisada em mim, dona Maria! Eu ri agora. Lembrei da mãe rindo de mim, quando eu falo &lt;em&gt;coisado&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;negoçado&lt;/em&gt;. A senhora fala igual. Será que a mãe não sabe que não existe palavra para tudo? Essa mãe, viu? Eita, parece que vai chover, dona Maria. Eu gosto de chuva. A senhora também, que eu sei. A fazenda fica toda verdinha quando chove, e o açude nunca fica seco, desse jeito. Toda vez que chove eu lembro daqui. A senhora tá com sono? Tá com os olhinhos nublados. Vai chover também, vai? Parece que eu tô ficando esquisita, dona Maria. Tem um trem me queimando por dentro, agora. Igual aquele dia que o pai viajou e eu fiquei com saudades dele. A senhora disse que era isso minha febre, e nem adiantou nada o remédio que a mãe trouxe, não foi? Deve ser isso, não deve? Deve ser que a senhora tá querendo ir embora. Mas e se eu não der tchau, dona Maria? Aí a senhora fica?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu fiquei, dona Maria. Nenhum termômetro dá conta dessa história de falta sobrando. E me dá uma vontade danada de chorar. Mas a senhora tá brincando com as estrelas, agora, igual menina. E olhando com seus olhos doces os anjinhos e suas liras. Então eu vou parar de ficar triste, porque eu prometi. Já sei que nem existe cura para tudo. E todo aquele amor que eu trouxe para a senhora, tá aqui, ainda. Tem um tantão infinito lá, de onde vieram aqueles. O amor tá solto, dona Maria. O amor tá solto, e isso é coisa da senhora. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-9066030443284723135?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/9066030443284723135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=9066030443284723135&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/9066030443284723135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/9066030443284723135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/10/dona-maria.html' title='Dona Maria.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-283027881934520676</id><published>2009-10-15T00:46:00.007-03:00</published><updated>2011-07-10T16:04:27.114-03:00</updated><title type='text'>(In)ternamente.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que eu faça fantasia mesmo acordada.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Fabrício Carpinejar]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Desliguei o telefone e soltei em cima do colchão. Deitei abraçada a ele. Acabei de chorar um jasmim, absorta para o meu lado de dentro. Guardada em mim mesma. Ali, contando nos dedos minhas miudezas, dando nomes, medindo gestos, buscando maneiras novas de me esconder. Ultimamente é ali dentro que a vida vai, e quase ninguém vê.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ultimamente eu ando cheia de fé. Ando dando atenção aos papos mais furados. Tenho escrito cartas longas. E aqueles medos excessivos não são insones, como antes. Saio por aí olhando em volta e agradecendo. Vou à igreja e choro, sem ninguém notar. Tenho me emocionado com facilidade, também. Tudo tão naturalmente, o tempo todo. Vida, vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Fuço distâncias, sem deixar doer. Falo de sentimentos de um jeito muito lento, que é para não precisar repetir. Mas acabo me embolando, como sempre. Volto a ouvir muita bossa e puxo do meu lado doce, meu menor lado, um pouquinho de conforto para deitar na cama onde um pedaço meu derrama angústias. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Recuso cinismos. Continuo a não gostar da poesia que rima, e fecho minha boca para a língua não tentá-la com aquela eterna história de queroeuquerovocê. Fecho e abro, porque deixar de engolir estrelas não é permitido. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Dos meus bolsos despencam ternurinhas, enquanto caminho. O momento em que nasci. As lágrimas de minha mãe ao me ver partir sem olhar para trás. Meus olhos, ao ver o mar. Meu primeiro beijo. O gosto de guaraná do parque da minha infância. O dia em que esse moço apareceu dentro de mim. Os olhinhos da minha menina de lá. As viagens com meu pai. O cheiro de café da casa da vó. Meu gosto insano por sorvetes. As orações antes de ir dormir. Frases do primeiro livro que li. Minhas madrugadas insones. E um e outro amor, em conta-gotas.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Sempre gostei de amar assim, baixinho. Sem contar, sem espalhar, sem deixar caber tendências. As coisas são bonitas, correndo entre as veias. E para mim, a coisa mais linda do mundo pode ser o momento em que um cílio dele cair na bochecha, enquanto dividimos um sorvete. Nunca precisei de grandes motivos para sorrir. Tudo cabe nas pequenezas. No delicado. Numa fuga para dentro de alguém, talvez.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Eu escuto os eucaliptos do bosque aqui ao lado murmurando arrepios que são muito meus. Depois rio de mim, lembrando do amigo que me perguntou a que espécie de gente eu pertenço. Lembro de dizer-lhe que não pertenço. Sou agora, e depois deixo de. E se às vezes eu exagero, é por não saber caber em coisas menores.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Já é mais de meia-noite. Saio do meu quarto e fico rondando a casa escura. Penso em como seria a cena, se eu fumasse. Sento na porta do corredor ao lado, em posição de meditação e me surpreendo ao notar que sonhando eu fico natural. Não vejo a lua. Deixo queimar todo esse incenso de canela. A essência se solta em forma de espiral e me atinge, dispersa. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Um silêncio. Uma vontade de pegar o telefone, de novo. Outro destino. Uma voz de sono do outro lado, talvez. Minha voz de carinhos só dele. E todas essas palavras desconexas que me desviam. Nenhuma surpresa, nenhuma. Um acúmulo em mim, feito de mil e uma misturas. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Tô aqui porque a vida me trouxe, aqui. Não gosto sempre. Mas enquanto tiver coração, eu sigo. E caminho. Despenco. Aos trancos, mesmo. Porque tem delícias maiores no meio da estrada. E eu gosto de ir junto com as coisas. Com as cores. Com o vento que decora meu nome. E melhor que tudo isso, sempre tem uma razão linda: amanhã vai fazer sol. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;De volta ao quarto, um jasmim no meu travesseiro. Escrevo, agora, na minha parede branca, antes de ir deitar:&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;- Preciso acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É um amor desmedido, por tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-283027881934520676?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/283027881934520676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=283027881934520676&amp;isPopup=true' title='43 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/283027881934520676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/283027881934520676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/10/internamente.html' title='(In)ternamente.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>43</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-247893466804188730</id><published>2009-10-09T00:20:00.005-03:00</published><updated>2009-10-09T10:52:06.812-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-247893466804188730?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/247893466804188730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=247893466804188730&amp;isPopup=true' title='41 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/247893466804188730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/247893466804188730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/10/blog-post.html' title=''/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>41</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-6342331457088639425</id><published>2009-10-05T18:15:00.009-03:00</published><updated>2010-06-04T13:30:47.355-03:00</updated><title type='text'>Azul Clara.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Para a &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://aclarameninaclara.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;moça-que-se-veste-de-céu&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Me veio como um &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;b&gt;pedaço solto de poesia&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; que despenca ali, entre as pedras do Recife Antigo. Essa moça. As letras voaram disparadas até mim, e ficaram. Fincaram &lt;b&gt;raízes&lt;/b&gt; com uma profundidade que eu pensava nem existir em palavras alheias. Era luz. É muita &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;luz&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Clara sorri vida&lt;/span&gt;, e a deixa escorrer com toda uma urgência peculiar para dentro de quem a recebe. Ela enxerga alma, e se propõe a desatar qualquer nó esquecido. Eu era botão, no dia em que a encontrei, e tão logo nos olhamos, tudo desabrochou. Para ela. Para mim. Flores, flores. Uma &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;b&gt;primavera infinita&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;. Aprendemos a importância de regarmos nossos jardins. &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Renascer&lt;/span&gt;. Com letras, poesias, madrugadas, sinceridades. Clara me ensinou a receber. A doar. A &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;espremer a beleza do agora&lt;/span&gt; e admirar des-me-di-da-men-te. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Clareana. Duas em uma. E mais eu, misturando. Batidas. Talvez por isso às vezes eu a queira morando em meus olhos, naqueles momentos onde coisas encantadas me tomam a visão. Para dividir o belo. Para entregar-lhe pedaços dos meus melhores jeitos de sentir. Para me espalhar, da mesma maneira como a &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;poesia-vermelho-fogo&lt;/span&gt; dela chega morando em mim, a cada leitura. Palavras que escorrem como um &lt;b&gt;gole de gim&lt;/b&gt;, possivelmente com (e)feitos deliciosos. Outras vezes, arisca, &lt;b&gt;arrisca queimar&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Clara-como-a-luz-do-sol&lt;/span&gt;. Porque ela faz derreter qualquer um que se submeta a ser estrutura gelada, em seus dias de chama. &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;A moça arde&lt;/span&gt;. Derruba retratos em branco. Tem mãos de aquarela. Sabe &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;pintar amor&lt;/span&gt; em todas as paredes, e colocar o excesso em envelope para ser recheio meu. Nosso. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;b&gt;Clara-passarinha&lt;/b&gt;. Sem horários, onde o tempo é sempre o quando. Uma loucura desenhada em nuvens. Uma intensidade sem morada. Um sotaque lindo. &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Gosto de estrela&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Uma das coisas mais lindas da minha vida, &lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;Clara é azul&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;. Azul Clara.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Então, quando tocar uma música na tua porta, Clarinha, abre com teu melhor abraço. Já ensaiei o convite: &lt;b&gt;vim para ouvir o mar ao teu lado&lt;/b&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Agora vai entregar ao mundo esse teumeu exagero. Todo esse nosso &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;b&gt;amor-demais&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;. E um samba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-6342331457088639425?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/6342331457088639425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=6342331457088639425&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6342331457088639425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6342331457088639425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/10/azul-clara.html' title='Azul Clara.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-304514334796744603</id><published>2009-09-21T11:34:00.010-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:45.121-03:00</updated><title type='text'>Solta.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Deixa eu dançar, pro meu corpo ficar odara&lt;br /&gt;Minha cara, minha cuca ficar odara&lt;br /&gt;Deixa eu cantar, que é pro mundo ficar odara&lt;br /&gt;Pra ficar tudo joia rara&lt;br /&gt;Qualquer coisa que se sonhara&lt;br /&gt;Canto e danço que dara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;strong&gt;Odara&lt;/strong&gt; - Caetano Veloso]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu gosto de barulho bonito, poeta. Aquela maneira engraçada, que puxa a gente para um samba e o corpo dança no meio daquela roda. Saia rodada, pés descalços, flor nos cabelos. Tudo que rodopia enquanto a alma se arrepia. E todas aquelas mulheres cheias de histórias contando poesia nas escadarias do&lt;em&gt; Pelourinho&lt;/em&gt;. Brincos nas orelhas, colares mágicos, cheiro de jasmim. E cada um dos nós que guardam pedidos naquelas fitinhas de &lt;em&gt;Nosso Senhor do Bonfim&lt;/em&gt; acabam se perdendo quando a alegria escapa sapeca ao ver o coração ecoar sua música pelos pulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem raízes, sombras, e meus cabelos se trançam desritmados pelas mãos de uma moça de sorriso insuportavelmente bem feito. Caminho esquecida por toda aquela rua de pedra, me afogando em um amor tão grande que, por não saber mais virar curvas, entrou no mar e se fez infinito. Por isso o sigo. Persigo. Amor que me lambe, fazendo doces todos os meus músculos. Tambores batucam nos meus olhos. Meu corpo inteiro grita tragédias, sem nem saber que é apenas mais um romance que se enovela a partir dos meus quadris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linda, cambaleante, solta, gosto de amor feito na rede. Transpiro, multicores, enlaçando sonhos naquela fita amarela que mede todo o não-sentido em minha cintura. A noite se abre em meus seios deixando escorrer mil e duzentos absurdos que rastejam sem norte. A lua e a estrela que moram em meu anel de pedras verdes desenham a Bahia nas palmas das minhas mãos. Salva(a)dor. Tudo rima em minha pele vigiada pelo sol. Tudo rima com o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a gente senta, o indizível começa a escorrer pelas calhas, como se chovesse excesso de querer-bem. Todo mundo traz em si aquela coisa que só parece caber em cartões postais, e denuncia em cada milímetro toda essa mistura rubra que exalta a maneira mais diversificada de felicidade. Todas as falas cantam. Todos os abraços cabem nos meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito amor demais, é o que tem para hoje. O que acontece, aqui? Vida. Eu, acontecendo, a-bun-dan-te-men-te, sentada na calçada debaixo do pé de espatódea que peca pelo excesso de cor. Nessa hora, o barroco inadiável chega e vivo épocas que remontam essa minha certeza de que nasci para morrer de amores. E dói, dói, dói tanto, que eu sorrio. Sorrio flores, anunciando a primavera despetalada em minhas entranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Areia de praia, coqueiros, cravo, canela, mãos ao queixo, tudo enquanto espero você, poeta, para desencantar toda essa euforia, antes que eu vire estátua nas bordas do mar, eternamente a contrabandear seu azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã &lt;em&gt;São Jorge&lt;/em&gt; prepara a lua cheia, e eu seguro o céu, rainha de mim mesma, enlouquecendo de saudades e enterrando o acúmulo de lucidez extraviada. Leva esse axé para o mundo, poeta. Um gerânio no meu sangramento, e todo esse barato ausente de coordenação, é o que me preserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto no que é lindo. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-304514334796744603?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/304514334796744603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=304514334796744603&amp;isPopup=true' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/304514334796744603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/304514334796744603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/09/solta.html' title='Solta.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1436970531896576481</id><published>2009-09-17T08:59:00.013-03:00</published><updated>2011-05-05T10:14:00.830-03:00</updated><title type='text'>Qualquer coisa que pulsa.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender,&lt;br /&gt;um coração exageradamente espontâneo&lt;br /&gt;que sente tudo o que eu sonho como se fosse real,&lt;br /&gt;que bate com o pé a melodia das canções&lt;br /&gt;que o meu pensamento canta...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Fernando Pessoa&lt;/strong&gt;, em: Novas Poesias Inéditas].&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho uma coisa muito minha, de olhar o céu e pensar em todo mundo que está longe. E se você reparar direito, sorrindo teu corpo, vai notar, assim como eu, que algo sempre brilha mais. Te vejo, enquanto solto essas letras ao teu encontro. Senta ao meu lado, moça, que vou te contar do que nunca quero saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as coisas se soltam, por aqui, eu tenho muito medo de perdê-las. Penso em ir grudando cada formato como se fosse um desenho, mas que permite caber muito mais. Você chama de poesia, eu chamo de vida. É tudo que não se limita. Tudo que dói. É cair em prantos, por tristezas intensas, ou cair em febre, diante de um amor-maior. E de onde sai, moça? Sai de tudo que é. De dentro. E mais ainda, de tudo que a gente deixa entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa coisa de mel, essa coisa ácida, tudo o que passeia nesses redores, é uma razão minha. Tua. Do moço que vende algodão doce, do carteiro que me traz amor envelopado, da maneira como a chuva cai sempre diferente, do jeito como a secretária do consultório vai me sorrir hoje, do ipê roxo que anuncia a primavera, do banco de praça onde eu sentei para acalmar a taquicardia, e a música que tocou no rádio assim que eu entrei no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou mesmo um tropeço. Uma ruptura interna, que faz sangrar. O peso que o mundo tem, e que às vezes a gente parece carregar sozinha. Toda essa soma vazia, ainda assim, é uma razão minha. É uma desculpa para essa hemorragia de letras. E mesmo que em um intervalo ou outro eu acabe fingindo o que não sou, lá estou, do mesmo jeito. Permissão de voar atrás do infinito e trazê-lo fazendo samba dentro em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo vem do defeito, moça. É de um jeito que me toma pelas mãos e me faz rodopiar com uma música que só eu escuto, e danço, ridícula, porque o coração pediu assim. E coração, quando a gente deixa, é dono de todas as razões. O meu é. Tá vendo, aqui? Cada milímetro do que me veste, lateja. Cada um dos meus poros respira o bom de tudo o que os poetas impossíveis me entregam. Já tentou caminhar no centro da cidade no horário de pico? Tem gente que se bate, gente que cai, gente que ignora, gente que pede, e alguns, desconfiados, deixam despencar o azul. Eu cato, moça. Misturo em mim, e viro todo mundo. Talvez por isso, quando você passeia aqui no meu canto, saiba sentir tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só sei escorrer em abundância. Por isso saio enfeitando o pranto, faço pouco das minhas dores, ardo em silêncio. A minha descoberta? Palavreando tudo ganha cor. Do cinza pro vermelho, eu sei oscilar em instantes. Eu acendo um incenso, e desejo tanto a lua, que o gosto dela passa a morar em minha boca. Meus dedos, moça, são totalmente melados de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me vejo tão absorta em todas as ações, que a caneta às vezes me lembra o batom. Quando a gente pega escondido da mãe, naquela fase sapeca, pinta os lábios e borra os dentes. E daí a gente vai mostrar, com medo de levar bronca, e ela sorri para depois contar a história para todo mundo. Eu faço isso com caneta e papel em branco. Tento deixar a mão solta, e tudo se preenche, entre riscos, palavras tortas, imperfeição. Publico aqui sempre com uma ousadia e um pé atrás, tímida. De repente me aparece você, uma das razões pelas quais as histórias são contadas a todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não pinto mais os lábios, apesar daquela boca na qual tenho vontade de escrever a minha. Faço aquarelas escritas, com toda essa ausência de sincronismo. O abstrato mora é nisso tudo, e em nada. Essa coisa toda, talvez chegue mesmo é de madrugada, caia em mim como o sereno, descanse em meus braços, macia. Se daí, então, o dia nunca viesse, eu &lt;strong&gt;&lt;em&gt;só&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; teria amor, e mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tento definir quando você me pergunta de onde vem essa poesia, que eu chamo de vida. Poesia, moça, é não saber. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;_____________________&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://comoqualquerpalavra.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Laysla&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, toma, esse é teu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1436970531896576481?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1436970531896576481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1436970531896576481&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1436970531896576481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1436970531896576481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/09/qualquer-coisa-que-pulsa.html' title='Qualquer coisa que pulsa.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-3253728849201420951</id><published>2009-09-13T13:05:00.010-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:31.363-03:00</updated><title type='text'>Infinito.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enquanto o tempo for.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando encontrei esse moço, ele reclamava de não ter um coração. Sorri. Sempre sorrio em primeiros diálogos, uma maneira de contrastar minha mudez e fazer com que qualquer fresta distraída do céu da minha boca seja reflexo de um afago tímido. Era um fevereiro, e eu ainda estava melada pelo infinito do mar em meus olhos castanhos. Lembrei de tentar fotografar aquilo tudo, mas mesmo a câmera ficou encabulada com o que sua lente não sabia revelar. Tudo tão, tão azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhamos lado a lado e tomamos o mesmo trem. Alguém que observasse diria estarmos compondo nosso futuro relicário, guardando em cada piscar de olhos um pedaço da eternidade que viria. Os cílios emolduravam em nós firmes todas as certezas duvidosas. Nos guardávamos em, sem nem ao mesmo sabermos. Primeiras impressões, enquanto perdíamos um vocabulário inteiro para dar lugar ao silêncio que sintonizava frequências cardíacas ensandecidas. Era dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passando as mãos nos cabelos, ele arrumando os óculos. Falamos do que era antigo. Do tempo em que as cartas eram fechadas com a língua, onde pegar na mão era permitido - e só, e o namoro no portão era uma vitória. Não era época onde coubéssemos, como agora, havendo embarcado para uma viagem com bilhetes instantâneos que não foram preenchidos com destinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo e já éramos falantes, gesticulando, cheios de luz. Nossas risadas se fundiam, sustenidas. Ele me tomou a mão, dizendo ver miragens, enquanto fazia leitura de tudo que riscava aquele encontro distraído. Sem querer, enquanto trazia minhas mãos de volta, toquei o bolso esquerdo do seu casaco e seu coração pulou entre meus dedos. Se encaixou como se tivesse nascido para estar ali, apesar das asas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me perguntou o que eu enxergava, não contei do espelho. Disse-lhe uns versos de &lt;em&gt;Bandeira&lt;/em&gt;. O coração desse moço tinha &lt;em&gt;o fogo de constelações extintas há milênios. E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.&lt;/em&gt; E era inevitável não notar minha imagem ali dentro, espelhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brevidade do encontro. Infinito em tudo o que possa restar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um susto. A sensação de se carregar alguém consigo é sempre essa, um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era verão. Veio o outonoinvernoprimavera. Fomos todas as estações. Brigamos por motivos sérios, motivos bobos, pensamos haver nos perdido para sempre, voltamos, brigamos só para fazer as pazes, paramos de brigar. Passeamos de mãos dadas, abraçados, ensimesmados. Eu andava na frente, ele atrás. Eu corria, ele corria. Sentamos na grama, deitamos na grama para olhar estrelas. Fugimos da chuva, ouvimos suas notas sentados à varanda. Fizemos mimetismos de amor, eu quis lhe fazer surpresas - mas acabava contando tudo antes da hora. Saímos à noite, à tarde, de manhã. Afundei o pé numa poça de lama, ele sorriu. Ele tropeçou na escada, eu sorri. Reclamei da comida, ele reclamou do tempo. Fizemos planos, acordamos em nossos sonhos. Acordamos com sede, atravessamos a casa de madrugada, e bebemos belezas sortidas. Escalas. &lt;em&gt;Eusemprefuisódevocêsemprefoisódemim&lt;/em&gt;. E viajar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto delírio me sobra por ter o sorriso desse moço dentro em minha boca. Corações em mãos, naquele fevereiro, e a proposta: ambos ecoando, hoje, no peito que melhor lhes coube. Sem licenças, e todos os acordos gravados. Coisa de laços que fixam residências, espalhando aquele cheiro de tudo que ainda vai brotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, era agosto, e naquele bolso esquerdo do casaco que um dia me embrulhou, dobrei um bilhete. Em branco. Quando seus olhos passearam ali, esse moço soube ler meu infinito lhe sendo entregue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não descemos do trem. A vida quem leva. Ainda hoje, um susto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-3253728849201420951?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/3253728849201420951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=3253728849201420951&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3253728849201420951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/3253728849201420951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/09/infinito.html' title='Infinito.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4890727920068309579</id><published>2009-09-04T00:38:00.011-03:00</published><updated>2011-05-05T10:10:32.489-03:00</updated><title type='text'>Fotografia.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E quando você me envolver&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: normal"&gt;&lt;i&gt;nos seus braços serenos &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-WEIGHT: normal"&gt;&lt;i&gt;eu vou me render&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;Ligia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; - Tom Jobim]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Porque nos encontraríamos, pedi que a cidade se acendesse. Você sempre com esse copo na mão, e toda essa fumaça misturada ao tom de quem carrega o mundo consigo. E chora no escuro enquanto eu te observo, sem entender, sem te entender. Coisa de gente como a gente, que nasceu para sentir demais. Ser demais. Ser excesso. Que se derrama e deixa tudo escorrer para a vida. Deixemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É domingo, e nossa mesa reservada, de sempre, já parece guardar as histórias de cada sorriso que escapou por entre nossos lábios. O clima é outro. Mas os ecos de suspiros atrasados me lembram o dia em que quis te tomar emprestado para mim, aqui. Sem nem marcar devolução. Te tomar do mundo, e te dever a ele. Culpa do teu violão, e das palavras que me provocavam. Até então eu não sabia do bom de ser folha em branco para poesias dessas que costuram cicatrizes, e que, enquanto fechavam feridas, guardaram sopros da tua essência. Você se perdeu em mim, e eu me encontrei, aí.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Hoje eu chego enquanto você ensaia ao piano. Toca de olhos fechados, sem cantarolar com tua vozinha de sono. Ao me ver chegar, faz silêncio, e vem ao meu encontro. Não entendo o vermelho do lugar, e não gosto do silêncio que você sempre teima em escutar detalhadamente. É como se mesmo envolta em meu vestido verde, toda a nudez do amor fosse latente aos teus ouvidos. E você me observa tão de perto, como se tuas pálpebras piscassem em minha retina. Engulo flores, e beijo a harmonia em tua boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Algumas coisas simplesmente teimam em viver, eu penso. E o bar ainda vazio parece fazer de tudo um filme. Porque sempre gostamos de bossa. Compramos ações na bolsa de amores, pagamos para ver, e o mercado sabe continuar em alta. E o silêncio de agora? Eu, estranhamente gelada. Lembro de uma noite, das nossas primeiras, onde você disse que um copo de uma bebida quente faria evaporar minhas dores. Estranhamente, hoje é você quem me lateja. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;As pessoas começam a chegar, cumprimentam você, a mim, as mesas são preenchidas, as garrafas desfilam, as emoções destilam, você vai para o palco. De lá, me pega no colo com os olhos, mania da qual não sabe se desfazer. Desvio minha atenção para a taça, como se o vinho me dissesse verdades improváveis. Degusto. Tem teu gosto. Teu piano. ViniciusToquinhoTomChico. Todas as mulheres. Os outros te aplaudem em meio à minha inércia. Queima uma estrela em minha mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Esses quadros nas paredes, com fotografias de músicos, essas luzes coloridas, esse cheiro louco de cigarro. Tudo parece ser tocado por ternurinhas frágeis. Mentirinhas apaixonadas que enfeitam as primeiras declarações incertas. E o dia virando, o garçom já emborcado sobre o balcão, você e o piano sendo o &lt;i&gt;sambinha feito de uma nota só&lt;/i&gt;, e as cinzas das horas querendo transformar em pó minha vontade de estar. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Sentir às vezes não cabe. Nós, às vezes achamos bonito caber no amar, ou numa palavra qualquer que dê ideia de certeza ao nosso vínculo de morada em. Tudo é sempre mais. E enquanto não sou do presente, você vem caminhando até mim. Som de flauta, cavaquinho, e azul. As portas se fecham, e nós dois, lá fora, encerramos um abraço-soneto que recebe o setembro primaveril em nossos laços. Um nó. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Do outro lado da rua, o mar todo grávido de uma lua cheia. Você, me tendo tão mais perto, despeja com vozinha de sono, doce:&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;-&lt;i&gt; Esqueci no piano as bobagens de amor que eu iria dizer...&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;E você não sabe, meu bem, que todo o meu medo mora em teus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4890727920068309579?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4890727920068309579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4890727920068309579&amp;isPopup=true' title='42 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4890727920068309579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4890727920068309579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/09/fotografia.html' title='Fotografia.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>42</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-663424854046496133</id><published>2009-08-28T11:40:00.014-03:00</published><updated>2010-04-21T21:56:05.944-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra nós,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;TODO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;o &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;AMOR&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;do &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Sem caber de imaginar.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;[Marcelo Camelo - Morena]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-663424854046496133?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/663424854046496133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=663424854046496133&amp;isPopup=true' title='46 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/663424854046496133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/663424854046496133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/08/pra-nos-todo-o-amor-do-mundo.html' title=''/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4327373929003199801</id><published>2009-08-21T23:22:00.013-03:00</published><updated>2011-06-06T00:00:32.554-03:00</updated><title type='text'>O dia em que você me disse "eu te amo".</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu diria que não é assim desse jeito, que sua insanidade nunca ultrapassou seu jeito de soprar letras ao meu ouvido feito canção de ninar. Talvez sempre houvesse em você essa necessidade de apanhar meus olhos em lágrimas, rindo da minha cara de espanto ou de bebê chorão, como você gosta de me chamar. Posso ser o que você quiser, já lhe disse. Só não me leve embora aquele nosso dia que foi embrulhado inteiro e colocado na nossa caixa de correio com o destinatário escrito em giz de cera: a vocês. Foi como se o mundo inteiro estivesse num único compasso, girando num propósito egoísta: o de nos fazer dançar. Assim li no seu abraço, aquele que você me deu pela manhã, num comportamento nada físico que atravessou o telefone junto com a rádiofrequência que trazia sua voz pra mais perto de mim. Foi como se mil pisca alertas tivessem se ligado ao mesmo tempo: me veio um clarão e a sensação de que havia coisa melhor do que ler poesia. Viver poesia. Fui embora de casa numa vontade louca de encontrar você andando distraída, indo comprar nossa passagem de lua-de-mel. Morava em mim também uma saudade doentia que pedia você em qualquer rosto estranho que passava. &lt;em&gt;Nunca amei assim,&lt;/em&gt; pensei de um jeito que deveria ter escrito, porque foi bonito. Mas lembrei que o sentir nunca vai pro papel, e essa sempre foi nossa dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã, por milagre, quis passar depressa e caminhei apressado pro nosso ponto de almoço, com o coração tão ansioso como no nosso primeiro encontro. Encontrei-a em um estado lacônico e mergulhei meus cabelos em seu ombro, buscando seu afago e remédio que me caíam tão bem. Nossa respiração mantinha o mesmo estranho som que se encontrava despropositadamente. Aquilo nos fez rir. Suas mãos puxaram meu rosto e vi um beijo nascer dentro dos seus olhos. Vi que em você, tudo nascia primeiro nas íris e depois ia tomando forma em qualquer parte do corpo, àquela que cabia. Almoçamos enquanto tocava uma música imaginária que escutávamos muito bem. &lt;em&gt;Casal estranho&lt;/em&gt;, pensaram os que estavam em volta, mas não entendiam nada de sonhos. Você me disse do futuro e das coisas boas que nos esperavam. Acreditei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que talvez acabassem morando em nós infinitos pluriamores sem conjugação. Seus olhos tão mais perto me botavam um medo sem nome, do tipo que me transformava em piano, fazendo notas ecoarem a cada vez que suas pálpebras se entreabriam. Você entregava um sorriso displicente, como quem dizia &lt;em&gt;eu não tenho nada a ver com isso&lt;/em&gt;, deixando de lado a impressão ensimesmada de quem carrega uma lua em cada retina. Lembrei dos nossos defeitos fuçados, expostos, e como seu jeito cabia em meus esconderijos. Nossas mãos brincavam numa distração inocente, provando de gestos antes nunca feitos, quando o moço quis saber o que servir. E nossa música sem nunca acabar. Uma história de cinema mudo. Um tic-tac do relógio na parede central, retumbando com o bater desafinado do meu coração-cofre recém aberto. Os ponteiros todos corriam, e no guardanapo em cima da mesa, sua boca sem batom borrava de poesia vermelha aquele branco sem história. Senti aquilo de todas as letras mais lindas escrevendo sobre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você dobrou a esquina levando consigo meu sorriso e deixou em meus olhos todos aqueles sem fim de beijos cancelados pela ausência silente que era companhia quando não nos tínhamos. Coisas perdidas em caixas sem fundo, e você meu melhor achado. Quis que a noite logo chegasse para que eu te encontrasse em casa mordiscando o lápis e rodeada de papéis amassados, irritada pelas palavras que não chegavam e escrevendo amor enquanto me enlaçava outra vez naquele abraço que confirmava a maneira em como teu corpo combinava com meu desenho. Todas as cores. E logo após você sentava no braço da minha poltrona, escorregando macio para chegar até mim, enquanto a mais delicada carícia parecia ter sido construída dentro de uma eternidade que eu desejo caber em nossos minutos todos. Conversas intermináveis surgiam, e adormecíamos respirando poemas dos nossos montes de livros, fazendo exalar toda a euforia sufocada que acompanhava os momentos onde não éramos, ainda. E nessa apoteose onde nada nunca rimava, eu me (re)descobri amando você. Sem-razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E muito provavelmente você não saiba, mas quando seus olhos se borraram com esse fio de lágrima ao me ouvir amante, eu escorria para o seu lado de dentro. Pura teimosia sua em querer desencantar aquelas três palavras de encanto, que ressoaram como sendo um conto em meio àquela textura de sonhos que seus lábios carregavam. E foi sempre dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;____________________________---º &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;______________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Escrito com &lt;/span&gt;&lt;a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Filipe&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4327373929003199801?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4327373929003199801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4327373929003199801&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4327373929003199801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4327373929003199801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/08/o-dia-em-que-voce-me-disse-eu-te-amo.html' title='O dia em que você me disse &quot;eu te amo&quot;.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-4982356998135379072</id><published>2009-08-13T21:51:00.015-03:00</published><updated>2011-06-09T13:53:21.342-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dulce.'/><title type='text'>Meu divã, e Dulce.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Você terá que escolher&lt;br /&gt;se perde uma chance ou deixa de dar o tom.&lt;br /&gt;Não vá se comprometer&lt;br /&gt;se a sua vontade não corresponder&lt;br /&gt;ao que o seu coração pretende realizar.&lt;br /&gt;Eu faço um poema pra te excitar...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;/span&gt;&lt;a href="http://myspace.com/brunodomonte"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tome Partido&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://falandogroselha.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bruno Dumont&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chove. Chove muito. Agosto. Cinza. Cigarros. Rouquidão. Vitrola. Eu, deitado na poltrona encardida, mudando de canal como quem deseja encontrar o impossível naquelas imagens que a televisão quase inutilizada transmite. Tô fazendo terapia. Individual, em grupo, tudo. E nada. Candomblé, banho com folhas, rezas, orações. E nada. Ando pela sala, vou à cozinha, abro a geladeira, como um pedaço daquele queijo enrolado no papel alumínio, volto, namoro esses móveis fodidos que não me trazem nenhuma alegria. Não me dizem nada, e me encaram. Pego a garrafa de uísque e viro, direto no gargalo. Tudo queima. Tudo apaga. A televisão. A janela. Deito nesse sofá de couro vermelho e brega, acendo o abajur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela janela, letreiros piscam nos redores do meu edifício. Prostitutas nas esquinas. Eu apago o abajur. Acendo, apago, acendo. Paro. E se de repente tem alguém me olhando? Essa viela estreita, um prédio cujas luzes todas estão desligadas, só a minha pisca. Sempre acesa. Um sinal inconsciente que envio. &lt;em&gt;Alguém me salve&lt;/em&gt;. Não ela. Não ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheiro de alecrim. Procuro o controle remoto, acabo com o telefone em mãos, discando o único número que meus dedos conhecem. Eu não sei porquê penso nela. Não quero tê-la, nem vê-la, quero conversar, apenas. Essa noite eu queria que todo mundo se fodesse. Seria mais fácil me propor ao mesmo, então. O que leva um cara a ficar de robe de seda, nu, no escuro, vampirizando qualquer coisa enquanto a vida, isso que chamam distraidamente de vida, acontece lá fora, e ele cheio de amor em si? Amor. Desgraça, que chama. Não me ofereçam calmantes. Quero mesmo é sofrer, espalhar, sujar tudo, estar em todo canto, apodrecer e só depois ser novo, de novo. Telefone que chama uma, duas, cinco vezes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Aloamn?&lt;/em&gt; - hálito de alecrim, quase senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Aloamn? Quem fala? Oi?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Desliguei. Voz suspirosa, como quem acaba de fazer sexo. Meu (des)controle. Ligo a televisão novamente, pela sensação de presença. Há dois meses faço as mesmas ligações, diárias. Sempre uns ciúmes. Vai ver ela sempre esteja dormindo. Vai ver... Durmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tarde seguinte, meu consultório, e um rebuliço. A secretária me informa que uma moça de &lt;em&gt;cachos vermelho-sangue&lt;/em&gt; chama por mim. É muita, muita putice, veja bem. A mulher esculhamba minha vida, vai embora, volta, vai embora de novo sem nem dar pra mim, nega meu pedido de casamento, me deixa em crise, começo a fazer terapia, descubro que ela voltou pra ficar, ligo pra ela todas as noites no mesmo horário no intuito de interromper suas transas casuais que talvez nem existam, me formo em medicina, abro meu consultório de psicoterapia, e ela surge. Enfim, retrospectivas à parte, a quantidade de vezes que pensei em pular desse oitavo andar enquanto ouvia o recado da secretária, nem sei dizer. Há tempos não conseguia pronunciar o nome dela. A moça da tatuagem mais boba do mundo. A moça que fodeu com a minha vida. Dulce. &lt;em&gt;Manda entrar e desmarca todo mundo&lt;/em&gt;. Ela entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Boa tarde, meu bem.&lt;/em&gt; - incenso, incenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Oi&lt;/em&gt;. - digo, seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Um divã de verdade, uau, posso deitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- À vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é, Leo? Vai ficar aí nessa pose de &lt;/em&gt;mamãequerosercult&lt;em&gt; só porquê é doutor, agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me fez assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você esperava um&lt;/em&gt; eu te amo&lt;em&gt; e um beijo na boca? Tó, minha boca.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vadia, vadia, vadia.&lt;/em&gt; Tem que ser muito viada uma pessoa dessa, pra chegar assim. Essa blusa verde de mangas compridas, esse short amarelo, essa meia calça preta toda desfiada, por baixo. Esse tênis desbotado, a velha bolsa a tiracolo. Esses cabelos filhos da mãe. Merda! A facilidade com a qual me entrega um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Por que você me procurou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Umas neuras, aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não posso tratar você, você sabe.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela senta no divã, e começa a gesticular agressivamente, arqueando as sobrancelhas e me fazendo querer pegá-la no colo. Pra jogar da janela, provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Minha neura é você, porra! Eu tô desorientada. Você falava sério aquele dia quando me pediu em casamento? Você devia saber, cara, que não pode sair falando isso pra uma mulher sem saber o que se passa na vida dela. Sem saber o que ela sente, pra onde ela vai, o que ela guarda, o que sonha.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Não, não falava sério.&lt;/em&gt; - menti. Sei lá. Eu não sei de mim, quando com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Leo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dulce, eu surtei depois daquele dia. E ainda vejo a porra de uma rosa, no teu cabelo. Quero te apagar. Pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quero saber amar. Você. Preciso de você pra passar o agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me mata com palavras. Todas as vidas que eu tinha, foram embora da última vez.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acendi um cigarro, por não saber o que fazer com as mãos. Acendi pelos suspiros disfarçados que a fumaça permite, ao sair, para não deixar nada vir à tona e aqueles olhos insuportavelmente belos perceberem. Cinquenta e dois mil duzentos e oitenta pensamentos em minha mente, ela estala os lábios no meu rosto, e vai. Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra noite insone, outra sensação estranha com aqueles móveis, morangos perfurados no mural do meu quarto, coração que sangra. Outra vez o abajur piscando. O controle. O telefone, e ninguém atendeu do outro lado. Neblina e uma bicicleta verde guiada por um vestido vermelho, um fantasma vestindo, é o que vejo pela janela, na rua. Interfone. &lt;em&gt;Preciso de você pra passar o agosto.&lt;/em&gt; Você não resistiria à doçura celibatária que aquela voz carregava. Eu? Não resisti. Campainha. Dulce. Um vestido vermelho, longo, que me ardeu só pelo queimar do carmin em sua pela transparente. Me olha nos olhos e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Eu não te amo. Mas pelo tamanho do amor que leio em você, e que é meu, quero tomá-lo. Não gosto que tenham posse de algo que me envolva. Não sou inteira. Me devolva a mim, Leo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E fizemos amor, naquela noite. E em todas as noites daquele mês. Época de morangos. Tudo era vermelho. No entanto, há duas semanas acordei e não tinha ela ao lado. Apenas um &lt;em&gt;post-it&lt;/em&gt; amarelo, na cabeceira da cama, anunciando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fui comprar cigarros.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; Paciente atual de Sávio, Dulce escreve cartas excitantes e coloca no correio a cada dois dias, assinadas com meu nome. Envia para seu próprio endereço e espera numa ansiedade descomunal, deliciando-se com cada palavra como se nunca houvesse lido. Insiste em amar-se, sozinha. E julga, ainda hoje, ter levado tudo o que tinha dela em mim, naquele mês de agosto. Por aqui, morangos perfurados no meu mural. Amargos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;____________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dulce nasceu &lt;/span&gt;&lt;a href="http://liricass.blogspot.com/2009/04/agora-pensei-em-dulce.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, passeou &lt;/span&gt;&lt;a href="http://liricass.blogspot.com/2009/05/um-decalque-desatinado-de-dulce.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e foi comprar cigarros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-4982356998135379072?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/4982356998135379072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=4982356998135379072&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4982356998135379072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/4982356998135379072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/08/meu-diva-e-dulce.html' title='Meu divã, e Dulce.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7267652933467444029</id><published>2009-08-08T15:51:00.008-03:00</published><updated>2011-05-05T10:04:52.457-03:00</updated><title type='text'>Às vezes te odeio por quase um segundo...</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;... depois te amo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[&lt;strong&gt;Quase um segundo&lt;/strong&gt; - Herbert Vianna]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu odeio muito você ter aparecido em minha vida. Odeio você ter chegado com esse sorriso-que-cabe-o-mundo, e despejado essa coisa sem nome, dentro de mim. Odeio tudo isso ter me parecido algo muito certo. E único. Algo feito só pra mim, por você. Como se tudo, toda aquela demência, tivesse sido efeito de uma poesia frenética que montou em mim e quis ser tua na mesma intensidade com a qual você me recheava. Odeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio você ter a letra bonita. E odeio que a primeira carta tenha chegado num envelope transparente. E mil e uma borboletas de uma vez fazendo festa no meu estômago vazio. E meu coração-motor-de-amor-maior, inquieto, medroso, entregue, piscando. Piscando em sinal de um alerta que ele mesmo, estúpido, não conseguiu dar conta. Odeio ser brega por tua causa. E toda essa coisa de sermos feitos muito pra nós dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio sonhar com você, achar tudo real, e acordar impregnada por tua presença que não tenho. Odeio essa coisa bonita que sai daí e me pega no colo de um jeito meio felizesparasempre. Odeio pensar em você. Odeio ser louca e te mandar torpedos esquisitos. Odeio meu coração descontrolado ao te ouvir ao telefone, e a vontade infeliz de querer te contar do que até hoje eu não sei, e continuo querendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio você discordar comigo. Odeio que você tenha quebrado meu coração durante uma crise tresloucada, e que eu tenha te xingado de egoísta e covarde. Odeio nunca ter conseguido chorar por você, e mais ainda a certeza imbecil de que isso se deve ao fato de que eu sei que esse você e eu é tão nós, que nem adianta chover pra nascer mais flores. A raiz tá fincada em todas as entranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio você indo embora. Você sabe que eu odeio a maneira como você sai. Odeio não me cansar de você. E odeio estar aqui, escrevendo, enquanto o incenso de qualquer-coisa-que-me-leve-ao-teu-encontro queima. Odeio já ter prometido que quando tudo virasse pó, faria da gente o mesmo. E o incenso nunca chega ao fim. Guardo a essência, colada em cada canto do meu quarto, e me embriago de um jeito que uso todas as palavras grandes, sem nem ligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio teu medo. Tua insegurança. Meu medo. Nossa história respingada de pontos finais que acabam virando reticências. Odeio sermos tão parecidos. Quando você diz precisar de mim. Ouvir &lt;em&gt;Por onde andei&lt;/em&gt;. Ir ao show de &lt;em&gt;Zeca Baleiro&lt;/em&gt; sem poder te olhar quando ele diz sobre partes de estradas em caminhos. Odeio ver tua cara nas coisas que leio. Odeio precisar te mostrar algo e saber que só você vai entender. &lt;em&gt;Teatro Mágico&lt;/em&gt;. Gostar das tuas irmãs. Teu sotaque. A semelhança das nossas coisinhas vividas quando ainda nem éramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio você ser meu escritor preferido, materializado. E quando você me manda parar, quando começo a te elogiar. Odeio sonhar com um livro teu na minha estante, escrever textos pra você, e que eles sejam os que todo mundo mais gosta. E odeio mais ainda quando você os responde, ou escreve pra mim, também. Odeio tanto quando você escuta meus detalhes exagerados de histórias desinteressantes, e a maneira como lida com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio me engasgar de você. Odeio voltar. Odeio não conseguir ser firme em minhas decisões relacionadas a tudo isso. Odeio apagar as luzes, e você ser vagalume, vela, lanterna e depois sol, me acendendo inteira, notando minha tentativa frustrada de fazer brilhar qualquer coisa amarela entre gravetos espalhados contra o vento. Odeio tua serenidade que me faz te querer como cais na hora em que tudo desmonta. Odeio te querer bem, muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio principalmente, saber que tudo isso é mentira. Perder meu sorriso em você. E ainda guardar um pedaço de céu, todo roxo, pra te dar de presente quando nosso diálogo mudo vier ditar o vir a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de tudo, o que mais odeio, é abraçar todos os teus defeitos. Sabê-los tão distantes, ao compará-los a tudo o que temos de maior. Só não odeio tudo isso quanto odeio não ter você por perto, quando quero, ocupando todos os meus lugares mais lindos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa desses caminhos sem lua, e o tempo todo tão cheio de estrelas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7267652933467444029?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7267652933467444029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7267652933467444029&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7267652933467444029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7267652933467444029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/08/as-vezes-te-odeio-por-quase-um-segundo.html' title='Às vezes te odeio por quase um segundo...'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-8276263311467437057</id><published>2009-07-24T14:07:00.010-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:36.573-03:00</updated><title type='text'>Se.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Faço promessas malucas&lt;br /&gt;Tão curtas quanto um sonho bom...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Faz parte do meu show&lt;/strong&gt; - Cazuza/Renato Ladeira]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Brinco de construir amor, nas horas vagas. Apago cigarros, invento mantras, e penso em tudo que seria, se eu pudesse me apaixonar por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, você diria que queria muito ter escrito &lt;em&gt;para uma menina com uma flor&lt;/em&gt;, pra mim, mesmo eu não tendo flor nenhuma. E quando eu subisse a escada rolante do &lt;em&gt;shopping&lt;/em&gt;, você ligaria para o meu celular dizendo que me observava chegar &lt;em&gt;tão purinha entre as marias-sem-vergonha,&lt;/em&gt; e eu daria risada porque também estaria te vendo, e pelo teu provável tom de ironia misturado ao meu sarcasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, você seguraria minha mão enquanto meus cabelos brincavam no teu ombro, na hora daquele noticiário depois do almoço, e você perguntaria porque não pintei as unhas de vermelho essa semana, e diria dos meus dedos compridos, e eu te contaria que minhas mãos são iguaizinhas às de meu pai, e que eu acho isso o máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, eu sorriria. E você diria que eu sorrio sempre, e eu te contaria que eu sou feliz, e você me perguntaria porque, e eu falaria que é porque eu choro. Você ia me olhar com uns olhos inquisitivos e eu te faria entender que quando a tristeza entra em mim, ela só sabe sair eficaz em lágrimas, e quando você me visse chovendo, bicuda, iria me entregar um afago sem jeito porque você provavelmente não sabe o que fazer quando vê uma mulher chorar, e ia me ver sorrir, horas depois. Porque a água só escorre pra fazer flor em semente de sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, talvez você brigasse comigo pela mania exagerada que tenho de ouvir &lt;em&gt;Los Hermanos&lt;/em&gt;, mas ia ficar todo prosa quando eu cantasse que &lt;em&gt;até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei&lt;/em&gt;. E talvez você implicasse também com minha vontade de sempre querer viajar pra praia em janeiro, porque moro da serra, mas eu cederia se você chegasse com um &lt;em&gt;Drummond&lt;/em&gt; pra me dar de presente. Se bem que eu te diria que nós dois caberíamos fácil numa rede à beira-mar misturando nossas vozes na leitura de um poema, e a gente teria certeza de que todos as poesias do mundo foram escritas sobre nós, e você ia querer sempre ir pra praia, também, quando ouvisse &lt;em&gt;Cazuza&lt;/em&gt; cantar sobre querer &lt;em&gt;a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, eu ficaria escrevendo textos como esse durante uma palestra sobre união estável/ concubinato/ direitos da amante. E as pessoas ao lado me achariam muito concentrada e estudiosa anotando tudo que o moço fala lá na frente, sem nem entender meus suspiros silenciosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, eu diria ainda que adoro quando você surge assim, escorrendo pelos meus dedos, e eu os levo à boca distraidamente, descobrindo que teu gosto é doce, e deixaria tudo o que estava fazendo pra te encontrar. Eu te ligaria dizendo &lt;em&gt;meu bem, parece que vai chover,&lt;/em&gt; e começaria a chover, de fato, e você viria pra rua, e me encontraria no meio do asfalto molhado, com meu vestido branco, toda despenteada, e você ficaria encantado lembrando de &lt;em&gt;Jorge Ben&lt;/em&gt;, enquanto me dizia &lt;em&gt;que maravilha, que coisa linda que é o meu amor&lt;/em&gt;. Eu sentiria frio e você me abraçaria &lt;em&gt;e a gente no meio da rua do mundo no meio da chuva, a girar. Que maravilha.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, eu ia beijar teu machucado e dizer que ia sarar logo, e você ia ter medo de passar mertiolate, mesmo eu explicando que não arde mais, e você só se renderia quando eu me oferecesse pra soprar, te fazendo rir do meu bico. E você ia me abraçar, e eu ia virar brilho, e eu esperaria também que você me trouxesse um &lt;em&gt;frutare&lt;/em&gt; de limão sempre que eu estivesse gripada, porque só assim eu melhoro. E me levasse à sorveteria todos os domingos à tarde pra tomar um sorvete de cajá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, e você ficasse romântico demais, eu ia te chamar de mulherzinha, e ia me apaixonar por você uma vez a cada dia. Ou então, toda hora que eu te olhasse. E em alguns dias eu falaria pra caramba, em outros ficaria muda, e isso não teria nada a ver com você. Talvez eu fugisse de casa, também, pra ficar sozinha, mas eu nunca ia demorar muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, você finalmente entenderia minhas expressões faciais que são quase tatuagens daquilo que meu lado de dentro sente, e riria muito das minhas caras e bocas que saem tresloucadamente bem humoradas, e a gente ia caminhar de mãos dadas carregando a mesma coisa sem nome nos olhos, e ninguém ia entender nada, e a gente também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, você sentiria ciúmes toda vez que eu te contasse que dormi com &lt;em&gt;Chico&lt;/em&gt;. Eu diria que você não deve sentir ciúmes de &lt;em&gt;Chico&lt;/em&gt;, e você se irritaria, e eu te contaria que &lt;em&gt;eu durmo com Chico pensando em você, seu bobo&lt;/em&gt;, e daí então você ia querer me beliscar, me chamando de louca. Seríamos loucos juntos.&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, você entenderia porque choro em filmes, porque faço escolhas que quase ninguém entende, e porque no meio de algo sério eu sempre digo que preciso sair para comprar chocolates, e é uma precisão muito séria. E entenderia porque eu te chamaria de besta quando você me contasse piadas, e eu selaria teus lábios com um beijo logo depois, e a gente adormeceria no sofá da sala, e acordaria feliz pela soneca e irritados por não poder prolongar pois tínhamos um compromisso urgente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse me apaixonar por você, de noite eu apagaria todas as luzes do quarto e a gente ia começar a conversar no escuro, e não ia entender nada quando tudo começasse a acender dentro da gente, e eu ia desconfiar se a gente não era estrela. E você acordaria abraçado em mim no dia seguinte, e levantaríamos juntos e você me observaria escovar os dentes com a mão esquerda na cintura, me veria dizer bom dia pro meu reflexo e amarrar os cabelos. E depois que eu lavasse o rosto, a gente ia dançar no corredor, de pijamas, e a gente lembraria que era domingo, e voltaria pra cama, e ficaria o dia inteiro nela, ignorando quando batessem à porta e tirando o telefone da tomada. E a gente se deitaria de novo, se olharia sem piscar, e faria silêncio, e então entenderíamos tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso se eu pudesse me apaixonar por você. Se eu pudesse. E só não posso, por um motivo isolado: eu já te amo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-8276263311467437057?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/8276263311467437057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=8276263311467437057&amp;isPopup=true' title='52 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8276263311467437057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8276263311467437057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/07/se.html' title='Se.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>52</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5280190890613984636</id><published>2009-07-01T21:52:00.006-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:52.508-03:00</updated><title type='text'>Do lado de dentro.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Me explica, que às vezes tenho medo.&lt;br /&gt;Deixo de ter, como agora,&lt;br /&gt;quando o vento cessa e o sol volta a bater nos verdes.&lt;br /&gt;Mesmo sem compreender, quero continuar aqui&lt;br /&gt;onde está constantemente amanhecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[Caio F.]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Eu queria não pensar tanto. Não sonhar, tanto. Queria poder quebrar as fantasias e pisar firme no chão, com os dois pés. Mas minhas asas não deixam. Elas me levam para um ponto tão, tão alto, que fica difícil não te notar. O céu é o mesmo. &lt;em&gt;O céu é o mesmo.&lt;/em&gt; Um mantra, pra não deixar doer. Não quero doer. Não vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve um dia onde meu coração foi cenário um tanto shakesperiano. Atos assassinos existiram, dramatizados, e muita coisa morreu em mim. Nesse mesmo dia, apareceu você. Uma intensidade demente, alguma coisa sendo sem ser, teus acordes, músicas deles, lágrimas minhas e silêncio. Madrugada que me amanheceu. Um amanhã, seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alma sempre teve qualquer coisa de viola, sem canção feita, ensaiada. E todo encontro de notas faz ecoar meu coração desafinado. &lt;em&gt;Meu&lt;/em&gt; coração. Por que chamar de meu algo que é preenchido pelos outros? Meu coração tem tantatantatanta coisa alheia, que já nem cabe mais em mim. Um acúmulo só bom. Agora, cata aqui, ó: toma esse pedaço, é teu. Arranca, cola em si, joga fora, mas não me deixa sentir sozinha. Sozinha é muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já sorrio sem medo de você ler teu nome em meus lábios. Esqueço os olhos no azul e assovio impulsos. Não procuro definir nada. Eu entendo tudo como aquela sensação de primeira vez, de coisa única, de inefabilidade. Mas sempre surge uma relutância exorbitante que nunca acalma. Uma certeza triste, e palavras grandes sendo usadas. Meu lirismo virando incenso, queimando pelo quarto, chegando até você, voltando pra mim, e aquele cheiro indefinido daquilo que não se nomeia. Se sente. Eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada concreto, então? Eu escolhi ser. Mentira, droga. Quis fugir, ignorando saber que já estava lá dentro. Dentro disso. Talvez tenha algum sentido, talvez não. É um entregar de mãos, um receio, um desapego, uma sede. Vontades, cara. Luzes apagadas, a lua sorrindo linda, você sendo estrela em qualquer ponto. Uns olhos que clareiam e ficam invisíveis por abrigarem uma constelação ofuscante, e um suspiro, ao travesseiro, por te saber ouvindo meu sussurro no teu silêncio: &lt;em&gt;boa noite, meu bem!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu me comovo com tudo o que não acontece, desejo coisas muito belas e adoro quando você entende o que não digo. Minha estrutura te suporta com um ou outro encanto repartido, e brotam flores amarelas de uma poesia que eu não sei fazer. Venta um pó de afeto, vê? Farelos de mim, propondo felicidade. As coisas tão mais lindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delírios lúcidos. Absurdos. Chão, chão. E tô voando, outra vez. Acumulando silêncios. Musicando-os. Muita energia querendo saltar, atingir, latejar. Razão, sem-razão. Sem estrada. Esse é o caminho que tem mais coração, todavia. Então, vem cá, aperta teus dedos em minhas mãos, e eu não solto. Uma certeza, e só. Um jeito abafado de gostar. Você, diferente de tudo o que eu já conheci. Espalhei do jeito mais bagunçado, tres-lou-ca-da-men-te. Sem matéria. Nada existe e tudo é mágica. Não, não cabemos em &lt;em&gt;teamos&lt;/em&gt;, e é só minha parte dentro em você, ou tua parte dentro em mim, a responsável por não nos responsabilizarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, meu doce, realmente acho tudo isso muito bonito. Ou talvez eu só queira escrever, pra deixar arder as letras de um sentimento inventado, novamente. Não sei, não sei. Enfim. [Sem fim]. Já tá amanhecendo de novo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5280190890613984636?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5280190890613984636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5280190890613984636&amp;isPopup=true' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5280190890613984636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5280190890613984636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/07/do-lado-de-dentro.html' title='Do lado de dentro.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5484903443099297885</id><published>2009-06-26T22:04:00.005-03:00</published><updated>2011-08-23T22:08:43.210-03:00</updated><title type='text'>Declaração.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Para o moço do carrinho de pipocas.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazia frio, e ele deve ter percebido minha tentativa de embrulhar as mãos com as mangas do casaco. Ou meu olhar perdido, enxergando tudo e nada. Parei ao seu lado por alguns segundos, na dúvida sobre qual caminho seguir. A dúvida era só pose, eu penso agora, porque qualquer caminho daria em nada. Parei debaixo da árvore triste, quando ele me disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma pipoca por um sonho, menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhei. Meus olhos castanhos estavam nublados, mas souberam brilhar ao notá-lo sorrindo. Recebi o pacote, e falei um desconcertante &lt;em&gt;obrigada, moço.&lt;/em&gt; Não aceitou minha moeda. Refleti acerca de suas palavras, e percebi que ele talvez houvesse escutado uma lágrima chorosa no meio da minha desorganização. Pedira um sonho. Dei um aceno tímido com as mãos, enquanto ele atendia dois meninos de risada banguela. Me sorriu outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vida é bonita, criança! - foi a frase gritada enquanto eu me afastava. Dei meia volta e o encarei. Precisava que ele fizesse leitura do meu sorriso, que dizia assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu declaro ser boba, moço. E ingênua. Forte, apesar da pose de quem se desmonta fácil. Apaixonada, talvez. Ridícula. Medrosa. Procrastinadora de atos urgentes, e também dos desimportantes. Sou uma saudade, e um banco de praça coberto por folhas secas de um outono que não é meu. Não tenho paciência para conversas tristes. Posar de vítima soa deprimente. E não entendo como meu rosto se desmancha numa seriedade obtusa assim, de repente, gerando interrogações de quem me cerca. Eles não entendem. Sabe, moço, não é todo dia que eu quero sorrir, não. E pensar que já houve uma época onde isso era o meu melhor, era o que fazia as pessoas pedirem por mim. Hoje não tem ninguém. A distância é algo estúpido, moço. Não falo nem de geografia, aqui. Falo de interposições criadas por conveniências minhas. Eu sou ostra, viu? E não sei permitir que no meu lado de dentro venha morar qualquer coisa que não seja pérola. Nem é pretensão, não. Pode ser comodismo. É que eu me acostumei a ter as melhores pessoas do mundo como parte de mim, e isso era o suficiente. Eu não dava importância para o novo, o desconhecido. Não sei se você entende, moço, mas dá um trabalho danado se reconhecer nos outros, querer pra si, driblar os defeitos, contar dos seus, todas essas coisas que surgem em primeiras relações. Eu queria que já viesse tudo pronto, moço. Queria. Aí eu era completa, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaro, também, que esse era é algo que nunca foi. É que eu sou sozinha, em qualquer canto. Sei lá, eu acho graça, você não? Sou dona de um sarcasmo estonteante, digo. As pessoas às vezes acham que estão acompanhadas no mundo, e se apegam a isso de uma maneira que me assusta. É que, moço, todo mundo vai embora um dia. Vai porque quer, vai porque Deus chama - não importa. E eu sempre tive muito medo disso, mas quase não penso. Outro dia mesmo eu quis casar, ter filhos, e ver como a vida ia. Hoje eu não quero mais. Amanhã, vou querer tudo de novo. E pra sempre. Odeio querer as coisas pra sempre, moço, você não? Tudo é tão efêmero por aqui. Tem horas que eu fico lembrando do que eu nunca soube. Você deve estar se perguntando se eu sou feliz, não é? Eu digo que não sei. Digo que sou. Num descuido ou em outro, acabo sendo. Ah, eu sou incoerente, também. Semana passada contei por aí que eu sou uma fraude. Sou tanta coisa, moço. E nada. Essa história de não poder olhar pro lado e encontrar uma gargalhada cúmplice, já não tem graça. E os fins de semana, moço, passam lentos como se fossem um filme ruim demorando pra terminar. Não pensa que eu tô só reclamando, não. É que hoje não entreguei sorriso, sabe? E agora que ele se mostra, vai despejando tudo o que esse céu nublado diz. Sou uma nuvem de chuva, agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaro ainda, moço, que eu tenho sonhos. Eles escorrem em mim inteira. Mas acontece que sou uma insônia, e os dias viram duas noites. Tá faltando cor. Cinza é cor, moço? Acho bom eu ir embora, antes que tudo chova. Prometo novos sonhos. Um resgate dos que se perderam. Toma moço, esse sorriso. Coloca ele de enfeite no teu carrinho azul. Lembra que você foi responsável por mim, hoje, nesse entardecer. Lembra, moço, que meu sorrir é quem fala, porque eu não sei lidar com palavras, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaro por fim, moço, que eu vou ser feliz. Criança...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E fui.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;____________________&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Numa tarde de um início de maio].&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5484903443099297885?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5484903443099297885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5484903443099297885&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5484903443099297885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5484903443099297885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/06/declaracao.html' title='Declaração.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-6467025229356249765</id><published>2009-06-17T13:00:00.008-03:00</published><updated>2011-09-28T20:44:50.048-03:00</updated><title type='text'>Último Romance.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ao que há de vir.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escuta daí essas palavras que o vento sopra em teus ouvidos, moço. Não se assuste com essa brisa, não. É coisa minha. Coisa linda. E dessa coisa assim, igual a você, não há de haver outra. Já contei que quando da tua chegada, essa minha parte que falta, pedaço do meu inteiro, acabará onde começa você? Justinho você, que já é meu, sem nem saber sequer. Eu tampouco sei. Sei, entretanto, que farei de você um lugar, e ali será minha morada. Mas não tenho pressa, não. Não tenha pressa você também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto você não vem, fico daqui, mãos ao queixo, pensando em como tua presença primeira vai calar minha voz. Imaginando a ventura de poder enfim saborear a plenitude dos versos daqueles poetas que leio, enquanto desenharei você. Peço de antemão que, quando você chegar, entenda minha timidez, esse meu ar recuado, e não deixe que isso sirva de empecilho para tocar tuas notas. Vou gostar de ouvi-las. Você vai cantar em mim, e minha alma desabrochará em flor, espalhando aquela sensação de que sempre fomos um. Me despirei então, pétala por pétala, e te contarei dos planos que andei pintando para nós dois durante essa espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe aqui avisar que você me descobrirá boba. É esse meu jeito assim, feito com um pedaço de cada amor errado. Meu jeito cheio de engano e de imperfeição. Tão boba, eu sou! Leio poesia, mas ainda não aprendi a vivê-la. Carrego sempre um verso no peito. Esse verso pode virar você. Então, menino, se você chegar a conhecer esses meus lados às avessas, é sinal de que consigo ser eu mesma quando na tua presença. Isso se você prometer não correr ao me notar de pijamas e cachos amassados, daquele jeito desgrenhado e louco, a cada amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vou ligar se você me acordar no meio da noite, dizendo que ninguém mais poderia ouvir o que você tem para contar. Vou amar tua cara de sono, ceder a cada pedido de beijo teu, fazer dos teus braços cobertor, e brincar com teus cabelos entre afagos, cantarolando baixinho uma melodia qualquer, até você adormecer outra vez. Prometo não contar para ninguém das estrelas que você trará consigo. Vou apenas fotografar o luar em teus olhos, a cada anoitecer. Aí, entenderei do mistério com o qual você foi afastando minha solidão, enquanto chegava assim, tão sorrateiro em seu silêncio, quase sem me deixar perceber o prenúncio dos teus passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando esses olhos castanhos te observarem como quem mira ilhas distantes, e eu me fizer calada, saiba que nessa hora eles estarão sendo acarinhados por tua imagem em minha frente. Eis minha explicação para o não piscar. E em meio a carícias doces, e tão suaves, sentidas como se feitas por lábios, me perderei em teus abraços. Farei deles meu abrigo. Gosto dessa história de corações conversando. Durante essa conversa, brincarei de descobrir teu cheiro. É que assim, quando você estiver um tanto longe, eu vou gostar de quase poder enxergar você quando alguém exalar essa tua essência numa esquina qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada entardecer após teu pousar, vou grudar nossas mãos e sussurrar um sem fim de amores ao pé do ouvido teu. Aí você vai me mostrar esse sorriso lindo que carregará no rosto - o sorriso mais terno de todos, e meus dias se iluminarão. Isso às vezes, pois não sou dada a declarações, surpresas e apelidos fofos. E quando eu já for assim, coisa tua, vez ou outra te observarei ao violão, também. Ah, você tocará lindo, mesmo quando desafinado. Me aproximarei de leve, para não te atrapalhar. Meu coração ali, batendo descompassadamente mais uma canção por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveremos também momentos de zanga, claro. Discussões acontecerão. Mas sei que faremos disso motivos para procuras maiores. Não nos perderemos. Nos entenderemos no silêncio, e distribuiremos gentilezas. Seremos amizade. Pedaço inteiro. Que é para nos sabermos suporte. Para nos fazermos chão firme um do outro, durante aquelas crises que nos invadem nessas tardes de uma terça-feira ociosa qualquer. Meu riso será teu nome. Quando você finalmente chegar desses confins do não sei onde, e eu abrir a porta, moço, me livrarei dessa saudade assimilada que me preenche, e não acho que vou querer fechar os olhos outra vez. A cada chegada tua, ouvirei as flautas. E as almas em dueto ensaiarão uma busca infinda de singularizarem-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que esse meu desenho das tuas linhas incertas vai fazer nosso encontro em alguma curva? Eu nem me importo com um barraco, um coqueiro, uma lua, o mar, e você me contando tuas coisinhas. Prometo nem implicar quando você contar pela milésima vez o mesmo caso. Vou ouvir as histórias de você, atenta ao teu gesticular de mãos, decorando teu piscar de olhos, teus ais, tua tez, aprendendo a enxergar a transparência da tua alma. É que quando acontecer nós dois, tão logo meus sentidos borboletearão. Haverão palavras trêmulas. E no meio dessas palavras soltas, a gente vai entender segurança. Cada instante será sempre. A redoma feita desse amor protegerá nossa poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja bem, não escreveremos nenhum conto de fadas, não. Contos são curtos por demais! Mas posso segredar uma boniteza? Escreveram por aí que juntos viveremos nosso último romance. Arrisco acreditar. Sonho tua voz. E escrevo você existindo para me roubar coisas que já são tuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enquanto você não vem, menino, brinquemos de&lt;em&gt; tempo-será&lt;/em&gt;, tal qual o poeta. Uma hora dessas acaba sendo. Vamos de mãos dadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;__________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Título emprestado do &lt;strong&gt;Último Romance&lt;/strong&gt;, de Amarante, o hermano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;[Escrito em junho de 2008].&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-6467025229356249765?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/6467025229356249765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=6467025229356249765&amp;isPopup=true' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6467025229356249765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/6467025229356249765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/06/ultimo-romance.html' title='Último Romance.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-2018667646378030022</id><published>2009-06-13T12:46:00.001-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:52.512-03:00</updated><title type='text'>Emanuella.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para ela, a mais amiga, num dia seu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A culpa foi do Cefet. Foi daquele ano de 2001, quando ela apareceu em minha vida. Apareceu como a moça que sentava nas primeiras cadeiras da sala, e que fazia as horas de intervalo passarem rápido demais. Uma afinidade desencontrada, com ela confessando me achar séria demais para suas piadas. E isso passou, tão logo. Nem lembro quando minhas ligações pra ouvi-la me fazer sorrir, passaram a ser chamadas de uma Jaya em prantos, buscando serenidade. Uma base infinitamente alicerçada, eu sabia ter encontrado. Manu é minha mais amiga, de um mundo inteiro que passou. E isso foi se firmando de leve. Com primeiras fotografias em um terminal de ônibus. Ônibus que a gente fazia questão de perder, pra não deixar a conversa ir embora logo. Ela conheceu meu lado mais tagarela, e não achou tão ruim assim. Presumo. Presumo talvez porque ela nunca tenha ido embora. Talvez porque conheceu meus instantes mais insuportáveis, e resolveu confrontar com aquele jeito de baixinha briguenta, mergulhada numa maturidade espetacular. Manu é das pessoas que mais me trazem orgulho, na vida. Dona dos meus sorrisos mais sinceros, mais escandalosos e mais irônicos. Porque a gente já ultrapassou o ponto daquela história onde um olhar falava pra caramba. Com a gente, o corpo inteiro já falava, só de saber-se debaixo do mesmo céu, da mesma cidade. Manu é a responsável por fazer um show de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zé Ramalho &lt;/span&gt;ser inesquecível, mesmo com minha enxaqueca em nível elevado, e uma prova no dia seguinte. E um tal de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jaya presta atenção como ele é magrela e tem um nariz louco&lt;/span&gt;, abismada em como aquela voz vinha dali, de dentro daquele corpo. E vinha, e foi nossa. Manu é assim, a única que podia abrir meu armário de CD’s e levá-los [quase] todos embora, de uma vez, sem data prevista para entrega. A única capaz de me tirar de casa, me jogar num ônibus, e me fazer viajar pelo interior desabitado de um estado insanamente belo. De me fazer perder os cabelos por me encontrar num local deserto, após algumas horas, e ficar hospedada numa pousada estranha. Noite em claro, de pernas pra cima, sem sair do quarto, reconhecendo nossas vidas de maneira tão clara como nunca se fez. Um marco, eu diria. E digo. Porque lembro da noite seguinte, ela com uma lata de cerveja, e ouvindo-cantando-dançando o tom mais inusitado de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;My Humps&lt;/span&gt;. Sem nem ligar pra minha cara de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alguémmesalvedaquiemelevepracasa,agora!&lt;/span&gt; Manu é louca. Talvez por entrar na minha vida pra sempre. Por me fazer pedir &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pizza&lt;/span&gt; na praça movimentada, junto com Cora e Éden. E o entregador achar normal nossa bizarrice e cara de sem vergonha. Mesma praça cena de um piquenique. Mesma praça de conversas na grama, com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coca-cola&lt;/span&gt; mil litros. Com eu e Chafic caminhando como pessoas normais que somos [hein?] enquanto ela jogava o boné de Rodrigo em cima das árvores e ele corria atrás, xingando. A pista de kart como lugar de encontros marcados. As chuvas, o violão, o clã, os&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Clowns de Shakespeare.&lt;/span&gt; Manu, sempre minha. Porque ninguém mais sorriu da minha cara quando eu disse que gostava do cara mais insensível de todos, e depois se desesperou na tentativa de trazê-lo pra mim, quando eu já não queria lutar. Porque pedalar uma tarde inteira pela cidade virou história, com uma parada estratégica para hambúrgueres, batatas fritas e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;milk shakes&lt;/span&gt; antes de voltar pra casa. Umas conversas desesperadas sobre nosso fanatismo inexplicável por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Harry Potter,&lt;/span&gt; e as sessões de todos os cinco filmes anteriores de uma vez só, lá em casa, pra ir assistir ao sexto no cinema e chegar à conclusão de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;os meninos estão virando homenzinhos, Manu!&lt;/span&gt; E depois explodir com um cachorro-quente na boca, ao ouvir uma declaração de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu pegava o Snape, ó!&lt;/span&gt; Ah, os cachorro-quentes desperdiçados por ela, após os cinemas! &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Moço, o meu é sem salsicha, sem carne, sem verdura e... Sem o que mais, Jaya?!&lt;/span&gt; E findar sorrindo do meu rabo de olho. Porque eu amava xingar o desperdício dela. E a cara de bobo do atendente que nunca entendia nada. Manu é a melhor companheira de filmes. Talvez porque não estranhe conversas tresloucadas sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Almodóvar&lt;/span&gt;, ou inclusive goste, exaustivamente. Talvez por chegar lá em casa, numas noites de sexta-feira, com uma pilha de filmes, dizendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esse é gay, esse é bestinha, esse parece ser engraçado - pela capa, e esse eu trouxe pra você, porque é com teu marido. &lt;/span&gt;Ninguém mais, pra dizer que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Johny Depp&lt;/span&gt; é meu marido, assim, sem pestanejar. Ou pra chegar buzinando no meio da rua, e me mandar botar uma roupa, que eu tô ótima, e a gente tem que sair pra uma conversa séria. E eu voltar pra casa com dor no maxilar, de tanto sorrir, e comer. E eu sempre ia, porque às vezes era sério mesmo, e os problemas dela eram meus. Sempre. E os meus, dela. Isso é uma constante, em nós. Manu sabe de mim como ninguém mais. E eu sei dela, também. E por isso eu me deixei tomar uma caipirinha, misturada com pizza de atum, e ela chamando os garçons da pizzaria de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Grinch&lt;/span&gt;, em voz alta. E ambas tontas, ao final, fugindo de um casal inconveniente, e enchendo a cara de sorvete. E a certeza de que nossos melhores porres foram com coca-cola, e que&lt;span style="font-style: italic;"&gt; a Jaya ficou muito chata depois que decidiu ser saudável e não bebe mais da nossa droga.&lt;/span&gt; Só ela tem moral pra chegar lá em casa fazendo barulho, mandando abrir a garagem dos fundos, guardando seu teletransporte, sendo xodó de Rebeca, quebrando o pau com Éden, conversando música com Sofia, e tendo moral pra chamar Clara de Clóvis. E depois, ouvir minha mãe reclamar de todo mundo junto. Só ela. Só. A moça que liga dizendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jaya, os caras da tua vida estão aqui na UFRR, hoje.&lt;/span&gt; Um grupo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hippies&lt;/span&gt;, era. E sim, eu adoro. Manu foi quem me fez provar uma cachaça mineira pura, e soltar fogo pela boca. Depois passar a noite conversando nada com nada, com uma capacidade única de deixar tudo se impregnar de sentido, nessa hora. E eu nunca disse que amo. Nunca, porque sou uma babaca de coração de pedra que não sabe demonstrar sentimentos. Ou talvez porque as atitudes saibam valer mais. Talvez porque seja mais que amor. Talvez, porque ela seja a única que já me ouviu cantar e tocar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por onde andei,&lt;/span&gt; ao violão, com dedicatória. A única que merece torpedos monstros madrugada adentro. Talvez, porque ela tenha cuidado de mim quando fiquei com dengue, até altas horas da noite. E depois foi me visitar no hospital. Não sei. Manu me cobre de uma segurança tamanha, que dar em cima de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zeca Baleiro&lt;/span&gt;, ano passado, soava como algo banal. E pular, gritar, mandar beijo, dançar, e etecéteras, era sonho naquele show, com ela do lado. Ela que vinha comigo pra onde eu fosse, e ia bem, porque ia comigo. Ainda que não fosse falado o caminho, que ela me chamasse de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gandalf&lt;/span&gt;, e contasse que a comitiva fracassou - quando não dava em nada. Manu e Eu. Ainda não fizeram igual. Não farão. E quando eu vim embora, uma semana antes, todos os dias foram nossos. Uma despedida silenciosa, que ia doendo de leve, mas a gente ainda nem percebia. Que findou numa última sessão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jack Nickolson&lt;/span&gt;. Algo como um dia de São João, com Éden correndo enquanto suas calças caiam pelas pernas, no meio de todo mundo. E caipirinha. E eu descalça no meio do asfalto, dançando com uma possibilidade de amar. Daí fico aqui, lembrando bobeiras, com uma enxaqueca infeliz, e não cabendo em mim de saudades. Porque eu decidi que ia embora. Vim. Ela ficou, fazendo com que eu não viesse inteira. Não vim. Tô lá, ainda. E a certeza aumenta a cada torpedo dela contando de um show de Serginho, de uma música de Neuber, de algo que nos faça encontrar em distâncias. É um grito desesperado meu, e um afago dizendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;se nada der certo, te espero, e a gente vira hippie, vai ser mara! Mas vai dar certo pra nós, baiana.&lt;/span&gt; O resultado é qualquer coisa como meus olhos enchendo de lágrimas, ao ouvir &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nando&lt;/span&gt; cantando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por onde andei&lt;/span&gt;. E a promessa de um show, juntas. Ou então essa coisa errada, assim, de não ter ninguém me chamando de baiana, aqui na Bahia. Pelas poçõezinhas, pela pronúncia exata que eu [e só eu] tenho do nome dela, pelo jeito dela de misturar espanhol e português, pelas histórias dos seus alunos pequenos, pelas falas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ó, paí, ó!&lt;/span&gt;, por Neuzeleno, pela calçada da rua de trás. Por Roraima [e amizade] ser sinônimo dela, de certa forma. Tudo isso resulta num texto incoerente. Porque quando é pra valer, e quer sair despencando do coração, não dá pra ser bonito. É saudade, misturada com vontade de gravar em letras tudo o que já foi, da gente. Então, pra finalizar, poeticamente falando:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- Manu, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;você não vale nada, mas eu gosto de você!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-2018667646378030022?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/2018667646378030022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=2018667646378030022&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/2018667646378030022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/2018667646378030022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/06/emanuella.html' title='Emanuella.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-5093468983304417570</id><published>2009-06-08T01:20:00.009-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:26.170-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Diálogo de uma madrugada &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://aclarameninaclara.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Clara&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. E doce.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Eu sempre fui sozinha, Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Quase ninguém é sozinho. Você principalmente, você se tem. Ser só é nem se ter.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Eis o ponto. Me tenho tanto, que chego a me bastar. Sou egoísta e individualista. Meu desejo por gente se dá em fases. Me enjoo mais do que peço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Nunca ninguém completou a falta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre o quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Aii. o quase é terrível. Me dói tanto o quase!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dói a mim, também. Mas não hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Passou a dor?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Passou, sempre passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Qual a fórmula?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Não querer entender. Ficar pensando que você não é o que o outro sente por você, mas sim o que você sente por esse outro. E deixar isso espelhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Tu acha isso o quase?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Isso, definitivamente, é o quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Sério? Eu encaro o quase mais dolorido. Me sufoca muito mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Eu já me sufoquei tanto, sabe? Que me deixei desvirtuar. Eu, hoje, não me deixo doer pelo quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- E por que não explodir ao invés de sufocar?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Explodo, e sempre me recolho metamorfoseada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Eu sempre tive problemas com a metamorfose, sempre achei tempo demais. Deve ser minha ansiedade que num permite tempo demais pra coisa de menos. Tanto que eu já criei uma lagarta. Inocentemente, eu achei que ela estava presa e tentei salvá-la, quando, na verdade, eu tava destruindo o futuro casulo dela. Depois, com o tempo, eu aprendi o sentido de metamorfose, da minha metamorfose. Mas ela vem com uma explosão externa e das fortes. A interna é devastadora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Entendo cada sentido das tuas letras! E sobre você achar tempo demais, eu fico pensando, que sempre, o tempo é muito, mas preciso. Tempo novo, pra ser o novo. Pra caber o inteiro. Tempo, todo o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Eu tenho poucos medos na vida, me acho até ousada demais. Mas um dos medos fortes é justamente o tempo. Não o instante, o fazer o presente. Mas o que não pode ser feito, olhar pra trás e não ter história. Minha psicóloga diz que eu tenho uma alma velha, calejada demais, que talvez seja da minha criação cheia de adultos em volta. Mas, no final das contas, eu ainda tenho esse medo. Talvez ele se reflita na minha sede de vida, na minha vontade de fazer um monte de coisa ao mesmo tempo. E quando num dá, nossa, ai vem a retirada pro casulo, a explosão interna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vontade urgente de vida. Te sinto muito assim, Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Mas é justamente isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho medos, muitos medos. Mas nunca parei pra dar nome, nem identificá-los. Só descubro quando me deparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- É que eu tenho uma mania de me cutucar, sabe? Eu sei que tem algo ali, vou lá e meto a mão. É que nem espinha, que você num resiste e sai tirando, espremendo até sair tudo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- E ai eu vou descobrindo, redescobrindo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Já fui assim, um tempo. Nos últimos, todavia, ando meio ausente de mim. De tudo, quase. O que eu tô fazendo aqui? Cadê quem eu era? Onde eu deixei de ser, e onde começa de novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Volta, dá tempo! Se num der esse tempo, dá um novo, ou segue adiante. Muda. Se num pode ser quem era, inventa alguém novo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Tenho medo de inventar, e passar a fingir o que não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Tem tantos mundos dentro de ti, tantas idas e vindas, inventa uma nova história. Fingir? A gente num finge a vida, é a vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Você usa máscara, sempre?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Nunca usei máscara. Mas já vivi sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Melhor do que viver pesadelos. Quem não viveu sonhos?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Quem não viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- É o seu caso?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- O meu caso, é vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Há tanto amor pra amar que a gente nem sabe. A gente num sabe de nada. Só tem é que viver, meter a cara no mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Eu me lambuzo de mundo, e meus dedos se melam de amor. E eu nunca sei de nada, nem nunca vou saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Nunca? Nunca é um lugar longe, sem luz. Fica no aqui, no agora, no instante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sei onde eu tô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Quer um mapa?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não caiba em geografias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Vê se cabe na palma da tua mão. Abre a mão direita e vê um pontinho, é a vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Cabe em mim, de um jeito que voa. Outras vezes, de um jeito que enraiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Aproveita os momentos de vôo e corta as raízes, constrói outras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Hoje, flutuo. Alterno em ambos, voos e raízes, mas sem ser de nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- O que te faz ficar ai, parada?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Distração. O nada, me distrái.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- O nada me amedronta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- O nada me destrói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- E não tem remédio? Não tem nenhum veneno maior? Alguma coisa anti-monotonia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amor, talvez. Amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- A ponta dos dedos! Num é lá que tá o amor?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- É, mas precisa escorrer. Transbordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Sempre tem que ter um precisa de, falta isso no meio? Não há nada que já tenha sido cativado, bem cuidado e que esteja brotando por esses dias?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Certeza não há, algo não permite deixar ser, ainda que eu me proponha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- E isso num faz brotar algo forte o suficiente &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Às vezes eu cultivo, e não deixo a primavera ser. É tão simples. E fácil. Mas, não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Se fosse, você enjoaria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Provável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Tinha que ser fácil? Se fosse, alguém teria resolvido. É difícil mesmo e dói.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Tinha que ser, sabe? Ser, apenas. Bastava ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Sei. Mas nem tudo é.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Nem tudo sou. E flutuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Se você fosse tudo, seria pesada e num conseguiria flutuar. Você é flor, precisa de um tempo pra desabrochar, de cuidado, cultivo. Não é só regar e ter um vaso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Jardim. Com você, por aqui, flor que não sabe não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Você tem amor demais, acho que é essa nossa maior afinidade. Até mais do que as letras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afinidade, afinação. Nossa poesia canta, Clara. Escuta daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Escuto. Eu sinto que vem como batida de tambor, cada uma traz um monte de amor. Ora meu, ora teu. A gente é feita de amor, talvez seja esse o motivo de um quase, de um por pouco. Alguns só são feitos de carne e osso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Não os reconheço, não cabem em versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Não cabem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Nem no espaço, o espaço de amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- E eu sei que você diz isso com plena certeza, como eu. Eles não cabem em versos. E se não podem ser versos, sufocam, porque deixam as palavras intaladas no meio do peito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Eles são os outros, soam como ruídos de longe. Não gostaria de ser os outros, prefiro música. Samba-jazz-rock-mpb. Ou um blues, calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Eu também. Eu preciso da dança.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Ciranda, chuva, sorrir flores. E soltar as borboletas, inquietas, da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Isso, pra mim, é vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Vou ser passarinho, Clara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Vaaii! Mas voa alto! Aproveita as asas!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Aproveito. Vai ser doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Que seja doce! Já leu o voo de Menotti Del Picchia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Deixa eu te mostrar, olha o texto:&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não indagues se nossas estradas, tempo e vento,&lt;br /&gt;desabam no abismo.&lt;br /&gt;Que sabes tu do fim?&lt;br /&gt;Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o de estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre&lt;br /&gt;para o mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No deslumbramento da ascensão&lt;br /&gt;se pressentires que amanhã estarás mudo&lt;br /&gt;esgota, como um pássaro, as canções que tens&lt;br /&gt;na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canta. Canta para conservar a ilusão de festa e de vitória.&lt;br /&gt;Talvez as canções adormeçam as feras&lt;br /&gt;que esperam devorar o pássaro.&lt;br /&gt;Desce que nasceste não és mais que um vôo no tempo.&lt;br /&gt;Rumo do céu?&lt;br /&gt;Que importa a rota.&lt;br /&gt;Voa e canta enquanto resistirem as asas.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Toma, é teu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É lindo. É completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Faz dele a tua poesia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha poesia tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Tua poesia nossa. Pra ser pássaro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Nosso céu é o mesmo, te encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;- Te espero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-5093468983304417570?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/5093468983304417570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=5093468983304417570&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5093468983304417570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/5093468983304417570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/06/eu-sempre-fui-sozinha-clara-quase.html' title=''/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-539684136102907940</id><published>2009-06-03T23:14:00.006-03:00</published><updated>2011-10-08T23:39:01.928-03:00</updated><title type='text'>Imagina que sou Tua.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Da obsessão desconexa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu armo cena. Eu armo cena, &lt;i&gt;baby&lt;/i&gt;. Primeiro, eu procuro saber dos teus caminhos. E sei. Descubro todos os teus passos e te persigo numa pose fantasmagórica. Faço cara de recém-saída do manicômio, e você debocha de mim. Pobre de você, que nem sabe que a loucura maior é te amar assim, desvairadamente. Me deixa te amar? Te amar, sim. Te amar sem receitas. Te amar sem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você não olha pra mim. Por que você não olha pra mim? E se eu pintar minha boca num vermelho sangue? Se eu te sussurrar sacanagens ao pé do ouvido, mordiscar teus lábios, rir um riso de terceiras intenções? Se eu subir no salto, naquele vestido vinho que desenha minhas curvas com um decote que deixa minhas costas inteiras de fora? Se eu prender meus cabelos no alto e deixar teus dedos passearem em minha nuca para depois se perderem no meu corpo inteiro? Se eu elogiar teu perfume barato que me faz espirrar? E se eu montar um espetáculo? Se eu cantar embaixo da ponte? Será que assim, você me olha? Me olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quebro a garrafa na mesa do bar. Eu bebo e saio despencando com o copo não mão, catando os versos que você destrói enquanto some por aí. Ando no meio do trânsito caótico da avenida mais movimentada. Eu colo declarações em todas as paredes, salto de pára-quedas, tiro onda de romântica, morro de chorar, borro minha maquiagem, beijo outros caras na tua frente, fumo dez cigarros ao mesmo tempo, grito até ficar rouca, canto as músicas mais bregas. Deito nua, na cama, esperando você - cobertor que não vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vomito. Quebro o espelho, tomo uma ducha gelada enquanto neva lá fora. Vou pra boate, danço com você, me encho de esperança, vou ao banheiro, retorno. Você tá com outra. Vadia! E você nem me olha mais. Me maltrata a visão. Eu saio de mesa em mesa fazendo pose de fácil. Jogo duro com você e me entrego a qualquer um. Saio de lá acompanhada, gingando, sorrindo. Por dentro, em pedaços. Boto fogo no apartamento. E se ao menos você me olhasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de semana eu apareço na tua porta. Eu jogo pedras na tua janela, perturbo a vizinhança, falo coisas sem plano nenhum, berro crueldades. Você me toma por desatinada. Eu sorrio sem aflição. Tua cara, na porta. Eu fico em chamas. Fico querendo descolar alguém pra dormir, que o céu tá cinza há muitos dias. E do teu olhar, eu nem sei. Pura hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra-louca que sou, queria mais era você me sufocando. Te contaminar, com minha lucidez demente. E faço chantagens, uso os piores truques, furo o pneu do teu carro, te ofereço carona (em mim). Te ensino a me amar, você reprova. Me devora sem saber degustar. Repete o prato, me mastiga, e eu só queria que você me engolisse de uma vez. Pousasse teus olhos em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me azeda, &lt;i&gt;baby&lt;/i&gt;. Me adoça. Viro fogueira, se você se dispuser a me acender. Te deixo domesticar meu jeito selvagem se teus olhos mansos passarem a ser meus. E só meus. Eu acordo querendo encrenca. Invento golpes perversos, digo que você é meu cúmplice. Te beijo a boca até você abrir todas as portas. Te destravo. Você se vicia em mim e passa a perambular por aí, pirado. Vive um viver destrambelhado, feliz pelo meu amar incontrolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viro guitarra de você e me entrego a cada dedilhar. Danço em teu corpo inteiro feito bailarina. Você gosta dos meus olhos, eu despetalo as rosas. Você xinga a exatidão da vida, me escreve bobagens num papel. Eu danço pra você na mesa do nosso jantar, te faço discursos longos sobre as coisas que despencam do céu sem porquê algum. Você me olha de baixo e me puxa, me aperta. Chove lá fora. Te empurro na piscina, a gente se cola. Os pingos cantam velhas frases decoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu volto pra sala e deito no chão, molhando a casa inteira. Vejo os insetos em volta da lâmpada, Bob Dylan no som. Você reclama dos meus gostos. Você me olha, guloso. Me olha sem piscar. Me olha. Teus olhos, meus olhos, o tapete. Você afasta meus cabelos que deslizam sobre o rosto e te tenho ao alcance da minha boca. Minha língua querendo provar do teu gosto. Você me pede suor, eu desenho em você dois seios, um ventre, as pernas. Poesia arranhada nas tuas costas pelas minhas unhas em carmim. E nos teus braços, me esqueço. O silêncio canta. O tempo é nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte, manhã. Eu tomo a coca-cola, você me pede em casamento. Desfaz a ordem da música de Caetano. Você não entende nada. O bom não é mais. Eu cato minhas roupas espalhadas pelo quarto e resolvo que Paris é a solução. Porque talvez essa minha busca pelos teus olhos fosse pura vontade de sexo. E agora, nem me fita assim. Ou transa, ou bate a porta na saída. Deixa a chave na mesinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;[Em novembro de 2008].&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-539684136102907940?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/539684136102907940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=539684136102907940&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/539684136102907940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/539684136102907940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/06/imagina-que-sou-tua.html' title='Imagina que sou Tua.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1280319166302030270</id><published>2009-05-26T22:59:00.003-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:31.369-03:00</updated><title type='text'>Verbalizando.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;[Caio F.]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu já nem quero te fazer entender, não. Cansei. Minha boca abre e fecha, e tudo o que teima em escapulir, eu acabo engolindo outra vez. Pode ter sido essa noite em claro, em meio ao frio, ao cinza, aos raios amarelos que eu esperei e não apareceram. Pode ter sido. Ou talvez seja apenas mais uma invenção minha. É, você sabe que eu crio situações por nós dois, resolvo, problematizo, e no final já nem existia nada. Vai ver eu acabe criando propositadamente, pra poder me envolver com qualquer coisa que não seja a verdade silenciosa que fica sussurrando em qualquer presença ou ausência nossa. E tudo isso me entorpece tão profundamente, sabe? Findo expulsando incoerências destrambelhadas porque eu queria mais era te ver - te ouvir, ler, que seja - berrando qualquer coisa. Uma manifestação. Um copo quebrado, um cheiro de vinho pela sala, ou qualquer reação vermelha que me fizesse levar à boca o dedo cortado. Acontece que eu espero, e as ranhuras se dão por dentro, de um jeito todo enigmático, sem pretensão tua, mas por convenção minha. Eu te chamo e não vem palavra. Te chamo, e não vem você. Acabo voltando, também. Recuo um passo ou dois, e fico observando com um olhar pervagante tudo o que se movimenta. Tento ser pedra, em vão. No fim eu sempre volto, sem a menor resistência, cantarolando uma bobagem qualquer, impregnada de você em todas as lembranças do futuro que não é. Somos errados, menino. De um jeito estúpido, eu penso em como seria se não houvéssemos acontecido. Eu queria expor todo o meu agora numa dessas minhas frases curtas. Queria fazer do sentimento algo claro, permitido, solto. Mas daí eu amarro tudo, e vou enovelando gestos secretos que muito provavelmente te fariam tropeçar, caso desenrolasse. E eu sei, ah, como eu sei!, que você se preserva de maneira igual. Existe sempre algo que fica. Mesmo que a gente decida ir embora, algo fica. Lembro meus momentos de surto, com tuas batidas de porta. Sempre me julguei tão calma e serena, que me surpreendo ao ficar de veneta nessas horas. Os pedidos para que você não ouse saber de mim, os adeus recheados de drama. E a amiga que me lembra que sou de peixes - e pra você isso não quer dizer nada. Mas me desenho besta. Teimosa. E agora, impulsiva. Impulsiva de um jeito que eu queria pegar o telefone e cantar com minha voz cor-de-rosa qualquer tom desafinado de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;All My Loving&lt;/span&gt; ao teu ouvido, porque ultimamente são os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beatles&lt;/span&gt; que passaram a virar desenho de qualquer momento nosso, no meu mundo. Mas eu não consigo, menino. Eu viro adolescente boba, que fica olhando de meia em meia hora pro celular, que checa o e-mail com uma vontade nada habitual, e que depois lembra de ter te pedido pra ir. Lembra que talvez fosse isso que você sempre quisesse ouvir. E lembra mais ainda, que se eu me propor, posso acabar me afeiçoando à ideia do não voltar. É que... Você não acha de uma tolice tão grande essas pequenezas que em nossas mãos se tornam graúdas? Aí eu fico te contando que somos crescidos. E você discorda. E eu fico em cólera. E você vai. E daí a queda d’água interna começa a despontar, em mim. Só em mim. Começa urgente, e depois fica mansa, miudinha, igual minha vontade de acordar. É que sempre sonho, menino. Sonho você sonhando comigo, eu dentro do teu sonho, você no meu, e depois... Depois eu só peço que nenhum de nós dois queira despertar. Tô falando muito, eu sei. Por nada, é verdade. Por um desenrolar exclusivamente meu diante da tua opção de mudez, que me dilacera imenso, ainda que o guardado seja insignificante. Ei. Não bate a porta, não. Porque tenho medo de trancá-la, e virar muro entre nós. Eu sei que sou tonta, dramática, chata, e ultimamente várias, dentro de uma só. Mas você não é nada fácil, também. Nos abraçamos assim, não foi? Isso é um ponto em comum. A verdade é que eu queria deitar no teu colo, com descuido e alguma pressa, e te contar tudo isso, em meio a um disparar de palavras ininteligíveis, que findasse com você me dizendo que não precisa dizer nada.  É que eu não te esperava, não. E sei que você não me esperava também. Um desesperar, era? Eu queria não esperar nada. Seria mais fácil toda relação, se o não-esperar existisse, e fosse possível. Esperar, desesperar. E eu tive noção de que em meio a todo e qualquer desencontro, acabamos sendo conduzidos, você e eu, para o agora. Você é uma possibilidade minha, menino. Possibilidade não verbalizada. Como um sentimento sem nome, feito de uma palavra estranha. Palavra que nunca vai caber em dicionário nenhum, e que ninguém nunca vai inventar. Repetição? Sim. É que eu tento apagar, eu minto pra satisfazer tuas vontades, te pedindo pra não vir. Mas você fica. E vai sempre ficar. Continua existindo, musicado. O inevitável dança aos meus olhos. Aí chega a hora em que distribuo um segredo: o tudo que faltava, talvez seja você. Digo e vou dormir, sem sonho, mas dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- É que você me dói, menino. Mas de um jeito assim, pulsando: tua poesia a correr em mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1280319166302030270?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1280319166302030270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1280319166302030270&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1280319166302030270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1280319166302030270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/05/verbalizando.html' title='Verbalizando.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7867125152181934594</id><published>2009-05-15T23:14:00.024-03:00</published><updated>2011-06-06T00:21:04.925-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dulce.'/><title type='text'>Um decalque desatinado, de Dulce.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trânsito caótico. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marcelo Camelo&lt;/span&gt; com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mallu Magalhães&lt;/span&gt;? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tchubaruba my ass&lt;/span&gt;! Quebrei o rádio do carro e comecei a cantar, eu mesmo. Uma música que era só assobios, qualquer coisa dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beatles&lt;/span&gt;. Abri a janela para jogar o toco de cigarro e fiz orações mentais para que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lei do Fumo&lt;/span&gt; ficasse só em Sampa, mesmo. Notei que eu já estava parado naquela rua há mais de meia hora e permanecia inusitadamente tranquilo. Os carros em frente começaram a andar, enfim. Quando dei partida, a porta direita do meu carro verde é aberta e senta uma moça. Qualquer um sabe que poderia se tratar de um assalto e eu poderia estar com uma arma diante da cabeça, mas não. O cheiro de incenso tomou conta do ambiente. Respirei: Dulce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuava a mesma, em sua transparência de fantasma. Talvez fosse, de fato. Essa dúvida tresloucada me fez mergulhar num silêncio irreal. Eu já havia esquecido os compromissos. O carro ia sendo guiado às avessas. Olhei pro lado para me certificar que era ela. Foi quando meu rosto consumiu-se por um beijo. Definitivamente, era ela. Havia voltado ao Brasil, então. Nem um telefonema, um aviso, um sinal que me fizesse buscá-la no aeroporto. Oi? Sim, tenho noção do quanto soa patética minha imaginação e que Dulce jamais se importaria em alertar alguém sobre chegadas e partidas, mas eu queria ter sido o primeiro rosto que aqueles lábios conheceram. Ela continuava a ser minha ideia platônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não trocamos nenhuma palavra. Ela olhava pela janela, ensimesmada. Resolvi acender outro cigarro. Parei o carro no acostamento e o isqueiro vermelho fez fogo. A fumaça ia tomando conta do ambiente, se misturando ao cheiro de incenso. Ela me olhou, séria. E disse: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sabe, eu entrei no teu carro, mas podia ter sido o de qualquer um. Algumas horas antes, eu tava dentro do meu fusca, e quando o trânsito parou, joguei meu celular pela janela do carro ao lado. O rapaz de cabelos longos me chamou a atenção, resolvi ousar. Minha boca precisa de beijos, achei interessante criar esses traços, pra ter história pra contar.&lt;/span&gt; Foi quando eu olhei para a boca. Não moravam ali dentes perfeitos, mas se montavam num sorriso avassalador. Pareciam convidar meu corpo inteiro para fazer festa. Ela não estava mais bonita ou atraente, não. Mas aquela porra daquela visita ardente, só o cigarro sabia acalmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De unhas escuras, largas e curtas, ela aproximou os dedos em minha boca, pegou o cigarro para tragar, enquanto prosseguia na história: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como os carros não andavam há mais de meia hora, saltei e fui atrás do orelhão mais próximo. Liguei para o meu telefone, o rapaz atendeu. Desliguei tão logo a voz dele fez som. A boca, Leo, onde a voz faz morada, onde o beijo é encontro, merece timbres e sílabas leves. A voz dele me afastou, de irritação. &lt;/span&gt;E eu gargalhei. Gargalhei porque não lembrava de tê-la visto tão boba, como dessa vez. As histórias dementes continuavam, mas Dulce parecia outra. Resolvi observá-la. Eu arquejava, num desejo incontido de tocá-la, inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela contou que não voltou para buscar o fusca, largado até agora na avenida mais movimentada da cidade. Saiu caminhando, e brincou de sorte: entraria no primeiro carro verde que sua visão alcançasse. Entrou, de fato. Eu a olhava, numa estupefação consciente, sabendo que ela adorava notar essa expressão em meu rosto, ou no de qualquer um. Dulce se alimentava de insanidades prosaicas, e eu achando que havia me acostumado. Temi saber seu objetivo ao entrar num carro verde. Parei no café mais próximo para conversarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi uma mesa enquanto ela foi ao banheiro. Pensei em ligar para Sávio e contar das novidades, mas desisti. Ele certamente me incentivaria a organizar uma série de putarias para prendê-la. Sorri por dentro, pensando nas cócegas que Dulce proporcionava à minha alma inquieta. Pedi um café para esperá-la. Coloco as mãos na cabeça, em posição de descanso, e observo o nada no momento em que ele é preenchido por presença. Ela, cigana. Cabelos indomáveis. Uma camiseta branca, colares, uma saia estampada que dançava sobre seus pés, aqueles olhos preto-azulados, e uma rosa, nos cabelos. A rosa era invisível, coisa minha. Pensei em despi-la ali mesmo. Dulce veio até mim, séria, e sentou-se ao meu lado. Odiei que fosse assim, porque queria meus olhos nela, mas tão logo senti nossas peles em comunhão, mudei de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porra, me beija.&lt;/span&gt; Foi o que ela disse, com uma vontade urgente dentro de uma voz mansa que parecia poesia errada. E me entregou os lábios com uma castidade que eu jamais imaginaria nela. As mímicas se alargavam. Dulce vinha chegando pra dentro de mim, pulsando. Fomos ímã por um momento que não era tempo. No fim, eu me perguntava se isso aconteceria caso o homem do carro verde fosse outro. Mas, quer saber? Que vá à merda tudo que não seja o agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos ao apartamento. Sávio não estaria lá, tinha viajado para visitar a moça de Fortaleza. Sempre, em todos os anos naquele prédio, subi escadas. Mas Dulce era mutante, exercendo poderes promíscuos em minhas ações, ou na falta delas. Nem notei que estive no elevador, em meio a carícias impraticáveis. Não, nem dormimos juntos. Ela apagou, de repente, abraçada a uma garrafa de vinho. Linda, com aqueles seios de pera, vestida de uma nudez apaziguante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manhã seguinte, minha boca era seca, ao sabê-la voltando a Londres. Ela, vestida de sol, estirou-se ao meu lado no sofá. Fumava já, àquela hora. Com um gesto que ainda não tinha sido feito, me contou que eu era seu brinquedo sério. Nos levantamos, fomos para o aeroporto. Tomei uma &lt;em&gt;coca&lt;/em&gt; e ela mordia uns cubos de gelo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mania, caras. Mania.&lt;/span&gt; Última chamada para o voo e nossos olhos se encontraram. Na mesa, um sinal de batom no guardanapo. Enxerguei seus lábios ali, resolvi que era um beijo-recordação. Coloquei-o no bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei mudo ao seu lado. Já não tinha fila para embarcar. De repente, como que numa tentativa impulsiva de prendê-la a mim, disse-lhe: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;casa comigo&lt;/span&gt;? Ao que ela respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não fode, Leo!&lt;/span&gt; - e caminhou para o embarque com um olhar obscuro e borrado, sem notar a rosa que lhe despencava dos cabelos de fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incompreensão é algo mágico, definitivamente. Dulce não desconfiava, mas sua voz foi esquecida em meus ouvidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;________________________________&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt; Dulce nasceu &lt;/span&gt;&lt;a href="http://liricass.blogspot.com/2009/04/agora-pensei-em-dulce.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;, passeou &lt;/span&gt;&lt;a href="http://omundodesofisma.blogspot.com/2009/04/do-meu-encontro-com-dulce.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;, e voltou hoje.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt; Essa semana, foi fotografada &lt;/span&gt;&lt;a href="http://bonequinhadeseda.blogspot.com/2009/05/vamos-falar-de-dulce.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;ali&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt; e  &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blogdemelissas.blogspot.com/2009/05/eu-tambem-amei-dulce.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;lá&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;Essa noite, feriu de Vermelho a retina &lt;/span&gt;&lt;a href="http://krippendorf.blogspot.com/2009/05/cachos-vermelho-sangue.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;dele&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7867125152181934594?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7867125152181934594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7867125152181934594&amp;isPopup=true' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7867125152181934594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7867125152181934594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/05/um-decalque-desatinado-de-dulce.html' title='Um decalque desatinado, de Dulce.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-336908481720884700</id><published>2009-05-10T22:21:00.005-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:36.582-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu não sentia nada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Só uma transformação, pesável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Muita coisa importante falta nome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;João Guimarães Rosa&lt;/span&gt; - aqui, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Riobaldo&lt;/span&gt;, em: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/span&gt;].&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastou que o olhar de sonho dele fosse meu, naquele instante, para que eu conhecesse felicidade. Achei que fosse, num descuido. Felicidade. Um moço em cima do muro, brincando de miragem com o azul. Ele, sério, sorriu. Não sei ao certo o que aconteceu, porque tinha dia amanhecendo nele, enquanto o sol se punha. O sorriso caiu em mim, e ecoou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em folhas pequeninas, num tom cinza que distorcia o vermelho com o qual o céu se fez enfeitar, o moço, de cima do muro, fez traços de mim. Meus olhos externos, fazendo-o enxergar alma. Não sei se me fiz menina sentada sobre as mãos, num banco de praça, chutando pedrinhas distraidamente com o bico de uma sapatilha xadrez. Porque o querer era que assim fosse, mas quando a vida inventa de ser arte, tem coisa que só se entende quando se pinta. Ele pintou o que eu era - e já não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversávamos um silêncio barulhento. Conservávamos uma tormenta inominada. Amor de longe, talvez fosse. Uma história de ausência cheia de sentido, onde nenhum se deixava doer por inteiro. Nos demos um ao outro. Chamamos de loucura, tudo que se parecia com pensares. Maneira de descanso, pra dar vez à lua, que já ia pedindo permissão pra chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu via vida escondida nos tijolos do muro. Cimento que tentava cegar. Ele brincando com o calcanhar, lá em cima, como que tentando me dizer que aquelas pequenas fendas que permitiam enxergar o outro lado eram um milagre manso. Que vida, é a gente. Tudo que acumula, vai, se perde, retorna. A gente é um embrulho. A vida, o presente em si, guardado do lado de dentro. O moço concordava comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pulou de onde estava, e soube ver que eu era sono e despertar, comuns. Uma inquietude morou em seus gestos, na leitura do pós, de mim. Tudo era sépia. Quis tatuar nele minha queimadura de coração antigo. Seguiu andando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois eu seria lembrança. Do que se denomina atual, eu nem lembraria. As horas daquele entardecer, todavia, se fizeram eternas vizinhas de mim. Fui flor-sozinha, enquanto houve muro. O moço, virou miragem. E eu já não conto do que sou - e sempre fui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-336908481720884700?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/336908481720884700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=336908481720884700&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/336908481720884700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/336908481720884700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/05/eu-nao-sentia-nada.html' title=''/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-785157784845606884</id><published>2009-04-30T22:57:00.007-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:45.137-03:00</updated><title type='text'>Enleio Metafórico</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-E até quando acredita o senhor&lt;br /&gt;que podemos continuar&lt;br /&gt;nesse ir e vir do caralho? - perguntou.&lt;br /&gt;Florentino Ariza tinha a resposta preparada&lt;br /&gt;havia cinquenta e três anos, sete meses e onze dias&lt;br /&gt;com as respectivas noites.&lt;br /&gt;- Toda a vida - disse.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;strong&gt;Gabriel García Márquez&lt;/strong&gt;, em: &lt;em&gt;O amor nos tempos do cólera&lt;/em&gt;].&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa prosa um tanto sinuosa, vi tua alma dançar um bolero de &lt;em&gt;Gardel,&lt;/em&gt; enquanto me fazia um apelo para segui-la. Não fui. Voltei ao apartamento, num caminhar despercebido, me abraçando forte, como se nesse gesto afagasse também a parte de você que me habita. Pela rua, eu cantava baixinho, pra mim. Eu virava camaleão, tentando furtar um pouco as cores de alguns sorrisos para brincar de pincelar quimeras. A lua nova ia despontando no céu, e eu sorri, por saber, na minha certeza, que você também a fotografava de onde estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez em casa, com uma xícara de chocolate quente em mãos, um blusão de propaganda me vestindo o corpo, uma alma desnuda, e um rosto que me desenhava as emoções milimetricamente, passei a observar as luzes desconexas que piscavam na rua lá embaixo. Um moço tocava violão, na calçada do outro lado. A namorada ouvia. A cena daria uma história bonita para uma prosa poética, mas choveu. Choveu em mim. Ninguém compreenderia, então. Sintoma de amor. A vontade era morrer, em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não explico o momento impreciso com o qual o interfone me despertou de devaneios imbecis, ao te anunciar. E sentamos os dois, descalços, distantes, ao tapete da sala de estar. Sem som algum, a única música permitida era a dos nossos acordes afins. Alguns cálices de vinho, e o estrago: nossas almas sendo lançadas pela boca. E tantas verdades me doendo, que eu desejei ser espectadora, apenas. Quis que fossemos uma cena de filme, feita para me emocionar, pela tela. É que eu nunca soube lidar com excesso de realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aturdida, te destrinchava com meu olhar mais investigativo. Teu rosto em chamas. Nas tuas janelas, vi outro de você. Qual não foi minha surpresa ao desvendar o mistério que já não tinha: o outro de você, em si, era eu. E a lucidez se desmontou com jeito de gente grande, quando pensei que ainda ontem descobri que, quando me vejo sendo duas, a outra metade de mim é você, inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um soneto, então. Éramos silêncio. Um &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt; silencioso. Na geografia daquele momento, havíamos descoberto nossos territórios. Nos tomamos pelas mãos, e senti teu hálito quente me beijar o rosto. Deitamos ali, abraçados, vendo os insetos ao redor da lâmpada amarela. O bolero tocou, novamente. E eu fui. Notei que você me trouxe de volta um jeito de sorrir, que havia se perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incompreensão. Medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver sempre dava nisso. Pedi que não houvesse destino pra ancorar nosso barco. Pra imitar o livro em sua beleza, e por saber você, meu porto. Pensei naquela vontade de morrer, outra vez. Porque &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"o amor era amor em qualquer tempo e em qualquer parte, mas tanto mais denso quanto mais perto da morte".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-785157784845606884?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/785157784845606884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=785157784845606884&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/785157784845606884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/785157784845606884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/04/enleio-metaforico.html' title='Enleio Metafórico'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-1064500946076466728</id><published>2009-04-01T21:33:00.015-03:00</published><updated>2011-10-08T22:18:13.544-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dulce.'/><title type='text'>Agora pensei em Dulce.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meia luz. &lt;i&gt;Jazz&lt;/i&gt;. Uma moça mexe o gelo da bebida com as pontas dos dedos e os chupa escandalosamente enquanto me observa com uns olhos famintos. &lt;i&gt;Vadia.&lt;/i&gt; É o meu pensamento. Noite de caça para ela, presumo. Se Sávio estivesse aqui, certamente teria investido. Cantadas baratas, onde terminaria com ela sorrindo um sorriso de abrir as pernas. Ele então piscaria para mim, como quem está prestes a devorar uma picanha no espeto. Nível baixo, sem metáforas para embelezar balbúrdias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é Sávio? Meu colega de apartamento. Estudamos juntos na faculdade. Lembro das nossas idas às festas da USP, em Ribeirão Preto, e ele catando geral as meninas da &lt;i&gt;odonto.&lt;/i&gt; Seleção? Elas já haviam passado no vestibular. E você, que é veterano em um curso, há de convir: as calouras fresquinhas entram dispostas a aproveitar. Por que ele faria diferente, não? Já nessa época, eu era cauteloso. Não, eu não passava em branco, mas... Eu queria ver qualquer coisa além. Sentados à chopperia, era sempre ele: &lt;i&gt;Leo, saca só que bundinha gostosa!&lt;/i&gt; E ia atrás. Às vezes, voltava a mim com um &lt;i&gt;porra, cara! Ela tem uma amiga assim e assado,&lt;/i&gt; ao que eu me recusava, e as duas o acompanhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espia a moça, ali. Ainda me olha. Usa botas, saia curta, e não para de cruzar e descruzar as pernas. &lt;i&gt;Caralho, será que ela nota meu rubor de onde está sentada?&lt;/i&gt; Melhor disfarçar. &lt;i&gt;Psiu, conhaque. E qualquer coisa salgada para petiscar, sim? &lt;/i&gt;A garçonete daqui tem jeito de comissária de bordo. Cabelo amarrado, traseiro empinado. Dulce queria ser aeromoça. Numa das nossas primeiras conversas, lembro dos dizeres: &lt;i&gt;eu treparia adoidado dentro daqueles banheiros minúsculos, sabe? Sempre tem passageiros com essa fantasia, que é minha também. &lt;/i&gt;Eu já não achava absurdo. Dulce, aliás, era um absurdo de mulher. Eu questionava que assim, nessa vida de aeromoça de filme pornográfico, ela jamais seria feliz em par. Ela dava com as mãos, e dizia, despojadamente: &lt;i&gt;no céu ninguém tem compromisso, Leo. &lt;/i&gt;E logo em seguida, lá estava ela molhando os lábios com a língua, de um jeito que me botava doido. Naquela noite, brilhava o &lt;i&gt;piercing&lt;/i&gt; que enfeitava seu nariz e era verde o alargador em sua orelha direita. Dulce era estudante de Ciências Sociais, à época. Sua roupagem chegava a me lembrar uma &lt;i&gt;Rita Lee&lt;/i&gt; dos tempos dos &lt;i&gt;Mutantes&lt;/i&gt;. Jamais contei-lhe sobre minhas impressões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conheci Dulce, eu usava cuecas. Ela usava aquele meu blusão preto, onde lia-se, em branco, a frase: &lt;i&gt;o brasileiro é um feriado.&lt;/i&gt; Casualidades. Eu bebia uma garrafa de leite, quando ela apareceu se espreguiçando, sem me dizer bom dia. Imaginei que fosse avessa a conversas matinais, assim como eu. Deduzi, obviamente, que era mais uma das moças de Sávio. Dormira com ele, então. O engraçado é que os gemidos não me acordaram, como de praxe. Dançamos nosso silêncio enquanto o sol nascia. Ela comia uma maçã e eu a observava. &lt;i&gt;Mina folgada e espaçosa.&lt;/i&gt; Foi a reação primeira, muda. E essa de Sávio, com ela? Será? Dulce tinha peitos pequenos, que caberiam macios nas palmas das minhas mãos. Era magrela e tinha mais ou menos minha altura. Cabelos de anéis, expansivos - e desgrenhados pelo acabar de acordar. Na nuca, uma tatuagem brega, com um código de barras e o dizer &lt;i&gt;made in Brazil.&lt;/i&gt; Usava dúzias de pulseiras &lt;i&gt;hippies&lt;/i&gt; e uma tirinha amarrada no tornozelo esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos de Dulce merecem um parágrafo a parte. Eram uns olhos de boneca, com cílios fartos e longos. De tão pretos, eu os enxergava azuis. &lt;i&gt;José Dias&lt;/i&gt; certamente - e sabiamente - os classificaria como sendo &lt;i&gt;olhos de cigana oblíqua e dissimulada.&lt;/i&gt; Pretensão minha compará-la a &lt;i&gt;Capitu?&lt;/i&gt; Tudo me movia a fazer imagens surreais relacionadas àquela criatura que, a essa altura, tirava meus CD’s da ordem alfabética e assobiava trechos das músicas que eu chamava de minhas. Uma mulher vestida de si mesma, era Dulce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso terceiro encontro foi na biblioteca. Eu, em banca individual, ela, obviamente, tomando uma mesa inteira para si. Senta, torce o pescoço, se desfaz das sapatilhas, cruza as pernas na cadeira - como se meditar fosse -, mordisca os beiços, joga os cabelos para trás e os cachos lhe voltam ao rosto numa teimosia risonha. Finalmente abre o livro. Seus dedos da mão direita dançam em cima da mesa. Umas unhas borradas pelo tom carmim que fora esmalte do dia anterior. Ela me nota. Eu me aproximo. Indiscreta, comenta das minhas olheiras profundas de duas madrugadas em claro. Quatro noites. Dois dias escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não a vejo faz mais ou menos quatorze meses. Soube que estava em Londres, fazendo alguns cursos. Agora perceba essa moça do bar, de boca gulosa: está a um passo de vir até mim. Se Dulce ela fosse, estaria descalça, sim. Com um livro de filosofia aberto. &lt;i&gt;Sartre,&lt;/i&gt; provavelmente. Já havia me confessado seus desejos de ser &lt;i&gt;Simone de Beauvoir&lt;/i&gt; - será que daí surgira sua ideia de relacionar-se descompromissadamente no céu? Nunca tive vocação para Sartre. Enfim, se a moça do bar fosse Dulce, fumaria um cigarro e desenharia intenções na fumaça. Amor sempre foi chama, ao seu ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Posso?,&lt;/i&gt; a moça, com seu copo. Sorrio, apenas. Ela junta-se a mim no balcão. &lt;i&gt;Essa vida de aeromoça é cansativa, sabes? Mas quando pouso em São Paulo, vivo cada pedaço do mundo.&lt;/i&gt; Isso era ela dizendo. &lt;i&gt;A vagaba é aeromoça!,&lt;/i&gt; pensei. &lt;i&gt;Puta pose de garota de programa.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Perguntei, desinteressadamente: &lt;i&gt;por que não tenta outra coisa, moça?&lt;/i&gt; Ela teceu um discurso cansativo. A visão de Dulce subitamente me soou deveras interessante, naquele momento. Pedi licença e fui fumar sozinho, em frente ao bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginei Dulce e seus cabelos ruivos. Cabelos de fogo. Tão logo, uma estrela cadente no céu. Eu, fumaça. Sávio vinha dobrando a esquina e provavelmente levaria a aeromoça para casa. Fui ao cinema. &lt;i&gt;Eternal Sunshine of the Spotless Mind.&lt;/i&gt; A moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Merda!&lt;/i&gt; Agora, pensei em Dulce.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-1064500946076466728?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/1064500946076466728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=1064500946076466728&amp;isPopup=true' title='54 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1064500946076466728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/1064500946076466728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/04/agora-pensei-em-dulce.html' title='Agora pensei em Dulce.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>54</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-2924310901555287436</id><published>2009-03-22T10:17:00.005-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:36.585-03:00</updated><title type='text'>Quando ele dorme lá em casa.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quando ela dorme em minha casa&lt;br /&gt;O mundo acorda cantando...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[Zeca Baleiro/ Fausto Nilo]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais-que-perfeito, é o sentido. É tradução impossível do modo como meu nome minúsculo se encaixa em seus lábios. E a cada vez que ele me exala de si, num tom agridoce e vermelho, eu insisto em ter pra mim todos os ares que o furtam, para respirá-lo inteiro, num ato de egoísmo permitido - e não há quem ouse discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já me espera em casa, e decora o som do motor do meu carro. Escuta de olhos acesos o barulho da porta que se fecha estrondosa na ausência da minha delicadeza, e sorri dos meus relatórios de mais um dia de aconteceres. E eu sei que ele não está ouvindo nada. Sei que deseja me silenciar num abraço, ou algum gesto assim, que me cala, para dar vez ao coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavo as mãos, vou para a cozinha, e ele insiste em me ajudar a preparar o jantar. Senta ao balcão e observa efusivamente, até que eu desmonte numa fotografia desconcertante, enquanto ele ri um riso frouxo, da minha timidez latente. Então resolve comer um tomate, ao passo que lê todas as minhas interrogações. Musica assobios indecifráveis, e se aproxima, na tentativa de ser simpático, ao contar que o cheiro que as panelas fazem é delicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre a porta da geladeira e conta os morangos. Me serve água com o copo emborcado, fazendo nascer em mim uma crise de risos descontrolada. Molha toda a roupa. Veste a mim. Não resisto à minha mania de deboche, e ele retruca. Reclama das minhas compras superficiais. Da minha mania exagerada de comer um vidro inteiro de azeitonas verdes, e não entende minha preferência infantil por &lt;em&gt;danoninho.&lt;/em&gt; Diz que vou ficar gorda pelo descontrole com os pães de queijo, mas não resiste à minha boca com gosto do &lt;em&gt;trident&lt;/em&gt; de canela em tempo quase integral. Eu sorrio, por não saber outro desenho quando o tenho por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala, assistimos ao &lt;em&gt;007 &lt;/em&gt;de um tempo que já foi, e em meio a absurdos, sua gargalhada indiscreta me faz acordar de qualquer índice depressivo. E eu o observo, enquanto lhe dedico um cafuné sem pressa. A maneira como franze seu nariz, no menor rabisco de sorriso. O jeito de ajustar os óculos no rosto ainda que os mesmos nunca tenham saído do lugar. A inquietude das pernas, esperando pelo final do filme. Me fez aprender a amar rabugices apenas por as mesmas fazerem morada em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fazendo história com o cheiro de terra molhada, e ele sem conseguir respirar. As duas colheres de açúcar na xícara de café, e eu sem beber. O modo como bate a caneta no papel esperando uma inspiração que não vem. A dúvida entre gasolina e álcool, na hora de abastecer o carro. E o jeito de falar de mim, disparadamente. De enumerar meus defeitos, contar da minha mania de sorrir todo o tempo, do meu modo de arrumar os cabelos procurando um efeito que só ele enxerga e que relata detalhes do meu jeito de ser - e sempre. Fala dos meus dramas e exageros. Da minha incapacidade de gostar de azul agora, e no mês que vem continuar gostando - hoje é verde. E do fato de existir amor por sorvete de flocos, sendo que, se me traz um pote, me ouve dizer: mas eu queria que fosse de cajá. Daí eu conto inexistências e berro suposições, já esperando o final, quando ele diz que, não fossem essas peculiaridades, jamais haveríamos de ser um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor vira cometa, riscando o tom escuro. Nessa hora, já é noite, e estrelas distraídas que nos transformamos, fazemos do mundo um olhar de céu. Tropeçamos em versos, e acabamos sendo a própria poesia. Melodiada por presença, apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando o sol vem trazer bom dia, ele se levanta, marcado por lençóis, enquanto continuo na cama, a enganar as horas. Escuto barulho de água caindo no chuveiro, mas a preguiça matinal não me deixa segui-lo. Ele troca de roupa, já ouvindo trilha sonora de mim, numa voz rouca de sono, desafinada em paixão, fingindo ser despertada pelo barulho das chaves do carro: &lt;em&gt;ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida, já anuncias a hora da partida, sem saber mesmo o rumo que irás tomar...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E ele volta, irresistivelmente, pra mim - e porque ninguém resiste a &lt;em&gt;Cartola&lt;/em&gt;. Volta de cabelos molhados e cheiro bom. Tempo pra mais um beijo, onde deixamos cair um pouco de vida - em par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai. Pinga uma estrela em cada olho meu, e vai. Eu, ainda na janela, espio o sol a imitar seu sorriso, com os tão indiscretos raios a refleti-lo, inteiro, em meus cantos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-2924310901555287436?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/2924310901555287436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=2924310901555287436&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/2924310901555287436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/2924310901555287436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/03/quando-ele-dorme-la-em-casa_22.html' title='Quando ele dorme lá em casa.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7168922266761810610</id><published>2009-03-07T15:31:00.006-03:00</published><updated>2011-07-09T23:59:34.723-03:00</updated><title type='text'>Vida que é doce Levar.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os avessos às vezes já nem sabem enxergar clareza, daí insistem em rebuscar de maneira exagerada aquilo que a poesia mostra através de sentires múltiplos. Mundos. Cheiro musicado de caminhadas por ruas que nem se sabia existir. Avelãs e uma estrada de muitas folhas. É o eterno redescobrir-se e o jamais saber-se quem. É o ato sereno de se agachar na beira da fonte de água-diamante, e bebê-la fazendo das mãos conchas entendendo estar recheando-se em pérolas que não alimentam riquezas fúteis, mas espíritos de luz. São chuvas tempestuosas que secam esperando um sol mais amarelo, e um arco-íris que se torna invisível no passar dos anos, sem você, nem eu, nunca termos escorregado nele. É época de morangos, quando se fala em amor-teu, da menina. Um quarto, cheio de riso abafado, ecoando na casa inteira. É o não saber-se só. Um ouvir de passos e o fingir-se dormindo, pelo prazer de ser envolto num cobertor de proteção. Dele. Dela. Café na porta. Uma gargalhada a anúncio, de uma criança - tantos sem-fins de clichês exorbitantes. Um enovelar de destinos. Um pecado. Um rubor. Um peito deserto, ainda com fontes de lágrimas. E uma ponte, que se faz entre mãos que se abraçam. É um temer pela brevidade do agora. E um tremer, ao chegar ao firmamento, e roubar estrelas. Depois, uma história incoerente do retorno, como se ninguém houvesse notado os rastros de pó, reluzindo em tantos pés. É (des)encontro. Doce. E leve. Levo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida acaba sendo qualquer coisa assim: como o teu sonho repousando no meu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7168922266761810610?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7168922266761810610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7168922266761810610&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7168922266761810610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7168922266761810610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/03/vida-que-e-doce-levar_07.html' title='Vida que é doce Levar.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-8454943669917123094</id><published>2009-02-25T17:22:00.005-03:00</published><updated>2010-06-04T20:24:36.591-03:00</updated><title type='text'>Quando fiquei grávida de você.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Enquanto for um berço meu&lt;br /&gt;Enquanto for um terço meu&lt;br /&gt;Serás vida, bem vinda&lt;br /&gt;Serás viva, bem viva&lt;br /&gt;Em mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[Realejo - Fernando Anitelli/ Danilo Souza]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Você já se encontrou com alguma prostituta francesa? Provavelmente acariciou as mãos de alguma delas. É, nem adianta me olhar com essa cara. Sempre acho engraçadas tuas comparações. Minhas unhas vermelhas te contrariam talvez por serem o retrato um tanto voraz do amor-carmim que sonho encarnar. Já pensou sentimento incolor? Tão melhor brincar de desatar arco-íris, não? Tá, é bem verdade que não costumo sair do meu tom de temperos leves. Foi assim que nossas mãos conversaram pela primeira vez, em uníssono. Caminhamos pelas linhas nelas desenhadas, e ouvimos o coração bater em suas palmas. Ah, me deixa enfeitar os aconteceres! Faço isso justamente pela delícia de esperar tua reação. Ninguém mais me veste tão bem quanto você, nesse jeito de rasgar os lábios enquanto emenda bobeiras desconexas. Inevitável te bordar, enquanto você ri do meu sorriso. Posso repousar o rosto no teu ombro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem sol nascendo nos teus olhos. É em mim que ele se põe. Não me importo em ser céu de você, não. O que tem minha blusa? Você lembra? Na festa dos meus dezoito anos, a gente nem namorava ainda. Tinha aquelas de toques casuais, pra acostumar uma pele na outra. E depois, um beijo. O primeiro. Um doce que encantava pelo desconcerto em meio às incertezas de bocas que se visitam pela primeira vez. A blusa, de presente. Tomei ela como sendo um roçagar de você em mim, nem ligando para estilos. Queria ver se você percebia. Homens nunca dão muita atenção a essas coisas, mesmo. Ei, não puxa meus cachos! Não, meus cabelos não são molas. Tenho ganas de te beliscar, quando você faz isso. Tá, é verdade, gosto do jeito como você me desmonta, assim. Teu abraço é puro descaminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usei a blusa no show dos &lt;em&gt;Tribalistas&lt;/em&gt;? Não era do &lt;em&gt;Teatro Mágico&lt;/em&gt;? Ah, não sei. Lembro do caminho de volta. Da cidade-cenário para o que parecia uma cena clichê, ao nosso redor. Chuviscou, naquela noite. As pessoas fugiam das gotas, enquanto a gente fazia germinar dentro em nós a semente daquela primavera que não se vê nascer. Foi nessa hora que perdi as chaves de casa, acho. Nem acredito que meus pais não notaram minha ausência naquela noite. Um conto bonito foi ficar trancada do lado de fora, com você, na varanda, enquanto o vento trazia festa madrugada adentro. Nessa noite, te contei que estava grávida. Lembro da tua cara de espanto, e da gargalhada alta. Ai de você, se meus pais tivessem acordado! E eu nem falava de sexo. Aconteceu-me de ficar recheada de um lirismo convexo. Internamente, seu bobo! Ah, tenta entender. Eu possuia uma gravidade ao mesmo tempo em que vivia a falta dela. Esperança-sonho-poesia-você, fecundando-se em. Entende, agora? Você então me beijou com avidez. Um beijo que me implodiu aos poucos, enquanto perscrutava coisas de mim, e entregava resquícios de você. Dormimos ali. Acordei guardada nos teus braços, quando meu pai abriu a porta, pela manhã, inaugurando uma palestra-sermão. Anunciamos ternura, com nossos olhos de olhar estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você ainda cisma com o vermelho das minhas unhas! Cor do que é intenso, menino. Sempre-vivo. Lâmpada de uma constelação inteira. Cor de mim, hoje. Sorrindo teu olhar. E grávida de um sentimento impressentido, como uma nova primavera. Coisa mais linda, para ser história de futuro. Um fruto. Um furto. Você, pra mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-8454943669917123094?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/8454943669917123094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=8454943669917123094&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8454943669917123094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/8454943669917123094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/02/quando-fiquei-gravida-de-voce.html' title='Quando fiquei grávida de você.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-7605690831828671329</id><published>2009-02-13T15:32:00.016-03:00</published><updated>2011-06-06T00:23:11.802-03:00</updated><title type='text'>Bordado de Garoa e Mar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escolho as cores, recorto os tons. A luz que invade é poesia, as letras são de bailar. Seguro a mão da menina-mulher que vive através, do meu espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorriso dela, reflexo do meu. Eu (em) ela - pelas mãos, que se encaixam. Uma apoteose de acordes em par, fazem palavras surgirem de dentro - em nós - que se embolam. Dançamos as letras-notas. A menina do anel-de-lua faz céu onde meu eu-estrela navega. Azul, que me afaga. Nela, os olhos de cais. Desembarco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do arco-íris tem o mar. Um mar de nós, de dedos que nunca se embolam. As ondas fazem hiato, de tempo; as ondas são a constância do desejo. Os olhos tem fome, e o tamanho do mar é tanto que já nem sei comê-lo. Devoro aos poucos as palavras que escorrem pela boca, melam os dedos, fazem soluço-de-riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Suspendo a respiração, e de olhos fechados espero o próximo ato.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ondas que lambem o inteiro, um lambuzar de cores. Um som de violão bêbado nascendo em meio aos ruídos monótonos. O riso-sorriso dela, ecoando em minhas pálpebras-borboletas. Visto coroa de guirlanda, princesa que brincava de ser, no faz-de-conta sinestésico. Felicidade, era a lei. E se um dia foi diferente, a noite, espiralada, não deixava ser. Virava tela, em cima da pedra mais alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colho no ar umas bergamotas-de-poesia, eita coisa bôa que é lambuzar-se da palavra alheia! Sorvo seus existires, para que haja docêde, em mim (é que vós tens nome dôce!). Misturo o eu no tu, pra ver se desvira numa prosa bôa de ler, comer. Num desenho mágico, de bailar os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a tecer um arremate pra nossa meada, e é com vontade de fazer um cachecol de dar volta no mundo todinho, que amarro o fio, picoto a linha, vejo nossa obra com olhos de sete-anos, sete-mares, três-marias: duas-metades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;____________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Palavra de duas - eu e ela, minha &lt;/span&gt;&lt;a href="http://aquarelavel.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lua de côr&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4619803980165487324-7605690831828671329?l=liricass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://liricass.blogspot.com/feeds/7605690831828671329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4619803980165487324&amp;postID=7605690831828671329&amp;isPopup=true' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7605690831828671329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4619803980165487324/posts/default/7605690831828671329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://liricass.blogspot.com/2009/02/bordado-de-garoa-e-mar.html' title='Bordado de Garoa e Mar.'/><author><name>Jaya Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05864430637430183419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4619803980165487324.post-8335946222948128350</id><published>2009-02-03T22:31:00.014-03:00</published><updated>2010-06-04T20:23:45.144-03:00</updated><title type='text'>Tradução Lírica do Ininteligível.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Já não sou sem ti senão apenas teu sonho.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;[Pablo Neruda]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhos tão mendigos de poesias, os teus. De longe, tão perto, parecem me contar do tamanho do mundo. Tanto mundo. Caminhos. Numa curva, você. Não sei de onde nasceu teu caminhar que rabisca versos no chão por onde passa. Muito me envergonha a vontade de sair catando-os. Todos. Inevitável abraçar meus pensamentos quando eles resolvem se entranhar na tua ausência-presente. 
